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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Cinemas da Grande Florianópolis responsabilizam distribuidoras pela falta de filmes legendados

A Disney Filmes, distribuidora de "Procurando Dory", diz que exibir as versões dublada ou legendada são opções do exibidor

Karin Barros
Florianópolis

Após o caso de Danielle Kraus Machado, uma jovem surda moradora de São José, que não conseguiu assistir a dois filmes de animação na rede Cinépolis no domingo (24), por eles terem apenas a versão dublada, a situação da acessibilidade nos cinemas da Grande Florianópolis ganhou repercussão. Conforme as programações divulgadas pelos cinemas da Grande Florianópolis se percebe que a maioria dos filmes, especialmente os destinados às crianças e adolescentes, têm apenas versão dublada. As versões legendadas existem, mas são em poucos horários. 

A Disney Filmes, distribuidora do filme “Procurando Dory”, afirmou que no Brasil é desproporcional a procura por filmes dublados, principalmente os destinados ao público infantil. Para eles, que têm interesse em transformar os filmes de animação para todas as idades, não é vantajoso que passem apenas nas versões dubladas, porém isso é uma opção do exibidor (a rede de cinema). 

 

Facebook/Reprodução/ND
Danielle tem deficiência auditiva nos dois ouvidos

 


Os cinemas da Grande Florianópolis foram procurados para falarem sobre a opção de, muitas vezes, passarem os filmes infantis apenas dublados. O Cinespaço, localizado no Shopping Beiramar, afirmou que nas duas primeiras semanas de “Procurando Dory” ofereceu versão legendada, mas depois, com a redução da procura, ela foi retirada e mantida apenas a dublada. Eles também afirmam que recebem da distribuidora os filmes a partir de uma análise de mercado, por isso, nem sempre existe a versão legendada nas salas.

O Cinépolis, no Continente Park, onde ocorreu a polêmica com a jovem surda, afirma que está ciente do caso, porém ainda não recebeu nenhum comunicado de Danielle quanto ao processo. Segundo o advogado da empresa, Rodrigo Lamonato, a escolha de legendados e dublados envolve toda a cadeia do cinema, que começa pela produção, passa pela distribuição e chega finalmente ao exibidor. Lamonato também afirma que não é de responsabilidade da rede a escolha por legendado ou dublado, mas sim da distribuidora.

A rede Cinépolis também diz que está ciente da nova regra da Ancine (confira abaixo), e aguarda a finalização da consulta pública. As redes Arcoplex, do Shopping Itaguaçu e ViaCatarina, e Cinemark, do Floripa Shopping, não foram encontradas para falar sobre o assunto.

O escritório da Disney Filmes em São Paulo nega que a razão dos filmes legendados terem poucos horários seja deles. Segundo a distribuidora, eles entregam as duas versões, e é raríssimo não ter uma cópia legendada. A 20th Century Fox, distribuidora de “A Era do Gelo”, não atendeu às ligações do jornal.

Paulo Pereira, diretor comercial da rede Cinépolis, disse que concorda e é solidário à acessibilidade dos cinemas, e informa que a rede está testando tecnologias: 

“Até o momento já testamos três tecnologias internacionais que permitem a adequação buscada e em breve teremos o teste de uma 4ª tecnologia, sendo esta nacional. Uma das sessões de testes já realizada ocorreu no nosso cinema do Shopping Iguatemi JK em São Paulo, com a exibição aberta ao público do filme ‘Reza a Lenda’. 

 Desde o final de 2015 houve a majoritária digitalização do parque exibidor brasileiro pelas principais empresas do ramo, o que permitirá em breve a adoção das tecnologias de acessibilidade. Ainda assim, hoje muitos cinemas do Brasil ainda não detém estes meios.

 A adoção destas medidas e tecnologias necessita também de padronizações que são determinadas pelas autoridades competentes. Estas questões ainda são objeto de consulta pública dado que o tema abrange produtores, distribuidores e exibidores, e que a acessibilidade já deve esta contida no formato DCP (Digital Cinema Package) desde sua matriz.

 Assim, esta adequação não pode ser feita pelos exibidores (cinemas), isoladamente, sendo estes o último elo da cadeia. Este fato fica evidenciado pela ação movida pelo MPF em São Paulo em face das distribuidoras e Ancine”.  

 

Legislação 

Está na legislação que a pessoa com deficiência tem direito “à cultura, esporte, turismo e lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, sendo-lhe garantido o acesso a bens culturais, programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades culturais e desportivas”. Existe também uma instrução normativa da Ancine (Agência Nacional de Cinema) que pede que filmes financiados com recursos públicos federais geridos pela agência devam contemplar nos seus orçamentos serviços de legendagem descritiva, audiodescrição e Libras (Língua Brasileira de Sinais). A instrução é do dia 18 de dezembro de 2014, tem carência de dois anos, e contém uma consulta pública aberta até o dia 1º de agosto de 2016 para encontrar os padrões dessas legendas. Feito isso, as distribuidoras terão seis meses para se regularizarem.

 

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