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Circo Teatro Biriba, o mais atuante do Estado, retorna a Palhoça depois de 33 anos

A companhia circense tem 47 anos de história e está já teve quatro palhaços, contado com o atual, o Birita

Karin Barros
Florianópolis
31/03/2017 às 13H25
César Passos Rosa, que interpreta o palhaço Birita - Flavio Tin/ND
César Passos Rosa, que interpreta o palhaço Birita - Flavio Tin/ND


Há pelos 33 anos o público de Palhoça não recebia as apresentações teatrais do Circo Teatro Biriba. A lacuna vai ser desfeita nesta sexta-feira, com estreia às 20h30, no Pagani, com temporada prevista para quatro semanas. Com 47 anos de história no país, o circo já teve quatro “Biribas”. O primeiro foi o seu fundador, Geraldo Passos, que aos 35 anos de idade decidiu apostar na vida de ator em um palco italiano sob uma grande lona. 

A estreia aconteceu na cidade de Tangará, no Meio-Oeste catarinense. Geraldo fez sucesso como Biriba por 21 anos. Depois de adoecer e morrer, quem passou a interpretar o palhaço que dá nome ao circo foi o filho, Geraldo Santos, hoje conhecido também como Biriba. Em seguida, com a saída do filho para a criação do próprio teatro, quem passou a levar a alegria ao público foi o neto mais velho de Geraldo Passos, Franco Adriano, chamado de Biribinha. 

Por 24 anos interpretando um personagem que passou por diversas cidades do país, também chegou a hora de Franco seguir seu caminho e dar a vez para César Augusto Passos Rosa, 38, que há dois anos é o palhaço Birita, e o rosto principal da companhia. “É uma responsabilidade gostosa, a gente tem que enfrentar os desafios, assim como o meu avô enfrentou quando começou a fazer esse personagem. Era uma época em que as companhias não estavam conseguindo se manter, e ele venceu apesar de muitos obstáculos, como o preconceito racial e o social em relação aos artistas”, coloca César. 

O sobrinho de Birita, de 18 anos, já faz parte da trupe e é a possível substituição de Birita, mesmo sem saber quando irá parar. Depois dele, o filho Lorenzo, de dois anos deve entrar na fila. Com isso, o Circo Teatro Biriba entra na sua quarta geração de continuidade. 

Repertório vasto 

A atriz Janaína Passos Rosa, 38, neta do palhaço Biriba e que cresceu dentro da tenda, afirma que as mudanças de “Biribas” nunca são fáceis. “A imagem dele era muito forte pelas cidades onde a gente andava, tivemos que ir passando por locais onde ele era menos conhecido para dar força de novo ao personagem, e mostrar que o lugar do Biriba não estava sendo tomado, apenas continuado”, lembra. César afirma que o fato do avô ser negro e o tio mais claro causavam dificuldade no reconhecimento do personagem para o público, mesmo estando com as mesmas roupas e maquiagem. 

Atualmente, o circo trabalha com três “Biribas”, sendo o Birita itinerante no Estado com o circo, e o Biriba e o Biribinha fazendo trabalhos mais corporativos em festas particulares. Quase cinco décadas depois da fundação, 22 pessoas compõem a companhia, sendo 15 adultos e sete crianças. Depois da família Passos, que cresceu dentro do circo, o funcionário mais antigo tem 24 anos de estrada com o grupo. A última temporada deles foi na cidade de Garopaba, entre dezembro e março deste ano. 

No repertório, a companhia circense tem 70 peças, entre drama, comédia e contos infantis, e mais de 150 esquetes de humor. Todas são adaptáveis ao improviso, à cidade e ao público. Em Palhoça, o grupo estreia com a peça “E o Birita apareceu”, que tem em média 1h30 de duração, mas outras 24 serão apresentadas entre quarta e segunda-feira. 

César Passos Rosa - Flavio Tin/ND
César diz que o avô sofreu preconceito racial e social quando criou o circo, na década de 1970 - Flavio Tin/ND


Condições favoráveis 

Para seguir para o próximo destino, a atriz Janaína, explica que é necessário quase um mês de preparação. Nesse meio tempo, o grupo precisa encontrar um terreno, conseguir as autorizações e analisar as condições para a trupe permanecer na cidade. As crianças são matriculadas nas escolas da redondeza, e, no caso de Palhoça, estão estudando numa escola do município após acordo com a secretaria. 

Com a trupe, viajam dez carretas, sendo que seis funcionam como casa e quatro são de estrutura e lona. Porém, não foi sempre assim. Apenas desde 1995 que o Circo Teatro Biriba trabalha com o uso de lona. Geraldo Passos, quando iniciou no circo, era a fase dos pavilhões de madeira, e eles eram todos montados e desmontados cada vez que o teatro ia para uma cidade.

O teatro em números 

1970 é o ano de fundação
350 pessoas é a capacidade de público
10 é número de carretas para as turnês
22 é o número de integrantes da companhia
150 é o número de esquetes
70 é o número de peças
1 mês é o tempo necessário para mudar de cidade

Serviço

O quê: “E o Birita apareceu”
Quando: de 31/3 a 30/4, de quarta a segunda-feira, às 20h30
Onde: Circo Teatro Biriba, av. Atílio Pagani - em frente de escolinha da Futebol Bola da Vez, Palhoça
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Saiba mais: www.teatrobiriba.com.br

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