Publicidade
Domingo, 23 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 18º C

Companhia de dança contemporânea Deborah Colker apresenta espetáculo “VeRo” em Florianópolis

Em entrevista, coreógrafa e bailarina carioca fala sobre trajetória e espetáculos da companhia que ajudou a difundir a dança contemporânea no Brasil

Marciano Diogo
Florianópolis
Divulgação/ND
"VeRo" traz 17 bailarinos para o palco do Teatro Ademir Rosa, em Florianópolis


Em 1994, a coreógrafa carioca Deborah Colker, 55, fundava sua companhia e dava um salto importante para consolidação da dança contemporânea no Brasil. Após 11 espetáculos e turnês por países da Europa, Ásia, Oceania e América Latina e do Norte, a companhia de dança da coreógrafa segue apresentando trabalhos reconhecidos pela potência e inquietação. Neste fim de semana, os catarinenses podem assistir a um desses trabalhos: inspirado nos Jogos Olímpicos 2016, o espetáculo “VeRo” é apresentado em Florianópolis no sábado e domingo. A obra é resultado da união de “Velox” (1995) e “Rota” (1997), montagens da companhia que trabalham com movimentos artísticos que remetem à prática esportiva como veículo para a liberdade expressiva. Com movimentos do balé clássico e da dança contemporânea, “VeRo” propõe a integração dos bailarinos com o espaço cênico, como com uma parede móvel de sete metros onde é dançado um balé aéreo e uma roda de cinco metros de diâmetro que toma conta do palco. Em entrevista para o Plural, Deborah Colker fala sobre o espetáculo e a trajetória de sua companhia:

“VeRo” faz de que maneira alusão às práticas esportivas? Como foi o trabalho de sintetizar dois espetáculos em um?

“VeRo” é um sonho antigo. Um sonho de unir dois dos espetáculos mais dançados da companhia pelo mundo afora, são os dois espetáculos mais potentes da companhia em termos de conceito de investigação do movimento dos passos. “VeRo” é um nome que faz alusão a palavra verdade, a verdade absoluta. Em “Velox” temos uma parede em vertical, como se fosse uma parede de alpinismo, no espetáculo dançamos uma coreografia chamada “jogo”, que faz a leitura de movimentos de jogos que envolvem bolas. O atletismo e a vibração das torcidas também estão representados na montagem, é um espetáculo que traz o mundo dos esportes para dialogar com a dança. Já “Roda” une o mundo clássico ao contemporâneo, através da música e da dança, é um espetáculo que traz a poesia do movimento do balé clássico explorando conceitos da dança contemporânea, como volume e geometria. Unir os dois espetáculos foi desafiador, requer bastante exigência técnica dos 17 bailarinos presentes no palco. 

A companhia é reconhecida internacionalmente pelo complexo trabalho de corpo que envolve seus espetáculos. Como é o treino dos bailarinos?

São treinos diários, cerca de oito horas por dia. Temos aula de balé clássico e dança contemporânea, para que o corpo esteja preparado para os espetáculos, que requerem uma exigência muscular grande. Atualmente estamos com uma formação muito interessante na companhia, temos uma equipe clássica e outra mais contemporânea, dançarinos que fazem danças urbanas, além de um bailarino de circo e outro de danças africanas.

A companhia tem 22 anos de existência, 11 espetáculos na bagagem e diversas turnês internacionais. Destaca quais fatos na trajetória do grupo como marcantes para evolução da companhia?

Em 1996, conquistamos a sede própria, fundamental para concretização de projetos. Em 2001, ganhei um prêmio internacional de melhor coreografia em Londres, o Laurence Olivier Award, é como o “Oscar” das artes, que foi um marco para reconhecimento do trabalho da companhia. Em 2009, dirigi um espetáculo para o Cirque Du Soleil, o “Ovo”, e foi uma experiência marcante, de muito aprendizado. Recentemente, em 2014, também remontei o espetáculo “Nó” para uma companhia de balé da Alemanha, o Ballet de l’Opéra National du Rhin, considero um marco para minha carreira.

Como está sendo o trabalho como diretora de movimento do espetáculo da cerimônia de abertura das Olimpíadas 2016?

Não posso adiantar muito, somente que teremos momentos lindos e emocionantes. O público vai reconhecer minha assinatura. Estou trabalhando com dezenas de bailarinos, 100 profissionais e 3.000 voluntários.

A companhia irá estrear algum espetáculo em 2017?

Sim, já estamos montando há cerca de um ano um espetáculo adaptado do poema “Cão Sem Plumas”, de João Cabral de Melo Neto, que deve estrear no primeiro semestre do ano que vem. É um poema que retrata a degradação de um dos rios mais importantes da cidade de Recife, o rio Capibaribe.

O quê: Espetáculo “VeRo”
Quando: 18 e 19/6, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa, Centro Integrado de Cultura, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis, tel. 48 36642555
Quanto: R$ 120/R$ 60 (meia)

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade