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Companhia de Deborah Colker volta a SC com o espetáculo “Cão Sem Plumas”

Espetáculo de dança é baseado em poema de João Cabral de Melo Neto

Da Redação/ND
Florianópolis
19/10/2017 às 22H39
Trabalho também flerta o mangue beat e o próprio mangue aparece em cena, com bailarinos que evocam os caranguejos - Divulgação/ND
Trabalho também flerta o mangue beat e o próprio mangue aparece em cena, com bailarinos que evocam os caranguejos - Divulgação/ND


A Companhia de dança Deborah Colker faz turnê em Santa Catarina com seu novo espetáculo “Cão Sem Plumas”. Baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), é o primeiro trabalho da coreógrafa com temática explicitamente brasileira. Além de Florianópolis, no Teatro Ademir Rosa, do CIC, com duas apresentações no sábado e domingo, a obra também passa por Jaraguá do Sul, no Grande Teatro da SCAR, no dia 24 de outubro, e em Blumenau, no Teatro Carlos Gomes, no dia 26 de outubro. O espetáculo abriu o último Festival de Dança de Joinville.

Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de “força invencível e anônima”. A imagem do “cão sem plumas” serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno.

“O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida”, diz Deborah. A dança se mistura com o cinema. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis (diretor de longas-metragens como “Amarelo Manga” e “Febre do Rato”) são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em 2016, quando a coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife.

A jornada também foi documentada pelo fotógrafo Cafi, nascido em Pernambuco. Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, “Vulcão” (1994). Os figurinos são de Claudia Kopke. A direção executiva é de João Elias, fundador da companhia.

Os bailarinos se cobrem de lama, como nas paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro (1908-1973), das obras “Geografia da fome” e “Homens e caranguejos”, e do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), nome do mangue beat. O movimento mesclava regional e universal, tradição e tecnologia. Como Deborah faz. “Cabem a elegância do clássico, a lama das raízes e o olhar contemporâneo. O nome disso é João Cabral”, diz ela..

Serviço:

O quê: “Cão Sem Plumas”, da Companhia de dança Deborah Colker
Quando: 21/10, 21h, 22/10, 19h
Onde: Teatro Ademir Rosa, CIC, av. Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis
Quanto: R$ 140/ R$ 70 (meia)

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