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Com estúdio de dança em SP, Graziela Meyer ensina pole dance como método de autoaceitação

A catarinense, idealizadora do coletivo "Maravilhosas Corpo de Baile", utiliza a dança na busca pela sensualidade e evolução da autoestima

Gustavo Bruning
Florianópolis
01/09/2017 às 18H15

De cabeça para baixo ou girando ao redor da barra de ferro, a florianopolitana agora radicada em São Paulo Graziela Meyer, de 38 anos, conta que os movimentos que realiza no pole dance vão além de técnicas ensaiadas e exercícios corporais. Com mais de duas décadas de experiência no teatro, a professora de dança vê a prática como uma união entre a autoaceitação do corpo, a busca pela sensualidade e a evolução da autoestima. “Quando eu danço eu falo sobre mim. Hoje, através do pole, vejo que me comunico muito melhor do que me comunicava através do teatro”, afirma.

Atriz e professora de dança Graziela se mudou para SP, onde criou o coletivo de dança de mulheres sem estereótipos - Cristiana Engelmann/Divulgação/ND
Atriz e professora de dança Graziela se mudou para SP, onde criou o coletivo de dança de mulheres sem estereótipos - Cristiana Engelmann/Divulgação/ND


Foi através do pole dance que Graziela também absorveu o feminismo. Ela é a idealizadora do projeto Maravilhosas Corpo de Baile - Ame seu Corpo Dançando, escola e coletivo de mulheres sediado em São Paulo que trabalha a dança e relação amorosa e leve com o corpo. “É muito legal eu, como mulher, entender que meu corpo pode celebrar a sexualidade e mostrar todas as coisas bonitas que posso fazer”, revela. Para Graziela, a mulher é colocada socialmente de uma forma que o seu corpo serve, essencialmente, como objeto de desejo dos outros. Por causa disso, acredita que muitos profissionais tentam afastar o pole dance de seu aspecto sensual e dos cenários que o popularizaram, associando-o ao lado fitness.

“É uma prática muito completa, que vai desde o fortalecimento muscular à consciência corporal”, explica a catarinense. O primeiro contato da professora com a técnica ocorreu em 2015, quando uma amiga sugeriu que ela participasse de uma aula. “Eu sempre me interessei por formas de movimentar o corpo e estava vivendo uma fase muito atleta. Eu fazia musculação, corria, pedalava e nadava, além de fazer balé”, relembra.

Após fazer a primeira aula em Curitiba, onde foi tocar como DJ, chegou a dançar três vezes por semana em Florianópolis. “Não comecei a fazer [a dança] para seduzir outras pessoas, e sim para me sentir confortável comigo mesma”, afirma. Depois de três meses, instalou uma barra de ferro em casa e passou a treinar no tempo livre. No entanto, não recomenda que iniciantes pratiquem a atividade sem orientação.

Para Graziela, as duas décadas de teatro e a consciência corporal que ganhou por meio do esporte foram fundamentais para o aperfeiçoamento. “Tudo que faço hoje na dança e no pole vem do teatro”, analisa. A professora, que estreou nos palcos em 1995, estudou artes cênicas no Rio de Janeiro, mas não chegou a se formar. Nas décadas seguintes, participou de diversos cursos e workshops na área.

Entre as práticas que originaram o pole dance está o mallakhamb, um tipo de ginástica indiana em que os praticantes realizavam acrobacias em um mastro. Elementos de yoga também foram incorporados e, segundo Graziela, a influência dos movimentos circenses foi fundamental para a popularização. “O público começou a gostar e isso evoluiu para as barras de ferro das boates, nos anos 1940 e 1950”, explica. Foi nos anos 2000, no entanto, que o aspecto fitness foi reforçado. “As mulheres não queriam ser vistas como strippers, e até hoje tem muitos lugares por aí que investem apenas nessa abordagem”, diz.

União na dança

Enquanto aperfeiçoava o talento em outras danças, como chair dance e stiletto, em São Paulo, Graziela ouviu de amigas que deveria compartilhar o talento na barra de ferro. “Eu fechei três turmas com 15 alunas e comecei a dar workshops de pole dance. Eles acabaram virando turmas de dança regular e eu também passei a dar aula na minha casa, para amigas”, conta.

Graziela (à frente) com o Maravilhosas Corpo de Baile - Ariel Martini/Divulgação/ND
Graziela (à frente) com o Maravilhosas Corpo de Baile - Ariel Martini/Divulgação/ND


Em 2016 ela criou o Maravilhosas Corpo de Baile, e, em maio de 2017, inaugurou a sede do coletivo. Ao lado de uma sócia e outra professora, oferece aulas de dança afro, flexibilidade, pole dance e dança no salto. O estúdio tem 60 alunos, com idades entre 17 e 45 anos. Para as mais novas, aconselha, o ideal é trabalhar a autoestima. “Precisamos entender o nosso corpo, pois ele é a nossa história. As fotos a gente perde, mas cada momento que vivemos fica registrado no nosso corpo”, garante.

A sororidade, termo em alta no feminismo, também é presente no grupo. “Tem gente que diz que em lugares cheios de mulheres há muita competição, mas eu sempre encontrei espaços que recebem bem e incentivam o pessoal. É em lugares assim que você se depara com corpos que não vê nas revistas e começa a aceitar o próprio corpo”, diz. Fora do estúdio, o projeto tem parceria com o coletivo Pilantragi, que participa de blocos de carnaval, ocupações e festas em São Paulo. Mesmo com o sucesso do estúdio, Graziela não abandonou a capital catarinense – ela costuma visitar a família uma vez por mês. “Quero consolidar o estúdio em São Paulo e, quem sabe, espalhar o Maravilhosas pelo mundo”, conta.

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