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Companhia La Vaca completa dez anos com estreia nos palcos de Florianópolis

O projeto “Ilusões – La Vaca 10 anos” marca o fechamento de um ciclo e uma mudança de rota em termos dramatúrgicos

Karin Barros
Florianópolis
09/05/2018 às 10H52

A Cia La Vaca, de Florianópolis, formada por Milena Moraes e Renato Turnes, está completando uma década de trabalhos contínuos pela arte em todo o Estado. Para celebrar, eles estreiam nesta sexta (11) a peça “Ilusões”, por meio do edital Elisabete Anderle, que segue até domingo (13) e retorna de 24 a 27 de maio, no Sesc Prainha. Fazem também parte desse momento de comemoração da companhia os artistas Drica Santos e Anderson do Carmo, além do diretor Fábio Salvatti.

Criada por Milena Moraes (a segunda da esq. para a dir.) e Renato Turnes (o segundo da dir. para a esq.), companhia La Vaca foi fundada há 10 anos - Daniel Queiroz/ND
Criada por Milena Moraes (a segunda da esq. para a dir.) e Renato Turnes (o segundo da dir. para a esq.), companhia La Vaca foi fundada há 10 anos - Daniel Queiroz/ND


Salvatti faz parte de um momento marcante para companhia, que até então era dirigida quase que integralmente por Turnes. “Geralmente eu que faço a direção artística, mas resolvemos abrir para outras coisas, e nesse trabalho eu entro atuando”, explica Turnes. Outra mudança que marca o projeto de dez anos é a entrada do texto de um autor russo, Ivan Viripaev. “A La Vaca até então tinha um foco no texto contemporâneo latino-americano e direção do Renato, e agora com essa proposta também trabalhamos com o texto contemporâneo, porém russo, e olhando para outras coisas”, diz Salvatti.

Para Milena, o projeto chega para fechar um ciclo. “Queremos começar outro, e surgiu a ideia de um projeto de dez anos, um bom momento para representar uma ruptura. Há tempos conversávamos sobre isso, e acabou que o universo conspirou com esse contato do Fábio com a gente há dois anos, o edital Elisabete Anderle e a oportunidade de trabalhar com esses atores, o que era um desejo antigo”, diz a atriz.

A companhia de artes de cênicas nasceu com a montagem de “Mi Muñequita”, estreia brasileira do texto do dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón. Nos anos seguintes, a companhia seguiu um caminho de desenvolvimento de seu trabalho, fruto das parcerias estabelecidas com artistas da nova cena teatral latino-americana, especialmente criadores uruguaios. Seguiu-se a montagem de “Kassandra”, de Sergio Blanco, por seis anos, e “UZ”, outro texto de Calderón, há quatro anos. Além destes, a companhia desenvolveu projetos diversos, que vão desde experiências autorais em gêneros cômicos a intervenções urbanas, estabelecendo relações criativas e profissionais com artistas de outros coletivos.

Refletidos na obra

A montagem de “Ilusões” representa uma mudança de rota em termos dramatúrgicos e também de vida para os dois atores. “A intenção é se renovar, e as coisas têm caminhado como um processo de reflexão nosso sobre a nossa própria história, então quando nos unimos a outros artistas diferentes dos últimos dez anos, a gente se vê refletido nesse processo, olhando para si mesmo, se autoavaliando o tempo todo. A gente se propõe a novidade, rompe com as coisas boas que já se passaram”, acredita Turnes.

Em um momento em que o setor cultural enfrenta dificuldades, poucos grupos resistem na cena como o La Vaca. “É bacana celebrar e comemorar, estamos fora do eixo Rio-SP e mesmo assim conseguimos dar visibilidade para a produção daqui, ir a festivais, e circular por vários lugares”, reflete Milena, afirmando que em uma década de trabalho o grupo não deixou de trabalhar em nenhum ano.

Salvatti, que também é professor do curso de artes cênicas da UFSC, afirma que uma das características que o fez procurar o La Vaca foi a longevidade dos espetáculos. “A manutenção em repertório, fazê-lo render, até porque tem um amadurecimento dos trabalhos ao longo do tempo que é muito importante”, coloca.

Temas relacionados 

A nova peça do grupo conta a história de dois velhos casais - porém sem os personagens, apenas por contação da história. Salvatti diz que temas como amor, memória e permanência são tratados por meio da articulação dos casais. “Vai do drama mais profundo à comedia mais engraçada”, antecipa o diretor.

De forma metafórica, Turnes vê no texto uma maneira também de falar da trajetória da companhia. “Muitos momentos que eu estou falando o texto, eu estabeleço essa analogia, sobre estar aqui nesse momento. A La Vaca tem sido tudo, porque tem sido como eu comecei a dirigir, como começamos a se afirmar na região, e como fomos criados como artistas no contexto da companhia apesar dos trabalhos fora. Hoje chegamos num lugar que é nosso, de onde as pessoas nos conhecem nele e nós nos reconhecemos como uma coisa que é nossa, construída pela gente e por nossos parceiros”, acrescenta ele.

Serviço

O quê: “Ilusões”,  de Ivan Viripaev
Quando: de 11 a 13/5 e de 24 a 27/5, 20h
Onde: Teatro do Sesc Prainha, travessa Siryaco Atherino, 100, Centro, Florianópolis
Quanto: gratuito com ingressos distribuídos no local a partir das 19h.

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