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Capital catarinense é a quinta cidade mais inteligente do Brasil

Florianópolis subiu uma posição no Ranking Connected Smart Cities 2018

Andréa da Luz
Florianópolis
14/09/2018 às 21H54
De 2015 a 2018, Florianópolis passou da oitava para a quinta posição no ranking das cidades inteligentes - Marco Santiago/Arquivo/ND
De 2015 a 2018, Florianópolis passou da oitava para a quinta posição no ranking das cidades inteligentes - Marco Santiago/Arquivo/ND



Florianópolis é a quinta cidade mais inteligente do país, segundo o Ranking Connected Smart Cities 2018, que é o principal estudo sobre cidades inteligentes no Brasil, divulgado em 4 de setembro.

No resultado geral, a capital catarinense subiu uma posição em relação ao ano passado, e duas em relação a 2016, quando alcançou o 7º lugar. A cidade ficou atrás de Curitiba (primeira colocada), São Paulo, Vitória e Campinas, respectivamente 2º, 3º e 4º lugares no levantamento. O levantamento avaliou 700 municípios, a partir de 70 indicadores.

A consultora em Cidades Inteligentes do Laboratório de Inovação Urbana, Thaís Nahas, explica que as prefeituras brasileiras começaram a acompanhar essa tendência mundial, com mais afinco, a partir de 2015.

Essa participação surge da necessidade de buscar, na inovação tecnológica, as soluções para os problemas decorrentes do aumento da população e da crise econômica. "As prefeituras precisam fazer mais com menos e para isso a tecnologia é essencial pois permite ampliar o alcance e melhorar o atendimento ao cidadão", afirma Nahas.

Segundo a consultora, o ranking geral não é um mapa fiel do posicionamento das cidades porque ignora suas peculiaridades, como tamanho, população e geografia. "É preciso lembrar que uma cidade com 200 mil ou 500 mil habitantes têm problemas cuja resolução é muito mais complexa do que em um município com 20 mil habitantes. Como exemplo, podemos citar a questão da ocupação e do saneamento que seriam bem menos complicadas em uma cidade pequena do que em uma ilha como Florianópolis", afirma. 

Thaís Nahas observa que o ranking pode orientar ações nos quesitos que a cidade precisa evoluir, como a mobilidade - Flávio Tin/ND
Thaís Nahas observa que o ranking pode orientar ações nos quesitos que a cidade precisa evoluir, como a mobilidade - Flávio Tin/ND



Por isso, Thaís considera o levantamento um diagnóstico que evidencia os pontos fortes e fracos dos municípios, o que pode ser útil para gestores municipais traçarem suas estratégias de ação. "O ranking serve tanto para enaltecer as qualidades e vocações da cidade - servindo como atrativo para investidores ou moradores-, quanto para determinar ações específicas naqueles pontos em que a cidade precisa evoluir".

O conceito de smart cities (cidades inteligentes) nasceu na Europa em função do crescimento populacional das cidades, e se refere à utilização da inovação e da tecnologia para tornar as grandes metrópoles mais eficientes em termos de infraestrutura urbana e economia, melhorando a qualidade de vida dos moradores.


Florianópolis no ranking

Em sua 4º edição, o Ranking Connected Smart Cities define as cidades com maior potencial de desenvolvimento no país e é composto de 70 indicadores em 11 categorias: mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreededorismo e governança. O levantamento mostra ainda análises em quatro recortes: Geral, por Eixo Temático, Região e Faixa populacional.

No âmbito geral, a capital catarinense obteve destaque em vários quesitos, como Tecnologia e Inovação, Educação, Saúde, Empreendedorismo e Economia.

No primeiro item, a cidade galgou uma posição, especialmente por ser o principal pólo tecnológico do Sul do país, com boa infraestrutura, três parques tecnológicos, três incubadoras e escritórios de inovação. O crescimento de empresas de tecnologia é de 5,6% e do MEI (Microempreendedor Individual), de 21%. "Também abrigamos a quinta melhor incubadora de empresas do mundo e essa soma nos fez conquistar o 2º lugar em Tecnologia e Inovação, dentre os 700 municípios avaliados", conta Thaís.

Chegamos ao 2º lugar em Educação, sendo a melhor cidade da região Sul nesse quesito. O levantamento aponta 18 vagas por mil habitantes com mais de 18 anos de idade em universidades públicas; média do Enem de 602 e de 4,6 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - indicador criado pelo governo federal para medir a qualidade do ensino nas escolas públicas); 94,4% dos docentes do ensino médio concluíram o ensino superior e a taxa de abandono no ensino médio é de 6,7%.

Na saúde, foram avaliados o número de leitos por mil habitantes, número de médicos por 100 mil habitantes, taxa de mortalidade infantil e cobertura populacional da equipe de saúde da família.

O patamar de 4º lugar em Economia e Empreendedorismo mostra o potencial de desenvolvimento de novos negócios. "Subimos cinco posições desde o ano passado devido ao crescimento do PIB, renda média de empregos formais e crescimento das empresas, especialmente de tecnologia que não foram muito afetadas pela crise", avalia Thaís.

O ranking também aponta oportunidades de melhorias onde o desempenho deixou a desejar, como é o caso das áreas de meio ambiente, urbanismo e mobilidade. No tema ambiental, o baixo índice de tratamento de efluentes (apenas 60% dos domicílios têm acesso à rede de esgoto) e da taxa entre esgoto tratado e água consumida (44,5%), segundo dados do Instituto Trata Brasil, revelam que é preciso investir em saneamento básico.

