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Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
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Cartunista Koostella expõe na Capital cartazes feitos ao longo dos anos em coletivo artístico

Artista cresceu em Florianópolis e hoje vive na Suíça, onde mantém uma microeditora para publicar seus quadrinhos

Carolina Moura
Florianópolis
Divulgação
A exposição "Em Cartaz" foi montada com papel colado diretamente na parede, misturando trabalhos de diferentes épocas e lugares 

 

Pintor de ovos de páscoa, coletor de pólen em plantações de milho, figurante de treinamento militar, lavador de equipamentos de cozinha de avião, ajudante de lenhador e cobaia de experimento psicológico. Esses são apenas alguns exemplos dos trabalhos que Koostella lista no perfil de seu blog, mas não passam de formas inusitadas de ganhar dinheiro. O que ele é mesmo é cartunista. Além dos quadrinhos autopublicados em sua microeditora própria, ele coleciona um amplo portfólio de cartazes que já desenhou para diferentes eventos nos lugares onde já viveu — Florianópolis, Salvador, Alemanha e agora Suíça —, os quais expõe até dia 28 no Coletivo Artístico Nacasa, na Trindade.

Nascido em Curitiba, Koostella — que prefere manter a origem de seu nome artístico um mistério — cresceu em Florianópolis e foi para a Europa “por motivos do coração”. Hoje ele vive na cidade de Basel, a terceira maior da Suíça, e vem anualmente visitar a família na capital catarinense. No ano passado ele já fez uma exposição no Nacasa, com 500 desenhos feitos a bico de pena, e desta vez traz cerca de 65 cartazes e flyers que acumulou ao longo dos anos. Tem cartaz dos shows que acontecem no porão do restaurante coletivo anarquista do qual ele faz parte em Basel, entre eles da banda carioca Autoramas; de quando discotecava em Salvador; de torneio de boxe; de matinê no Taliesyn; da trilogia Lugosi do ator Renato Turnes; e até capa de CD do cantor Wander Wildner.

“Um cartaz tem uma durabilidade de uma semana e depois ninguém mais vê aquela imagem, ela se perde”, diz o cartunista, que decidiu reuni-las em exposição para alongar sua vida útil. Colocando-os todos juntos também o fez ver uma unidade entre os diferentes trabalhos. “Dá para ver uma evolução nos traços, um estilo próprio. Vendo eles todos juntos eu vejo que direção eu tomei.” A montagem é feita da mesma forma que a distribuição dos cartazes pela rua — papel colado em parede. E não há uma separação cronológica ou temática, descobrir de que parte do mundo é cada um fica a cargo do visitante.

Publicação independente e restaurante anarquista

Koostella trouxe consigo para o Brasil os quadrinhos que produz de forma autônoma, pela editora “Crime da Mala Editions”. O nome brinca com a forma de transporte das edições –uma mala antiga. “Eu fiz um livro em 2007 e só consegui publicá-lo em 2010. É um atraso, você passa muito tempo atrás de editora. Meu traço já era completamente diferente”, diz ele, referindo-se a “Gefangene - Sem Saída”, publicado pela Zarabatana Books, de Campinas. A tendência das micro-publicações é algo que já acontece entre outros quadrinistas do Brasil e de outros países.

Além de se dedicar a essas publicações, Koostella hoje faz parte do coletivo Hirschineck, que há cerca de 30 anos comprou um restaurante tradicional em Basel e o transformou em uma experiência anarquista. São 20 pessoas que se revezam nas diferentes atividades do restaurante, que serve cardápios vegetarianos, veganos e normais. “Esse lugar é o epicentro da cultura alternativa na cidade. Temos um espaço para shows no porão e exposições de arte na área do restaurante”, explica o artista. Lá, ele faz de tudo: organiza shows e exposições, faz discotecagem, ou trabalha de garçom ou barman. Uma boa parte da lista em seu perfil do blog reunida em um trabalho só.

 

Serviço

O quê: Exposição “Em Cartaz”, de Koostella

Quando: Visitação até 28/2, de terça a sexta, das 14h às 17h. Em outros horários com hora marcada.

Onde: Coletivo Artístico Nacasa, rua José Francisco Dias Areias, 349, Trindade, Florianópolis, tel. 3028-8185

Quanto: Gratuito

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