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Caçadora de tendências fala sobre como setores da moda e decoração irão avançar em 2017

A crise, que atingiu em cheio 2016, faz de 2017 um ano de mais consciência nas escolhas na hora de consumir, como observa Ruth Fingerhut

Karin Barros
Florianópolis
30/12/2016 às 17H09
Para Ruth Fingerhut, escolha por conforto na maneira de se vestir, por uma alimentação saudável e por elementos naturais no décor estão nas direções de 2017 - Flávio Tin/ND
Para Ruth Fingerhut, escolha por conforto na maneira de se vestir, por uma alimentação saudável e por elementos naturais no décor estão nas direções de 2017 - Flávio Tin/ND



Tendência, seja ela de alimentação, vestuário ou de design, nunca é apenas uma “modinha”. Tudo está relacionado aos sinais do comportamento humano. As tendências são baseadas pelas experiências das pessoas, além de dados quantitativos adquiridos por meio de institutos de pesquisa.

No Brasil, por exemplo, viveu-se um 2016 turbulento em praticamente todos os setores da economia, e todo esse processo se refletiu no modo de agir, comer, se vestir e decorar. Para a designer e cool hunter (caçadora de tendências) paulista, Ruth Fingerhut, 63, moradora de Florianópolis, o 2017 brasileiro deve ser de amadurecimento.

Ruth tem no currículo 20 anos dedicados a moda e outros 20 à arquitetura e construção, trabalhando com a metodologia do design de aproximação pela pesquisa de comportamento. Todos os anos, a empresária visita feiras na Europa em busca dessas tendências, que inclusive são sempre bem antecipadas, para quê, segundo ela, as marcas consigam fazer os fios, as cores e corantes.

A designer explica que a crise mundial começou em 2008 atingido os setores internacionais, mas no Brasil foi muito pouco perto do que presenciamos em 2016. “Essa crise que todo mundo sentiu muito forte este ano afetou o comportamento de todos, sejam empresários, indústrias, jovens e velhos, mas mexeu principalmente com o aprendizado de comportamento. As pessoas viviam sem perceber as conseqüências, tanto em relação a valores como de consumo”, acredita.

A moda bate na tecla do consumo consciente há pelo menos cinco anos, para que as pessoas passem a comprar apenas aquilo que realmente necessitam. “Só que tudo estava muito tranquilo até então para financiamentos, crédito fácil, juros baixos, as pessoas não estavam pensando no modo de consumir. Agora, com o baque do desemprego, todos estão repensando como se comportar diante disso”, afirma a pesquisadora.

Automaticamente o lado do comércio começou também a pensar em como trabalhar o consumidor que hoje está mais consciente com as suas economias. “Reflexo disso foi o Natal, com a queda de 3% nas vendas”, lembra Ruth.  

Mudanças visíveis 

A moda no vestuário está buscando oferecer menos quantidade e mais qualidade, com cuidado com os custos. Segundo Ruth Fingerhut, a moda de luxo tem o público dela e mesmo assim está se movimentando para atender de maneira mais especifica essa tribo, pois não é porque eles têm maior poder aquisitivo que vão desperdiçar. “A moda do grande público também está se inovando. Vi esses dias um estilistas falando sobre as cápsulas, que são pequenas coleções lançadas mais vezes ao ano, de uma maneira mais orientada”, diz a pesquisadora, ressaltando que a moda tem utilizado mais tecidos misturados, práticos, sustentáveis, ligados aos valores, já que os consumidores estão mais atentos.

Para Ruth, liberdade é a palavra chave na moda para 2016 e 2017. “As pessoas querem ser o que elas quiserem, e não o que os outros vão encontrar nelas”, afirma sobre a moda admitir atualmente o uso de roupas que supostamente não estariam mais em alta. Agora, se ouve muito falar em composição, com roupas que se usou em outra estação comprando apenas um elemento que dá um toque inovador no look, casando com o conceito de moda cápsula mencionado anteriormente. 

Na decoração, o lema hoje é “abraçar as pessoas”, baseando-se novamente no conforto, no que a pessoa acha que cabe a sua personalidade, ao seu modo de viver. Na alimentação é possível presenciar mudanças até nos fast foods, que mudaram a maneira de ofertas as coisas, e trazendo frutas e saladas no cardápio, visando atingir também o público que opta por uma vida mais saudável. “Não dá para generalizar mais. Tem que prestar atenção nos grupos de consumidores e atender diversas tribos”, explica Ruth.

Nessa onda de tendência, também entram os veículos. Ruth afirma que ao visitar feiras de automóveis em São Paulo, pode conferir carros com textura de superfície. Moda que acompanha as texturas de superfície para móveis, acabamentos, e roupas. “A indústria automobilística tem um papel muito forte, tanto para a criatividade dos outros segmentos quanto para se unir a um determinado conceito”, diz, exemplificando uma coleção de Glória Coelho baseada nas linhas dos carros da alemã Audi. 

"As pessoas estão querendo buscar seu equilíbrio. Elas vão amadurecer. Estão numa fase de descoberta. O ano de 2016 provocou muito as pessoas a ficarem mais atentas ao seu redor, e em 2017 estaremos muito mais maduros e determinados.”

O que esperar de 2017 

“As pessoas estão querendo buscar seu equilíbrio. Elas vão amadurecer. Estão numa fase de descoberta. O ano de 2016 provocou muito as pessoas a ficarem mais atentas ao seu redor, e em 2017 estaremos muito mais maduros e determinados”, afirma Ruth visualizando o próximo ano.

Entre as apostas de Ruth para o vestuário para o ano que se inicia neste domingo, está o confort wear (moda confortável). “Já está acontecendo, mas vai explodir em 2017. Ninguém quer mais aquela coisa agarrada, apertada. Eles querem uma moda para as pessoas que têm uma atividade que se inicia pela manhã, mas à noite vão estender para happy hour, e que possa usufruir dessa roupa”, diz, sobre uma moda que já atingia os grandes centros, mas que a partir deste ano deve tomar conta do país.

Em decoração, algumas marcas já anunciam o verde como promessa, mas o cinza, para Ruth, é o novo pretinho básico, inclusive no guarda-roupa. Interiores com cor de concreto, com revestimentos modernos que imitam obras fazem parte do chamado “urban life”.

O movimento inclui também madeira natural tingida de cinza. “Existe uma tendência forte dos elementos naturais com respeito a natureza, com madeira certificada e bambu”, salienta a designer. Materiais como o porcelanato líquido também se destacam já que com ele é possível aplicar uma camada fina em cima de uma cerâmica e ter um novo revestimento, sem quebrar nada e jogar entulho na natureza.

O xadrez vai voltar com tudo em 2017, tanto nas roupas como na decoração. “No cerâmico era muito difícil imprimir o xadrez, porque não dava certo a emenda. Hoje com a impressão HD digital, você consegue, inclusive na madeira natural para fazer detalhes ou painéis”, diz.

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