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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Coleção de livros para crianças mostra “princesas” revolucionárias na arte e na vida

Originalmente da Argentina, a coleção Antiprincesas é traduzida pela Sur Livros, de Florianópolis

Karin Barros
Florianópolis
Rosane Lima/ND
Marcelo Duvidovich, da Sur Livros, ressalta a importância de mulheres que ajudaram a melhorar o mundo


O Dia Nacional do Livro Infantil é comemorado nesta segunda-feira, porque foi em 18 de abril que Monteiro Lobato – contista, editor, ensaísta, tradutor e um dos maiores nomes da literatura infantil brasileira – nasceu, em 1882. Há muitos e muitos anos, a literatura infantil, principalmente a que tem origem na Disney, é marcada por livros – e filmes – que contam histórias de princesas de vestido longo, sapatinho de cristal, a vida em um castelo, esperando eternamente pela chegada do príncipe em um cavalo branco. Todo esse contexto lúdico faz parte da educação infantil e da inocência que a sociedade busca preservar nas crianças.

Nada disso está errado, porém uma editora da Argentina, a Chirimbote, achou por bem trazer para os livros infantis histórias de pessoas reais, principalmente mulheres que foram sinônimos de revolução e mudança no país em que nasceram e até no mundo. Com a coleção Antiprincesas, a editora já lançou livros sobre a artista plástica Frida Kahlo, a cantora Violeta Parra e a militar boliviana Juana Azurduy. Para melhorar, por causa da intensa busca dos brasileiros pelas obras, elas estão sendo transpostas desde o final de 2015 para o português pela editora Sur Livros, de Florianópolis, especializada em tradução para o espanhol e distribuição de livros da América Latina.

O trabalho da Chirimbote foi feito pela autora Nadia Fink, pelo ilustrador Pitu Saá e pelo designer Martín Aczurra. A editora já anunciou que o quarto livro da coleção vai ser sobre uma antiprincesa brasileira, a escritora Clarice Lispector. Porém, diferente do Brasil, onde é livre a publicação de biografias não autorizadas, na Argentina a Chirimbote enfrenta dificuldades com a família de Lispector, e por isso adiou a publicação. Aqui, “Clarice” está em fase de tradução, e deve ser lançada no começo do segundo semestre deste ano, provavelmente antes da Chirimbote.

Em Florianópolis, o primeiro livro lançado pela Sur foi sobre Frida Kahlo. Traduzido por Sieni Maria Campos, estudante da UFSC, o livro já entrou para a história da editora como uma dos maiores sucessos de vendas. Em sua segunda edição, a publicação passou de 5.000 exemplares vendidos em três meses, e já tem previsão para uma terceira tiragem. “A questão de envolver os pais com a leitura encaixou muito bem com a história da Frida. É a oportunidade deles mostrarem uma história real para os seus filhos com um tom mais leve, e levantando questões de gênero e outras diferenças”, explica Marcelo Duvidovich, argentino morador da Capital há 40 anos e proprietário da editora.

Duvidovich diz que os autores desta coleção demonstram uma preocupação referente ao acesso que as pessoas possam ter a um mundo diferente. “Talvez muitas crianças não tenham ideia do que é ditadura, revolução, surrealismo, e o livro traz essas questões”, conta ele sobre o modo como é escrito o conto antiprincesa.

A ideia da editora argentina não é que as crianças deixem de gostar de princesas, mas sim aproximá-las de outros relatos, para que conheçam a vida de mulheres reais que tiveram importância histórica. “São mulheres que tiveram um papel diferente. São ativas, e não passivas como as de contos de fada. As princesas são o ganho que o príncipe vai ter depois de ‘enfrentar o dragão’. Essas mulheres latinas são o contrário, salvariam o príncipe e muito mais, se pudessem”, salienta o editor da Sur.

Trabalho focado nas escolas

No último sábado, foi lançada a versão brasileira da coleção para a antiprincesa Violeta Parra, cantora chilena nômade e revolucionária que procurou nos vilarejos perdidos as canções que não chegavam a outros lugares. Para o editor Marcelo Duvidovich, é provável que o livro não venda tanto quanto a história de Frida, porque a cantora é menos conhecida, porém a história é importante e deve ser disseminada.

Depois do sucesso da coleção Antiprincesas, a editora argentina foi cobrada pelo público: onde estão os homens que fizeram história? Foi então lançada a coleção Antiherois, que estreou com Julio Cortázar, escritor argentino. Por enquanto, tanto a história de Cortázar quanto a de Juana Azurduy não foram traduzidas, mas podem ser adquiridas no Brasil. Segundo Duvidovich, o próximo lançamento da coleção Antiheroi deve ser um livro sobre o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Na Sur, com o livro sobre a escritora Clarice Lispector, a ideia é focar nas escolas. “O livro tem atividades para trabalhar pensados para a escola, com detalhes, como por exemplo uma imagem de Frida depois de sofrer um acidente, com aparência terrível, e que o autor apresentou de forma menos triste e mais lúdica. Tem linguagem adequada para crianças e conteúdo que pode ser trabalhado um semestre inteiro, em diversas matérias”, diz o editor.

Duvidovich conta que a tradutora Sieni Campos se divertiu muito com a história de Violeta Parra. “Teve uma discussão sobre uma arvore típica do Chile, que não tem similar aqui. Ela fez diversas pesquisas e achou por bem colocar um pé de pitanga, porque é algo ligado à infância, que as crianças reconheceriam facilmente, e eu achei fantástico”, ressalta ele.

Os livros podem ser encontrados na Grande Florianópolis nas livrarias:

Cultura
Saraiva
Catarinense
Nobel
Mercado São Jorge

"Frida Kahlo, Coleção Antiprincesas". De: Nádia Fink. Editora Chirimbote. Tradução: Sur Livros. R$ 25.
"Violeta Parra, Coleção Antiprincesas". De: Nádia Fink. Editora Chirimbote. Tradução: Sur Livros. R$ 25.

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