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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Casa da Câmara e Cadeia irá abrigar o Museu da História de Florianópolis

Casarão histórico começará a deixar seu passado de descaso para se tornar um espaço para abrigar a memória da cidade com gestão do Sesc

Marciano Diogo
Florianópolis
Bruno Ropelato/ND
Restauro do prédio histórico localizado no Centro da Capital será entregue em março de 2016

 

Florianópolis ganhará um novo espaço de memória no próximo ano. O Museu da História da Cidade será instalado no prédio da antiga Casa da Câmara e Cadeia, no Centro da Capital. Desde setembro de 2014 o imóvel passa por restauração e as obras têm previsão de término para março de 2016, quando será entregue ao Sesc (Serviço Social do Comércio), que na última semana ganhou a licitação para administrar o futuro museu. A instituição abrigará o histórico de evolução da região da Grande Florianópolis, da economia, da população e de seus hábitos, além de guardar a trajetória da construção e uso do próprio prédio onde funcionará. “O objetivo é preservar a memória de Florianópolis por meio de um equipamento cultural interativo, dinâmico, aglutinador de tecnologias e mídias digitais, que abarca a história antiga e contemporânea”, afirmou Bruno Breithaupt, presidente do Sistema Fecomércio SC, que engloba o Sesc.

Questionada, a Secretaria Municipal de Turismo afirmou que apesar de o edital para administração do futuro museu ter se dado pela modalidade concorrência, o Sesc foi a única empresa que participou da licitação. A empresa venceu por um lance de mais de R$ 9 milhões, R$ 6,5 milhões a mais do que o mínimo exigido. A reforma no casarão construído no século 18 custará aproximadamente um total R$ 6,5 milhões, R$ 4 milhões provenientes do Governo Federal e R$ 2,5 milhões vindos em contrapartida do município.

“No momento atual, a casa passa pela estruturação da cobertura e recuperação dos pisos do térreo, esquadrias de madeira, fachadas e paredes internas”, explica a arquiteta Suzanne Albers Araújo, responsável pelas obras de reparo no imóvel. De acordo com estudos técnicos, o prédio com estrutura tipicamente luso-brasileira colonial, passou por alterações estéticas desde sua construção – o primeiro período do sobrado colonial foi de 1771 a 1902 e o período seguinte, do sobrado eclético, foi de 1902 aos tempos atuais. Durante este tempo, teve os pináculos e bossagens retirados e o formato das janelas foi modificado. O imóvel foi interditado em 2007, e desde então, tem suas portas fechadas para o público.

Bruno Ropelato/ND
Obras avançam na estruturação da cobertura. Espaço abrigará a história da cidade e região


Será o primeiro museu no país com gestão do Sesc

No Museu da História da Cidade, o Sesc deverá organizar o trabalho com a temática e evolução de Florianópolis e região, além da utilização de tecnologias e mídias contemporâneas e incorporação de bens culturais, como objetos e documentos, que ficarão no acervo permanente no local. Todos os recursos tecnológicos serão gerados em mídias de última geração, contendo as opções em português, espanhol e inglês. A gestão também promoverá atividades de artes visuais e também programas de formação, como oficinas e workshops. O diretor regional do Sesc em Santa Catarina, Roberto Anastácio Martins, ressalta que o objetivo é fomentar as artes e o acesso à cultura. “Mantemos em Santa Catarina a maior difusão artística de produção regional e nacional das artes visuais, teatro, dança, música, cinema e literatura. Além disso, mantemos galerias de arte, uma extensa rede de bibliotecas e uma grande variedade de cursos de artes em diversas áreas”, pontua Martins. 

O Sesc tem unidades regionais espalhadas por todo o Brasil, mas Santa Catarina será o primeiro departamento regional a fazer a gestão de um museu. Porém a empresa tem voltado o olhar para prédios históricos no país, visando a reforma, manutenção e dinamização desses espaços. Exemplo disso é o Paço da Liberdade em Curitiba, no Paraná, o Centro Cultural Sesc Glória em Vitória, no Espírito Santo, o Sesc Arsenal em Cuiabá, em Mato Grosso, e o recém-tombado centro cultural Sesc Pompeia.

O novo museu terá auditório e um espaço para instalação de um café em uma edificação transparente e contemporânea que ficará atrás do prédio e será interligada por uma passarela e elevador. “Será um espaço anexo relativamente pequeno, terá três andares, e reservamos um espaço para a instalação de uma cafeteria”, revelou a arquiteta Suzanne Albers Araújo. O Museu da História da Cidade não terá fins lucrativos, mas está autorizada a cobrança de entrada e haverá um dia de entrada gratuita para os moradores de Florianópolis.

Bruno Ropelato/ND
O antigo e o novo terão lugar no museu, que unirá tecnologia e interatividade


A importância do imóvel

Conforme rege o edital de licitação, a partir da entrega do espaço para o Sesc no início do próximo ano e assinatura do contrato de concessão, a empresa terá dois anos para se adequar para implantar oficialmente o Museu da História da Cidade e poderá explorar o espaço por 20 anos, podendo ser prorrogado por um período de mais 20 anos. Ao assumir a administração do futuro museu, a proposta do Sesc é relembrar a história e estimular a população a repensar o passado. A proposta de resgate histórico está diretamente relacionada com a importância do imóvel, que já foi cadeia municipal, câmara de vereadores e até gabinete da prefeitura de Florianópolis.

“Com a Catedral e o Palácio Cruz e Sousa, este imóvel faz parte de uma tríade essencial para história de Florianópolis, desde a etapa de colonização e formação da cidade aos tempos atuais. É um dos imóveis mais antigos da Capital. Neste caso, as obras de reparo estão respeitando perfeitamente as condições para conservar o prédio adequadamente. Como por exemplo, a utilização de tablados e proteções para que imprevistos não prejudiquem a estrutura do imóvel”, explica o arqueólogo do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Rossano Bastos, que realiza vistoria semanal no local. A empresa responsável pela restauração na antiga Casa da Câmara e Cadeia é a Concrejato, que já foi realizou a reforma na Catedral da praça 15, na igreja de São Francisco e na igreja do Ribeirão. Atualmente 30 operários trabalham na obra.

Espaço histórico e dinâmico

A antiga Casa de Câmara e Cadeia foi construída entre 1771 e 1780, com paredes de pedras fixadas com argamassas e óleo de baleia, areia e cal, pelo arquiteto Tomás Francisco da Costa.

Atualmente, o que resta na casa do século 18 é o arco de entrada feito de pedra e a porta de madeira, além de uma pequena parte restante do forro. O imóvel que tem 865,9 m² de área construída além de 618,8m² de terreno.

O projeto de reparo reserva espaço para a construção de um prédio de extensão atrás do Museu da Cidade, que será feito com uma estrutura metálica e vidro, terá 192 m² e será interligada a casa por um elevador e uma pequena passarela.

Atualmente, a casa está dividida em 14 ambientes, sete no pavimento térreo e sete no pavimento superior, incluindo a reserva técnica. De acordo com o projeto arquitetônico, o prédio se manterá com dois andares, além do espaço de extensão, que terá três andares. A cor da casa deverá ser amarela, para manter a identidade histórica do imóvel.

 

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