Em urbanismo, Florianópolis perdeu posições por não ter um Plano Diretor definido. "Ele está sendo discutido há 12 anos e ainda não há delimitações definitivas sobre as áreas residenciais, mistas e de preservação, e isso traz insegurança para o investidor que procura um local para a sede de sua empresa e até mesmo para moradores que desejam construir. Sem um plano diretor, o crescimento é desordenado e a demanda por fiscalização aumenta", opina a consultora.

A maioria dos bairros é essencialmente residencial e isso faz com que as pessoas tenham que se deslocar ao Centro da cidade para trabalhar, aumentando problemas de mobilidade, o calcanhar-de-Aquiles da Ilha da Magia. Esse é outro índice que puxa o desempenho da Capital para baixo. "Há poucas ciclovias, um alto índice de automóveis por habitante e o transporte público ainda é lento e insuficiente".

Na Rua Vidal Ramos, no Centro da Capital, é um exemplo de boa solução: o sistema de vigilância foi feita em parceria com os próprios lojistas, para melhorar a segurança, um dos itens avaliados no ranking  - Daniel Queiroz/Arquivo/ND
Na Rua Vidal Ramos, no Centro da Capital, é um exemplo de boa solução: o sistema de vigilância foi feita em parceria com os próprios lojistas, para melhorar a segurança, um dos itens avaliados no ranking - Daniel Queiroz/Arquivo/ND




Parcerias inteligentes

Os problemas são muitos e complexos, mas não impossíveis de serem sanados e é aí que entram as parcerias entre a gestão pública, o Laboratório de Inovação e empresas de tecnologia. A ideia é utilizar a vocação tecnológica da cidade, que abriga muitas startups, para encontrar soluções adequadas e viáveis.

"No final de setembro vamos lançar uma chamada pública para empresas que tenham soluções para alguns dos problemas levantados e que estejam interessadas em usar a cidade como um laboratório a céu aberto", explica Thaís.

Um programa piloto mostrou que pode dar certo. A Rua Vidal Ramos, no Centro da Capital, foi utilizada para implantação de um sistema de vigilância em que empresas locais cederam câmeras e softwares para garantir mais segurança aos lojistas daquela região. Ele permite acompanhamento em tempo real do que acontece na rua e as imagens são compartilhadas com a secretaria de Segurança Pública.

De acordo com o superintendente de Ciência, Tecnologia e Inovação da prefeitura de Florianópolis, Marcus Rocha, a capital é a primeira cidade a implantar a lei municipal de Inovação. A legislação cria um fundo de apoio para formação de Centros de Inovação reunindo empresas, universidades e governo em torno de projetos voltados ao desenvolvimento tecnológico.

"Na área de educação, por exemplo, esse tipo de parceria permitiu a instalação de 70 roteadores wi-fi em escolas públicas e a realização de um programa de três meses que ensinava linguagem de programação a alunos da rede pública municipal", aponta o superintendente. "Também estamos dando os primeiros passos no Programa Alô, Saúde, que prevê marcação de consultas e exames via whatsapp, agilizando o atendimento no SUS", acrescenta.

Quanto aos problemas, Rocha concorda que o urbanismo e a mobilidade são grandes desafios para os próximos anos. "Estamos buscando R$ 295 milhões junto ao BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] e grande parte desses recursos irão para a mobilidade", afirma. Outra ação é a licitação de bicicletas para uso compartilhado, que já está em andamento. "As melhorias passam pela adoção de novos modais de transporte para diminuir o uso dos carros e aumentar as formas compartilhadas de locomoção, além de alterações no sistema viário".

Em relação ao saneamento, a solução é a longo prazo. Uma das ações estratégicas é o programa Se Liga na Rede, que visa promover a interligação de todos os imóveis atendidos por rede pública de esgotamento sanitário e eliminar as inadequações no sistema de tratamento de esgoto. "Acredito que aos poucos vamos melhorando, o que já vem acontecendo se olharmos o ranking dos anos anteriores", afirma.

De 2015 a 2018, Florianópolis subiu quatro posições no estudo de cidades inteligentes, passando da oitava para a quinta posição.

A íntegra do ranking pode ser vista online.


Panomara mundial: Nova York na liderança

Em termos mundiais, o ranking é elaborado pelo Centro de Globalização e Estratégia do IESE Business School, que analisou pela quinta vez o nível de desenvolvimento de 165 municípios de 80 países.

No estudo, foram elencadas nove categorias consideradas fundamentais para uma cidade inteligente e sustentável: capital humano (desenvolvimento, atração e promoção de talentos), coesão social (consenso entre diferentes grupos sociais de uma cidade), economia, meio ambiente, governança, planejamento urbano, alcance internacional, tecnologia, mobilidade e transporte (facilidade de locomoção e acesso a serviços públicos).

Pelo segundo ano consecutivo, a cidade de Nova York foi eleita a mais inteligente do mundo, destacando-se especialmente por ser o centro econômico mais importante e possuir o melhor planejamento urbano. Em segundo lugar, Londres, com seu capital humano e alto número de escolas de negócios e universidades; seguida por Paris, cujos destaques são a divulgação internacional, a mobilidade e o transporte.

Nenhuma cidade brasileira aparece nas primeiras posições. A capital paulista ocupa a 116ª colocação, seguida pelo Rio de Janeiro (126ª), Curitiba (135ª), Brasília (138ª), Salvador (147ª) e Belo Horizonte (151ª).

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