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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Casa do Teatro Armação, no Centro de Florianópolis, está fechado por falta de projetos de montagem

Afetivo teatro de bolso - no sobrado mais estreito da Capital, um pequeno teatro povoa o imaginário da população com histórias de fantasmas

Carol Macário
Florianópolis
Débora Klempous / ND
Os atores Zica, Sandra e Cunha, do núcleo do Grupo Armação, ajudam a manter o espaço

 

No sobrado mais estreito de Florianópolis, um imóvel centenário tombado pelo patrimônio histórico, bem no Centro, somente os fantasmas amigos de saudosos artistas do teatro rondam os velhos cômodos. A Casa do Teatro Armação, um teatrinho de bolso de apenas 40 lugares, povoa o imaginário da população, entre histórias de assombração e a lembrança de inesquecíveis montagens teatrais. O espaço é administrado pelo Grupo Armação, um dos mais antigos grupos teatrais do Brasil, e não recebe montagens por falta de projetos.

Fechado para reforma e restauração da fachada e algumas salas entre junho de 2010 e julho de 2011, o espaço tem sido utilizado eventualmente por produtores de cinema para ensaios e até o ano passado serviu de sede para a Cinemateca. “O teatro é de todos, apenas administramos. Está fechado até alguém solicitar pauta”, diz João Vieira Filho, o Zica, 62, integrante do Grupo Armação desde a sua fundação, em 1975.

Nas paredes pintadas de salmão, do lado de dentro, figuram fotos preto e branco de amigos queridos do teatro catarinense, artistas consagrados como Ademir Rosa, Waldir Brazil, Nivaldo Mattos, Juval Nahas, entre outros. “Brincamos que os nossos amigos que já se foram é que estão pela casa, são nossos fantasmas de estimação”, explica Zica, sobre os rumores de possíveis assombrações no sobrado.

No palco, chão de madeira pintado de preto, um banquinho velho que já serviu de apoio cênico a muitas peças, escadas de mão que dão acesso às luzes, ainda coordenadas manualmente. No pequeno espaço para o camarim, no andar de cima, um pote de gel faz lembrar que há algum tempo alguém ali se preparava para encenar. Entusiasmados, Sandra Ouriques, 52, Antônio Cunha, 49, e Zica, 62, cada um de uma fase diferente do Grupo Armação, brincam de baixar e levantar as luzes do palco.

Do outro lado, no andar acima da plateia, apesar da bagunça inevitável por conta da recente reforma, quadros com pôsteres de espetáculos de outros tempos trazem bons momentos à memória. Orgulhosa, Sandra mostra o cartaz produzido por Mayer Filho para a peça “A Resistência”. “Ganhei o prêmio de melhor atriz coadjuvante por esta produção”, conta.

Doações mantêm o teatro de pé

A história do velho sobrado remonta ao ano de 1834, construído por um comerciante aos moldes da arquitetura açoriana. Em 1985 foi desapropriado pelo Estado por compra, para fins culturais. Antes de virar teatro, funcionava no local o Restaurante Bar Praça XV -16. No ano seguinte, o Estado doou a casa para o Grupo Armação em contrato de comodato por 20 anos, renovado em 2007 por mais dez anos.

O Grupo banca as contas do espaço com o próprio bolso. “Cerca de 20 sócios, entre atores e simpatizantes das artes cênicas, contribuem mensalmente com valores que variam entre R$ 5 e R$ 50”, afirma Antônio Cunha.

Saiba mais

Considerado um dos mais antigos do Brasil ainda em funcionamento, o Grupo Armação, desde a sua fundação em 1975, já viu mais de 600 atores passarem, mas um núcleo oficial se mantém desde o início. “Quando começamos a maneira de se fazer e encarar o teatro era diferente. Hoje tudo depende de edital e leis de incentivo”, afirma Antonio Cunha . “Antes era tudo por amor à arte e contávamos com apoio das empresas”, Zica.

Onde fica: Praça XV de Novembro, 344, Centro, Florianópolis, tel. 3223-8165

 

Débora Klempous / ND
Atores relembram grandes montagens no pequeno teatro de bolso

 

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