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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Cia de Dança Deborah Colker apresenta seu novo espetáculo em Florianópolis, “Tatyana”

Balé contemporâneo faz releitura de clássico da literatura russa, Evguêni Oniéguin”, de Aleksandr Púchkin

Carol Macário
Florianópolis

Walter Carvalho / Divulgação/ ND
Trabalho que tem a coreógrafa no palco une a literatura do russo Aleksandr Púchkin e a dança contemporânea

Em mais uma montagem ousada de estética contemporânea, Deborah Colker e sua aclamada companhia de dança dessa vez não desafia a gravidade com bailarinos em improváveis movimentos verticais e cenários deslumbrantes. Em “Tatyana”, seu novo espetáculo, a coreógrafa transpõe eventuais barreiras que poderiam separar a literatura da dança contemporânea na releitura de um clássico russo do século 19, “Evguêni Oniéguin”, o romance em versos publicado em 1832 por Aleksandr Púchkin (1799-1837). O balé terá duas apresentações em Florianópolis, sexta (15) e sábado (16) no teatro Pedro Ivo. 

Depois da experiência com o “Ovo”, espetáculo o qual escreveu e dirigiu para o Cirque du Soleil, em 2009, Deborah diz ter sentido necessidade de montar um balé que contasse uma história. “Tatyana”, portanto, é o primeiro com início, meio e fim de sua companhia; e também a primeira adaptação de livro. “Não é fácil adaptar para a dança um texto do século 19. É difícil, mas possível”, afirma. No palco, a história de amores e desilusões é contada com a emoção e subjetividade dos movimentos dos bailarinos, sem uma única fala, tendo como apoio a música de compositores eruditos como Rachmaninov, Tchaikovsky, Stravinsky e Prokofiev (com releituras modernas) que embalam a saga atemporal de duelos, desencontros, paixões e decepções.

Sem preocupar-se necessariamente com uma narrativa, a coreógrafa apostou na força dos personagens para conduzir a história. Para isso recruta os protagonistas da obra de Púchkin - Tatyana, Oniéguin, Lenski e Olga – e deles retira sentimentos e emoções que dão subsídio à coreografia contemporânea. “Me interessa a maneira como Púchkin apresenta os personagens. Ao mesmo tempo é realista e poético. E a dança tem muito de poesia”, compara.

Cada personagem é representado por quatro bailarinos, e cada qual se revela uma faceta diferente. O quinto personagem é o próprio Púchkin, no papel do narrador que interfere nas cenas, interpretado-dançado pela própria Deborah em alguns momentos.

História de amor em dois atos

O espetáculo “Tatyana” é dividido em dois atos. O primeiro se passa no campo, representado simbolicamente por uma árvore estilizada de sete metros de altura criada pelo cenógrafo Gringo Cardia. É para o campo que o aristocrata Oniéguin, cansado da vida na cidade, decide mudar-se, onde conhece Tatyana e sua irmã, Olga, namorada do poeta Lenski, de quem Oniéguin se torna amigo.  A jovem Tatyana se apaixona por Oniéguin, declara a ele seu amor em uma carta desesperada. Ele, por sua vez a menospreza. O segundo ato se passa na cidade, mas num cenário mais subjetivo e onírico que de concretos e urbanidades, com desfechos transformadores para os protagonistas.

Focada na pesquisa quase obsessiva do movimento, Deborah Colker que já cursou psicologia, foi jogadora de vôlei e estudou piano por dez anos, entrou para o universo da dança nos anos 1980. Há 19 anos criou sua própria companhia de dança, e desde então vem desafiando limites físicos numa ideia que parece fixa de explorar a relação movimento versus corpo versus espaço. Foi assim que se tornou a coreógrafa mais famosa do Brasil – inclusive com fama de louca – e fez da dança um fenômeno pop.

Apesar da estética contemporânea de suas montagens, Deborah não dispensa a técnica. “Para mim a técnica é fundamental. Não temos despojamento clássico, somos livres, mas o clássico é a nossa base”, ressalta. Ela e seus bailarinos fazem balé clássico todos os dias, assim como aulas de dança contemporânea. “Um complementa o outro”, resume. E avisa: “Na minha companhia não é qualquer um que entra.”

Serviço:

O quê: Espetáculo de balé contemporâneo “Tatyana”, da Cia de Dança Deborah Colker
Quando: 15/6, 21h30, 16/6, 18h
Onde: Teatro Pedro Ivo, rod. SC - 401, Km 5, 4.600, Saco Grande, Florianópolis, tel. 3665-1630
Quanto: R$ 80 / R$ 40 (meia)

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