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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Designers de joias, semijoias e bijuterias de Florianópolis e região fazem sucesso país afora

O ramo ganhou força nos últimos dez anos e virou o sustento de muitas catarinenses

Karin Barros
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Ourives há 12 anos, Fabi Jorge tem representante até em Los Angeles

Anéis, pulseiras, colares, brincos, chokers (coleiras) e bodies chains super elaborados e atuais são adquiridos diariamente pelas consumidoras em Florianópolis, e o melhor disso: tudo pode ser encontrado nas lojas confeccionados por mãos catarinenses. Joias, semijoias ou bijoux de luxo são produzidas há pelo menos dez anos com exclusividade por designers da Grande Florianópolis.

O ramo ganhou força na região e atualmente nomes como Lize, Mariana Amaral, Gabriela Faraco, Mariah Sá, Elisa Facchiolla e Fabi Jorge fazem sucesso entre as mulheres loucas por acessórios. No caso da Lize, marca da florianopolitana Andrelize Pereira, em 2015 toda a empresa quadruplicou. “Este ano, eu não posso reclamar de crise”, disse ela que está em viagem a trabalho por Barcelona (Espanha), Paris (França) e Berlim (Alemanha). Andrelize é uma das designers que traz de fora inspiração para suas semijoias, e da Capital leva para todo o país sua arte.

A marca Mariah Sá, homônima ao nome da empresária, é outro exemplo de persistência no ramo das bijuterias. O trabalho, que começou em 2005, traz uma visão eclética, dinâmica, contemporânea e romântica da vida em cada uma de suas criações, como ela descreve.

As bijoux têm mudado a vida dessas catarinenses, que viram no mundo dos acessórios uma forma de ganhar dinheiro e aliar à paixão que sentem por peças delicadas e cheias de requinte. Mariana Amaral, por exemplo, começou a brincar de fazer bijuterias aos 11 anos de idade para ajudar a família, e aos 16 seu trabalho as amigas já faziam encomendas.

Mariana, que hoje tem 25 anos e oito de empresa, é casada, tem uma filha de quatro anos, e suas peças estão espalhadas por todo o Brasil. A relação com os acessórios é tanta que há cinco meses seu marido abriu uma fundição própria para atender de forma mais ágil e inteligente os desejos da empresa de Mariana.

Independência financeira

Andrelize tem 25 anos, e em 2015 lançou sua primeira semijoia com design próprio: um pingente com a ponte Hercílio Luz em homenagem à Capital. A jovem empreendedora deu início à carreira há cinco anos, vendendo semijoias de outras marcas. “Comecei a aprender sobre peças e estilos, mas a marca que eu atendia não supria mais as minhas clientes, e vi ali um ramo a seguir”, conta ela, que deixou os cursos de agronomia e administração para seguir o novo caminho e buscar o seu sustento.

Marley Torquatto/Divulgação/ND
Lize está em Barcelona fazendo as fotos da próxima coleção


Andrelize aumentou rápido o negócio e hoje tem nove revendedoras, dois pontos físicos de vendas e o seu showroom no Kobrasol, que também é ateliê. A nova coleção da jovem é inspirada nas obras de Gaudí, e Andrelize foi até Barcelona fotografar as peças e buscar inspirações para formas, cores e geometrias.

O processo da sua marca não tem linha de montagem. Todo molde é feito na China a partir do que ela idealiza e agora desenha, e no Brasil as peças ganham banho de prata e ouro por conta da qualidade. As peças da marca, que levam rubi indiano, esmeralda bruta, sodalita e turquesa já chegaram a blogueiras famosas como Camila Coutinho, e músicos como Ivete Sangalo, Ludmilla e Roberta Rodrigues, da Melanina Carioca.

Gabriela Faraco, 32, também iniciou no ramo em busca da independência financeira. Com ajuda da mãe, aos 14 anos ela começou a fazer brincos e colares, e vender para as amigas e a família. Após terminar a faculdade de pedagogia, Gabriela alugou uma sala comercial no Centro de Florianópolis e passou a encarar as bijuterias como algo sério. “Em cinco anos de vendas, não dava mais conta das encomendas e precisei expandir e empresa, tornando-a mais profissional, e aí começou a parceria com meu irmão, que é administrador”, relembra.

A jovem também cursou design de joias na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e acredita que o diferencial da sua marca são seus desenhos. “Faço pesquisas, busco inspirações nas minhas viagens e começo a desenhar. Já trabalhamos com coleções, mas analisando o mercado, vimos que nossos clientes procuram novidades todos os dias, então precisamos ter algo novo no site diariamente”, conta.

A marca GF já teve 20 funcionários, mas por conta dos impasses do governo, Gabriela optou por diminuir os contratados e trabalhar com mão de obra de fora. “Consigo ter a mesma quantidade de peças produzindo fora. Vendemos pra todos os Estados e exportamos para o Panamá”, diz, afirmando que também já enviou peças para Miami.

Produção para atacado

Com mais de dez mil peças produzidas por mês, as empresas que Mariana Amaral contratava para fundição não davam conta mais, além da preocupação com o material que era produzido. Foi quando o marido resolveu largar o emprego que tinha para apostar ainda mais no sucesso de Mariana, afinal ele sempre foi o maior incentivador. Há cinco meses ele abriu uma fábrica de fundição para atender a demanda.

