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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Cíntia Domit Bittar dá mais um passo com curta pós-"Qual Queijo Você Quer"

"O Tempo que Leva", com Mayana Neiva e Ivo Müller, teve gravações em diversas locações em Florianópolis e deve ser finalizado em fevereiro

Carolina Moura
Florianópolis
Divulgação
Atriz Mayana Neiva faz a protagonista, uma mulher que no suposto último dia do mundo tem como preocupação consertar seu ventilador

 

Depois de quatro dias seguidos de filmagem, desde a última quinta-feira, Cíntia Domit Bittar não tem descanso. Nesta segunda (21) ela vai direto para a ilha editar o seu segundo curta-metragem desde a faculdade, “O Tempo que Leva”, sucessor do premiadíssimo “Qual Queijo Você Quer”. O filme, produzido de forma totalmente independente pela Novelo Filmes, deve ser finalizado ainda em fevereiro, a tempo para as inscrições dos principais festivais internacionais.

No último sábado, quem transitava pelo Centro de Florianópolis pôde ter um gostinho do curta. A rua Ilhéus foi fechada para gravar uma cena em que a protagonista, Jamila, interpretada pela atriz Mayana Neiva, caminha pela rua em uma cidade deserta. O lixo espalhado, uma máquina de lavar caída, carros abandonados e os cartazes que dizem “ainda há tempo de arrepender-se” compõem o cenário do filme, que se passa no último dia antes de um suposto fim do mundo. “Esse roteiro na verdade é uma mistura de várias ideias isoladas que eu tinha. A mais antiga é de quatro anos atrás, mas faltava um enredo”, diz Cíntia.

Quando as ideias finalmente se transformaram em roteiro, Cíntia convidou o elenco, escolhido a dedo. “Eu fiquei muito feliz. O roteiro dizia tudo que eu queria dizer como artista. A Jamila é uma personagem muito diferente de tudo que já fiz”, diz Mayana. O ator catarinense Ivo Müller, que hoje mora em São Paulo e voltou à cidade natal para as gravações, teve a mesma reação. “Foi um roteiro que me surpreendeu. E isso é uma das coisas importantes em um filme”, diz. Seu personagem, Marcos, é o técnico eletricista que Jamila conhece quando leva seu ventilador pra consertar, frustrada com o calor e as oscilações de energia elétrica que anunciam o fim do mundo e queimam seus aparelhos elétricos.

“Eu queria trabalhar o elemento do calor, uma sensação incômoda. E um mundo onde as coisas param de funcionar”, diz a diretora. Jamila é uma mulher que, mesmo com o fim do mundo iminente, está preocupada apenas em consertar seu ventilador – que é como um fio de esperança no calor infernal que se encontra a cidade. “Ela é um tipo de pessoa persistente, otimista. Que é a posição que a gente tem que ter como cineasta”, diz Cíntia. Seu maior orgulho é o fato de que “O Tempo que Leva” é feito sem o patrocínio de nenhuma empresa ou edital, totalmente financiado pelos prêmios que o “Queijo” angariou em festivais. “Conseguimos com os nossos recursos fazer o filme e mostrar um modelo sustentável para o cinema no Brasil.”

Parcerias duradouras

O que Cíntia faz questão de destacar é que “O Tempo que Leva” é, antes de mais nada, uma ação entre amigos. A equipe une integrantes da Novelo Filmes e outros profissionais que também já foram parceiros em projetos anteriores. “Este filme dá a oportunidade para que cada departamento apareça. Fundamentalmente, esse é um filme de equipe”, diz ela. A direção de arte, por exemplo, teve grande espaço de criação para o cenário de fim de mundo, e também trabalhou com toda uma paleta de cores que reflete o calor da cena. Para Cíntia, como diretora, também foi um novo desafio. Diferente de “Queijo”, gravado em um dia dentro de um apartamento”, “O Tempo que Leva” tem diversas locações e mais tempo de trabalho. “Eu consegui escolher onde colocar a câmera em cada cena, para contar a história da melhor forma possível. Isso que é direção para mim.”

Essa atmosfera colaborativa é sentida por todos, inclusive no elenco. “Quando é feito com amor, você sente que isso é parte da vida dessas pessoas. É muito diferente de um sistema industrial”, diz Mayana Neiva, que trabalha na televisão, no cinema nacional e teatro. Essa forma de trabalhar é favorável para que surjam parcerias que continuam, como foi com os atores Henrique César e Amélia Bittencourt, que protagonizam o “Queijo” e agora fazem uma ponta no novo curta, como o casal dono do bar onde Jamila para para tomar um suco. Até Cíntia aparece brevemente no elenco, como uma jornalista que dá notícias sobre o fim do mundo na televisão.

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