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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Cineasta Cláudio Assis estará nesta quarta na Capital para exibição do premiado “Febre do Rato"

Anarquista e defensor do cinema de arte, pernambucano falou ao Notícias do Dia sobre seu último longa e do mundo dominado pelos "caretas"

Carol Macário
Florianópolis
Divulgação / ND 
O ator Matheus Nachtergaele está no elenco de "Febre do Rato"

“Quem manda no mundo são os caretas”, indignou-se, terça (19), Cláudio Assis, 52, o cineasta pernambucano defensor da arte contestatória, um anarquista à moda antiga. Por telefone, ele maldizia gargalhando alto os caretas e acomodados, enquanto pagava a conta num bar do aeroporto Santos Dumont, no Rio de janeiro, prestes a embarcar para São Paulo, e falava com a reportagem do Notícias do Dia pelo celular.

Ele chegou quarta (20) a Florianópolis para a exibição do premiado “Febre do Rato” (2011), seu último longa-metragem, na mostra não competitiva de longas do FAM 2012 (Florianópolis Audiovisual Mercosul), que ocorre até a próxima sexta (22) no Centro de Cultura e Eventos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Assis também dirigiu “Amarelo Manga” (2003) e Baixio das Bestas (2006).

Com a habitual subversão da linguagem cinematográfica de Assis, “Febre do Rato” foi rodado em preto e branco em 35 milímetros. Aparado num discurso poético e libertário, conta a história de Zizo, um poeta inconformado e anarquista. Expressão popular no Nordeste, “febre de rato” significa aquele que está fora de controle e é o nome do tablóide publicado pelo personagem.  Às voltas com seu universo particular, ele se depara com Eneida, que instaura a ruína de suas convicções.

Confira a entrevista que Cláudio Assis concedeu ao ND por telefone.

Notícias do Dia – Na estreia de “Febre de Rato”, em 2011, você disse que a proposta do filme é a de um cinema de atitude e coragem. Acha que tem conseguido provocar esse sentimento na plateia e nos cineastas brasileiros?

Cláudio Assis - A impressão que se tem é que o filme realmente deixa as pessoas incomodadas. Incomoda a vida. A vida é assim. A vida é para ser provocada, desejada. A vida é para amar. Quando as pessoas são iguais perde a graça.

ND – Quando você diz “a vida é assim” não é pessimismo demais, um desencantamento com a realidade?

Cláudio Assis - Não é pessimismo, é vontade de ser que você é. Não se render.  Para que quando seu filho cresça, ele olhe para você e não tenha vergonha, tenha orgulho do pai, de que ele não foi um rendido. Infelizmente o mundo é dos caretas, quem manda no mundo são os caretas. Estamos fadados ao fracasso [risos].

ND – Tua produção é muito ligada à realidade social. Como foi o processo de produção de “Febre de Rato”, que tem forte discurso poético? A poesia muitas vezes subverte a realidade... 

Cláudio Assis - O poeta tudo pode, ele escreve, ele é. E quando junta as duas coisas, o cinema e a poesia, então tem um caldo maravilhoso.  São duas coisas que subvertem a realidade. Vamos fazer um filme que subverta. É um filme de tesão, é para as pessoas entenderem o recado.

ND – Na semana passada, o cineasta Nelson Pereira do Santos citou você como um dos melhores cineastas brasileiros da atualidade.  Ele também falou de uma corrente no Brasil de fazer filmes para serem pagos pela bilheteria. O que acha disso?

Cláudio Assis - Nelson é o cara. Se existisse reencarnação – o que eu não acredito que exista – ele deveria ser reencarnado. O que ele falou é uma verdade. Acabou o Cinema Novo, uma pena. As pessoas, os cineastas querem ser abocanhadas pelo dinheiro, e não ousar e fazer cinema de arte.

 

Fórum discute políticas do setor audiovisual

Presidentes das agências de audiovisual do Brasil, Argentina e Uruguai discutem entre hoje e amanhã as políticas públicas para o desenvolvimento e fortalecimento do setor no Fórum Audiovisual Mercosul, evento paralelo ao FAM 2012. Na pauta, temas como a Lei 12.485/2011 (lei das cotas de produção nacional nas TVs pagas) e o Fundo Setorial do Audiovisual . O produtor João Roni, membro do Conselho Federal da ABPITV (Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV) participa hoje do debate sobre a Lei 12.485/2011.

Serviço

O quê: FAM 2012
Quando: até 22/6
Onde: Centro de Cultura e Eventos da UFSC, UFSC, Campus Trindade, Florianópolis
Quanto: Gratuito

Programação: http://www.audiovisualmercosul.com.br

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