Flavio Tin/ND
Mariana começou a fazer bijuterias aos 11 anos


Em seu ateliê no bairro Ipiranga, em São José, Mariana conta com 15 pessoas e 30 terceirizados. Ela até tentou deixar o lado empreendedor de lado, quando começou a trabalhar em uma empresa, mas a paixão pelos acessórios falou mais alto. Envolvida completamente com a produção, a marca trabalha exclusivamente com atacado.

A grife Mariana Amaral destaca-se também pelo que chama de fast fashion, onde toda semana a equipe produz novidades além das coleções primavera/verão e outono/inverno. “Trabalhamos com protótipo, jogo de tentativa e erro, e não com desenho. Jogamos tudo na mesa e vemos o que combina. Surge na hora a ideia”, explica a empresária, que conta com mais uma pessoa para auxiliar na criação.

Sobre a moda, Mariana destaca que no Sul do Brasil e Sudeste as mulheres preferem a cor ônix nas peças, com destaque para o dourado brilhoso no Rio Grande do Sul. Para o verão, Mariana antecipa a cor níquel como destaque, mas ressalta que o dourado tem entrado no mercado e deve ganhar espaço. A marca também investe em blogueiras, uma das melhores formas de divulgação, segundo ela, que já trabalhou com Bianca Petry, do Rio Grande do Sul, e Amanda Sasso, da Capital, por exemplo, e famosas, como Adriana Santana e Carol Saraiva.

Joias sob encomenda

Além das bijoux de luxo, joias e semijoias de Florianópolis são procuradas constantemente pelo público interessado em presentear alguém ou materializar um momento inesquecível. Fabi Jorge, 40, de Porto Alegre, mas morando na Capital há mais de dez anos, trabalha como ourives há 12 e é pela internet que tem suas maiores vendas. “As pessoas buscam meu Instagram, me mandam e-mail, eu passo os dados e mando encomendas por correio. Algumas, mais valiosas, prefiro entregar pessoalmente”, explica Fabi.

A empresária formou-se em psicologia, administração e moda, mas foi na delicadeza das joias que encontrou seu real prazer. Hoje, Fabi não trabalha mais na banca – a parte de produção direta da peça -, mas gosta de ficar com os acabamentos das joias e, principalmente, os desenhos. “Gosto quando as pessoas me procuram para fazer algo exclusivo, para pesquisar sobre ela, saber seus gostos e agradar na peça”, conta ela, e afirma que o curso de moda foi decisivo nesse quesito.

A gaúcha descobriu o talento com as mãos na fábrica de próteses dentárias do pai. Costumava brincar de fazer moldes de metal, já que o pai não deixava usar a prata. Atualmente, Fabi tem dois ateliês, um no Centro e outro em Jurerê, e pontos de vendas num hotel da Capital e em São Paulo. Além disso, Fabi tem uma representante de suas joias em Los Angeles. 

Elisa Fracchiolla também é do ramo das joias personalizadas. Ela combina referências de arte clássica  e suas peças de coleção são inspiradas em viagens de pesquisa pelo mundo e em seu universo particular, enquanto as joias encomendadas são elaboradas sob medida para a necessidade de cada cliente.

Elisa diz que objetos decorativos, reformulação de joias de família, alianças, adornos para noivos e madrinhas estão entre suas especialidades. Brasileira de ascendência italiana, ela trabalha com design de joias e ourivesaria desde 2007, quando teve um sonho e decidiu viajar para Nova York a fim de estudar essa arte. Elisa trabalha sozinha, em seu ateliê na Trindade.

Aperfeiçoamento de requinte

Em Florianópolis, dois cursos de design de joias destacam-se na categoria. Na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o curso é oferecido à comunidade, e parte de R$ 185 o primeiro módulo, sendo que são cinco: Criação e Rendering, Projeto e Mercado, Introdução à Modelagem 3D de Koias, Modelagem 3D Digital de Joias e O Segredo das Belezas das Joias. O curso, que tem vaga para 30 alunos, é coordenado por Cláudia R. Batista, designer graduada pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), mestre e doutora pela UFSC.

Juan Alves também ensina tudo que sabe aos seus alunos. Ourives argentino de 62 anos, veio para o Brasil aos 23 já sabendo o ofício que aprendeu com o pai. “A joalheria é uma profissão que não está extinta, mas é muito antiga. Anteriormente, era passada de pai para filho, porque confeccionar joia não precisa de diploma e idioma, simplesmente se mostrar capaz de fazer”, explicou ele.

Seu projeto em Florianópolis começou em 1984, sendo considerada a primeira escola de ourives do Sul do Brasil, segundo ele, e atende três alunos por turno. Atualmente, Juan tem 21 alunos. “Essa profissão é uma das poucas que vai testar sua paciência, persistência e tolerância. Nós passamos a ver o mundo através de milímetros e décimos”, afirma ele, que tem alunos de 16 a 70 anos de idade.


Onde encontrar

Elisa Fracchiolla: 
Fabi Jorge: 
Gabriela Faraco: 
Lize Acessórios
Mariana Amaral:

Mariah Sá

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