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Cabelo Afro: jovem de Florianópolis cria blog para registrar o retorno ao cabelo natural

Stephanie Pereira é jornalista e escreve sobre tratamentos e penteados voltados à raça negra

Karin Barros
Florianópolis
03/02/2017 às 15H25

Há dois anos, a jovem Stephanie Pereira, 25, começou a questionar suas escolhas estéticas, e elas começaram pelo cabelo. Negra, ela alisava o cabelo desde os 12 anos de idade. “Eu achava um absurdo não lembrar da textura do meu próprio cabelo”, diz ela, que é formada em jornalismo pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), natural de Criciúma, mas moradora de Florianópolis. O motivo dessa transformação precoce: uma sociedade preconceituosa que ditava ao mundo que meninas deveriam ter cabelo liso. “Eu sofri muito bullying por isso, e acabava odiando meu cabelo”, conta. Não que essa ditadura da moda tenha mudado muito até os dias de hoje, porém, com a força do empoderamento feminino, dezenas de mulheres negras passaram a assumir o cabelo original, ou até mesmo penteados característicos de africanos, expressando para quem quiser ver o orgulho que sentem da própria história. 

Não é difícil encontrar na rua atualmente homens e mulheres com os chamados “black Power” (moda nos anos 1960/1970) ou as “tranças box braids” (ou canecalon). Perucas também estão em alta, e uma das precursoras brasileiras que tem disseminado o estilo, é a funkeira Ludmilla. Ela usa o que chamam de “full lace”, uma prótese capilar tendência nos Estados Unidos, que pode ser encontrada em várias cores e de diversos estilos. O valor desses cabelos chegam a R$ 200 mil. Stephanie dá a dica da “lace wigs”, que pode ser retirada a qualquer hora, e que tem valor partindo normalmente de R$ 300 a quase quatro dígitos, e são compradas pela internet.   

No meio desse processo capilar, Stephanie começou a ler muito sobre tratamento para cabelo crespo, porém, as informações se concentravam em sites do exterior, quase nada no Brasil, um país justamente com toda sua história em torno da raça negra. “O que tinha de brasileiro era dica para quem já tem cabelo crespo ou quer manter alisado, não para quem quer voltar ao cabelo original”, explica. 

Stephani conta nos vídeos como fez para voltar ao cabelo natural - Flávio Tin/ND
Stephani conta nos vídeos como fez para voltar ao cabelo natural - Flávio Tin/ND



Em meio às pesquisas, decidiu prestar mais atenção na saúde do próprio cabelo e na relação com ele, e registrar tudo que aprendia. Dessa maneira surgiu o blog – que também é página no Facebook – Cabelo Afro. “Ele surge para preencher esse gap de informação que eu só encontrava fora, e para registrar minhas descobertas. Aprender mais sobre cabelo afro”, pontua Stephanie. 

Entre as descobertas iniciais da jovem, e talvez principais, está o uso de óleos naturais para cabelo crespo. “Minha avó e minha mãe me ensinavam isso quando eu era pequena, mas durante a vida a gente não resgata essas coisas”, diz.  Hoje, Stephanie tenta não usar química no cabelo para obter a textura natural, e chegar finalmente ao dia do “big chop” (corte de transição capilar). Porém, se perguntada se é contra o alisamento, ela é direta: “você tem que entender porque você começou a alisar o cabelo, e ai você decide se quer continuar ou não”. 

Para proteger o cabelo natural, ela já utilizou as box braids, lace wigs, crespo curto, crespo e curto com alongamento. É possível acompanhar todas as transformações dela pelo Cabelo Afro. “Descobri que muitas mulheres utilizam a peruca não só porque precisam por alguma doença, mas porquê querem se sentir bem”, diz Stephanie.   

Depois de escrever e se analisar muito, Stephanie diz que não se importa em ter o cabelo liso novamente, porquê sabe que agora o cabelo é parte do que ela é e não o principal, e que agora não estará seguindo um padrão ditado pela sociedade, e sim sua vontade própria em ter ou não o cabelo natural. Stephanie segue influenciadoras digitais com os mesmos ideais nas redes sociais, como Anne Barreto e Nátaly Neri, e as tem como inspiração de beleza e dicas. Hoje, a página Cabelo Afro tem três mil curtidas, sendo que a maioria são mulheres vindas de São Paulo, Bahia, e de fora, como Cabo Verde, Angola e Moçambique.

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