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Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
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Cantora Déborah Blando fala sobre depressão, vícios e sua retomada da carreira

"No fundo do poço existe uma cama elástica", disse a cantora em entrevista ao Notícias do Dia

Carol Macário
Florianópolis
Daniel Queiroz / ND
Plenitude - Aos 43 anos, Déborah retoma a carreira e diz que não toma nem aspirina

 

Déborah Blando não nega a origem italiana. Nascida na região da Sicília, ela fala e ri alto, bem alto, e articula as mãos sem parar. Aos 43 anos, a cantora que veio morar em Florianópolis ainda criança e foi uma das expressões da música pop do Brasil nos anos 90, aprendeu que somente chegando ao fundo do poço é possível encontrar a mola que joga uma pessoa novamente para o alto. Quase dez anos afastada dos palcos devido a crises pessoais, depressão e vícios, Déborah assume novamente sua vida e sua carreira.

Em entrevista ao Notícias do Dia, ela falou dos projetos musicais e pessoais para 2012 e, sem rodeios, abriu o jogo sobre suas crises e de como deu a volta por cima – e com ajuda de animais. Mais bonita que nunca, ela está de volta!

Notícias do Dia – Quais projetos está preparando para seu retorno?
Déborah Blando – Estou com três projetos em paralelo. O primeiro é um show com o DJ Junior Antonini e o guitarrista Matheus Schaeffer, em que vamos mesclar música eletrônica com guitarra. Será um repertório variado com novas versões eletrônicas de canções antigas e até releituras de Guns’n’Roses, Nirvana, David Guetta. Os shows começam por Minas Gerais, em maio. O segundo é o projeto de um DVD ao vivo e um novo CD, cuja venda será revertida para alguma instituição ou ONG.

ND - Por que música eletrônica?
Déborah – Eu saí muito na noite, né? Curti muito baladas. Agora não mais, mas sempre gostei.

ND – Quando começou a planejar a volta?
Déborah – Foi depois de um show em Urussanga, Sul do Estado, no ano passado. Vi que os fãs querem que eu volte. Eles abriram uma conta para me ajudar a voltar.

ND – Quando a ficha caiu que estava no fundo do poço?
Déborah – A ficha caiu quando estava muito mal. Tomei muito remédio, teve psiquiatra que chegou a me receitar oito medicamentos diários. Sou intensa, quando faço alguma coisa, faço demais. Mas descobri que no fundo do poço existe uma cama elástica.

ND - Quais foram as tuas curas?
Déborah Blando – Minha família nunca me abandonou. Mas quem saiu dessa foi eu, porque não adianta apoio familiar e de amigos se a vontade de mudar não vier de você. Há dois anos faço psicanálise de segunda a segunda. Meus bichos foram também muito importantes nessa virada, junto com o budismo Kadampa.

ND – Como o budismo te ajudou?
Déborah – Estudo budismo Kadampa há 13 anos, mas só agora estou levando mais a sério. Faço práticas diárias. Duas vezes por ano faço retiros em uma universidade budista na Inglaterra. Descobri que a felicidade é um estado mental, reside no chakra do coração. Quando se tem paz interior, tanto faz o externo, pode-se estar em um iate, um carro importado. A felicidade depende dessa paz.

ND – Como avalia o momento pelo qual está passando agora, curada?
Déborah – Me considero uma vencedora. Poderia ter entrado e nunca mais saído. Mas tive apoio espiritual e acho que meu extinto de sobrevivência bateu mais forte. Hoje nem aspirina tomo. Durmo cedo, acordo cedo. Estou solteira, não dependo de homem nenhum, nem de ninguém. Estou construindo uma casa aqui em Florianópolis, construindo raízes.

ND – A depressão e excessos prejudicaram sua voz?
Déborah – Não, não perdi meus agudos e consegui ainda dois tons abaixo do meu.

ND – O que diria para quem está passando pela mesma situação?
Déborah – Se não tem força interna suficiente para se curar, é legal fazer terapia, e se não tiver dinheiro procure ajuda de um AA (Alcoólicos Anônimos), NA (Narcóticos Anônimos). E adote um bicho – ser responsável pela vida do outro, focar no sofrimento do outro torna seu próprio sofrimento menor.

Saiba mais

- O perfil de Déborah Blando no Twitter foi duas vezes o mais mencionado no mundo.

 - Déborah Blando emplacou músicas em 14 novelas e fez parcerias com cantores e produtores famosos no mundo do show business internacional.

- Foi convidada pela Coca-Cola para gravar singles e até pela Walt Disney, para quem gravou o tema do filme “Atlantis – O Império Perdido”

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