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Casa para a arte feminina é inaugurada em Florianópolis

Mulheres realizam evento para divulgar seus trabalhos artísticos, no Canto da Lagoa

Alessandra Oliveira
Florianópolis
19/09/2016 às 13H48

A abertura da Casa Odara, no Canto da Lagoa, neste sábado (17), marcou a criação de um novo espaço para arte feminina em Florianópolis. Tatuadoras, desenhistas, artistas plásticas e designers de moda deram o tom do encontro, que teve ainda a participação especial do movimento Tattoo like a Girl. E os que essas moças buscam em especial? Elas querem visibilidade, fugir da anulação e apagamento do papel feminino na arte, em especial do Brasil, onde apenas 20% dos espaços artísticos são “reservados” para as mulheres.

Stefanie Graczcki, Cristina Souza e Natalia Gapski na Casa Odara - Marco Santiago/ND
Stefanie Graczcki, Cristina Souza e Natalia Gapski na Casa Odara - Marco Santiago/ND



O coletivo Casa Ordara foi criado pela jornalista Cristina Souza, 27 anos, e por duas amigas para ser um local de economia criativa. “Aqui é a nossa casa, é onde moramos. Decidimos abrir as portas para fortalecer o cenário artístico local e divulgar o trabalho produzido por mulheres. Nosso projeto ainda está voltado para o ‘jornalirismo’ e para a produção de artistas independentes”, enfatiza Cristina.  

Durante a inauguração, que começou à tarde e foi até as 23h, mais de 300 pessoas circularam pelo novo espaço. Dentre os grupos que se apresentaram no palco aberto estava a “Banda The Cegus”, do bairro rio Tavares, que manteve a animação do público com muito rock n’ roll. Uma intervenção foi realizada durante a tarde, com colagens de prints pelas paredes da Casa Odara. As imagens farão parte da exposição permanente de trabalhos de artistas locais.

Dos poucos homens convidados para expor no evento, estava o grafiteiro Douglas Augusto, 26. A economia criativa virou realidade na vida dele quando o jovem se associou a outro artista e a um mestre cervejeiro para criar bebidas artesanais. “Nossa ideia é apoiar eventos que fomentem os mais diversos trabalhos artísticos. Nosso elo com o público é a arte”, disse um dos idealizadores da Canvas Bier, ao salientar que a arte está acima dos gêneros, por isso é necessário espaço igualitário para homens e mulheres.

Cerveja artesanal, Reiki e tattoo

O evento teve sessões de Reiki, exposição de jeans customizados e ainda um flash day do movimento Tattoo like a Girl. Uma das tatuadoras do encontro foi Bruna Pereira, 25. Para a data, ela trouxe 10 desenhos inéditos para serem registrados na pele de quem se interessasse em fazer a primeira ou adicionar mais tattoos ao corpo. “Num flash Day podemos expor nosso gosto e oferecer ao público nossas criações a um custo menor que o de mercado”, observou.

Elizabeth Fernandes fez sua 6ª tatuagem durante o evento - Marco Santiago/ND
Elizabeth Fernandes fez sua 6ª tatuagem durante o evento - Marco Santiago/ND



Uma boca de vampira, com uma rosa entre os dentes foi o desenho que a bibliotecária Elizabeth Fernandes, 29, escolheu para ser a sua 6ª tatuagem. A obra, de autoria da tatuadora e idealizadora do movimento Tattoo like a Girl, Angélica Spinardi, 25, foi das muitas tatuagens que ela fez durante o evento. Angélica é paranaense e começou a tatuar há cinco anos, quando se mudou para Florianópolis. Ao participar de diversos eventos e perceber que as mulheres eram sempre a minoria, a psicóloga de formação decidiu criar o Tattoo like a Gril, no intuito de abrir novos caminhos para as artistas femininas, ideia que recebeu total apoio do marido e das amigas.

“Nos eventos realizados por homens, somos minoria. Nos nossos, os números serão invertidos até que um dia possam ser iguais. Minha intenção é ter as mulheres a frente da organização. Precisamos de espaço, de espaços que nos são negados há séculos pelo apagamento dos grandes trabalhos artísticos femininos”, disse. Angélica lembrou ainda que na última semana participou de uma conferência sobre mulheres artistas, no Paraná e na ocasião se deu conta de que a exposição de trabalhos femininos em galerias de arte e museus do Brasil é de apenas 20%, enquanto os homens ficam com a maior fatia: 80% dos ambientes. “Queremos 50%. Queremos igualdade e denunciar essa anulação, esse apagamento”, salientou.

Ao discorrer sobre a diferença entre o trabalho de tatuadores e tatuadoras, Angélica diz que é preciso desconstruir o mito de que mulher é mais delicada e tem o traço mais leve. O que existe, para ela, é um tratamento mais aberto com o público, com maior empatia. “Um transexual não fica à vontade em um estúdio de tatuadores, por exemplo. Penso que é preciso tato neste ponto”, defende. Envoltas na 4ª onda feminista mundial as meninas dão boas-vindas a todos os públicos que partilharem dos conceitos da Casa Odara.

 

 

 

 

 

 

 

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