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Casal de chefs peruanos comanda a cozinha de dois restaurantes de Jurerê Internacional

Há oito anos em Florianópolis, eles contam como foi a trajetória e o curso na Le Cordon Bleu

Karin Barros
Florianópolis
18/03/2018 às 14H43

Quando receberam o convite para formar uma equipe em uma cozinha em Florianópolis, eles mal sabiam de que cidade se tratava, mas recém-saídos do curso de Administração de Alimentos e Restaurantes e Chef Internacional, encararam o desafio. Os peruanos Hugo Olaechea, 29, e Sara Sanchez, 31, se conheciam só de vista, e encararam uma vida em um país e uma cidade desconhecida em busca de um bom emprego..

Hugo Olaechea e Sara Sanchez, com formação pela Le Cordon Bleu, assinam cardápios autorais. Do Peru trazem  a experiência da cozinha que está em alta - Marco Santiago/ND
Hugo Olaechea e Sara Sanchez, com formação pela Le Cordon Bleu, assinam cardápios autorais. Do Peru trazem a experiência da cozinha que está em alta - Marco Santiago/ND


Chegaram à cidade no Carnaval de 2010 já encarando a alta temporada em uma churrascaria. Mal sabiam eles que aquela era apenas uma prévia de uma história que já completa oito verões de muito trabalho coordenando na cozinha de dois restaurantes de Jurerê Internacional: Acqua Plage e Donna.

Na época em que vieram para o Brasil, ainda não existia o acordo do Mercosul, e quando completaram seis meses de estadia, eles precisaram sair do país para conseguir voltar com mais tempo. Armaram um plano com a empregadora da época onde sairiam apenas um dia para o Uruguai com uma mala de mão e voltariam no outro. Porém, a volta não ocorreu como planejada e eles foram deportados para o Peru em São Paulo, deixando tudo o que tinham em Florianópolis. Nesse meio tempo, os dois chefs peruanos se conheceram melhor e iniciaram um namoro.

Por vontade de Hugo, eles voltaram a Florianópolis, mas regularizados. Porém, a churrascaria havia virado uma igreja e já não tinham mais emprego. Na alta temporada, eles iniciaram um trabalho temporário no grupo Novo Brasil e foram ficando. A parceria com os chefs da época deu certo e o casal hoje assina dois restaurantes badalados e estão prestes a assinar mais um, o Art Gastronomia e Música, que abre início de abril, onde era a Cervejaria Devassa, na região central.

Culinária francesa 

O namoro começou quando eles vieram para o Brasil pela primeira vez - Marco Santiago/ND
O namoro começou quando eles vieram para o Brasil pela primeira vez - Marco Santiago/ND


Em 2016 o casal fez um acordo com o grupo que envolve restaurantes e baladas na Capital e retornou ao Peru por seis meses para cursar o Master Cuisine na prestigiada escola Le Cordon Bleu. Hugo e Sara admitem que não foram dias fáceis na escola de culinária francesa. Eles estudavam das 9h às 19h de segunda a sábado, e quando começaram a estagiar nos restaurantes conveniados à rede, a tensão foi ainda maior. “Eram restaurantes que para conseguir uma vaga de estágio podia enfrentar uma fila de dois anos. Quem consegue entrar ali é por muito esforço, e para se manter é muita pressão. A gente entrava às 8h e saia 0h. Uma rotina exaustiva”, lembra Hugo.

Sara explica que a escola prima por incentivar a liderança natural nos alunos, por isso a cozinha era um ambiente quase que “militar”. “A gente trabalha em um nível de exigência tão alto que depois aquilo vira uma rotina, uma exigência sua no seu trabalho também. Essa é a filosofia da escola”, diz Hugo.

Pratos cosmopolitas

Depois do curso na escola de culinária francesa, o casal retornou aos restaurantes catarinenses, e conquistaram mais autonomia para mexer no cardápio. “Não podemos catalogar esses restaurantes como italiano, peruano ou japonês. Nossa culinária é cosmopolita, uma fusão de muitos sabores e técnicas. É disso que nascem os pratos”, reflete Hugo.

Da comida mané, o marco para eles é o sabor do primeiro pirão que comeram em Santo Antônio de Lisboa. “A gente comia e abria ele com os garfos, tentando desvendar os segredos dele. Aquele pirão foi o início da curiosidade da culinária local”, diz Hugo. “Hoje tu me perguntas o que vocês fazem em um dia de folga, e eu digo que a gente pega o nosso cachorrinho, vai para Santo Antônio, tomamos caipirinha, comemos uma tainha ou anchova escalada ou grelhada e pirão”, comenta Sara, que, claro, já aprendeu a fazer o prato legítimo do manezinho.

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