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Bibi Ferreira faz show neste sábado em Florianópolis com repertório de Frank Sinatra

Em entrevista, artista fala do pai, da sua voz e conta sobre o concerto que apresentará na Capital

Karin Barros
Florianópolis
23/06/2017 às 18H12
Aos 95 anos, Bibi canta sucessos de Frank Sinatra, entre eles “That`s Life”, um jazz que ela considera “lindo” - Wilian Aguiar/Divulgação/ND
Aos 95 anos, Bibi canta sucessos de Frank Sinatra, entre eles “That`s Life”, um jazz que ela considera “lindo” - Sérgio Lima/Folhapress/ND



Qualquer fragilidade que uma senhora de 95 anos aparente ter, em Bibi Ferreira some quando ela põe os pés no palco. Com 76 anos de carreira, Bibi se mantém firme em suas turnês e mostra aos críticos que o vigor e o talento para a música só melhoram com o passar do tempo.

Neste sábado, a grande dama dos palcos faz show em Florianópolis, com o espetáculo que interpreta clássicos de Frank Sinatra, que começou como uma brincadeira de bastidores e se tornou mais um projeto arrojado. Na apresentação, que iria ocorrer em 13 de maio, mas foi transferida por uma virose que acometeu a artista, irá passear pelos principais sucessos de Sinatra como “My Way”, “Fly Me To The Moon”, “I’ve got you under my skin”, e canções que ele gravou de Tom Jobim.

Bibi Ferreira já encarou outros grandes desafios nas mais de sete décadas de música e teatro: cantou Edith Piaf, Amália Rodrigues, Carlos Gardel, Dolores Duran, Chico Buarque, entre outros.

Filha de Procópio Ferreira, estreou com a peça “La locandiera”. Três anos depois, montou sua própria companhia teatral, onde reuniu nomes como Cacilda Becker, Maria Della Costa e a diretora Henriette Morineau. De 1960 em diante, a atriz e cantora dirigiu e atuou em diversas peças e musicais.  Em meados de 2010 começou a realizar espetáculos focados em apenas um artista, como o show que será apresentado na Capital.

Confira a entrevista com Bibi feita por e-mail:

Seu repertório é feito ao lado do maestro Flavio Mendes, certo? Como ocorre as escolhas das músicas no caso do show que a senhora irá apresentar em Florianópolis, já que Sinatra tem uma infinidade de canções propícias?

Os shows são montados com a parceria do meu maestro Flavio Mendes e do meu empresário Nilson Raman, que também é o mestre de cerimônias do espetáculo. Eles me trazem ideias dos shows, dos repertórios, dos textos. Dou minhas sugestões e acertamos o roteiro. Sinatra foi assim também. Fizeram uma seleção com as canções mais significativas do Sinatra e do período que ele viveu. Selecionei as que mais gostava, as que tinham histórias para contar e assim fomos costurando roteiro e textos.

 

Dessas músicas escolhidas para o show, qual delas a senhora prefere cantar e por quê?

“That’s Life”, porque é uma música linda, arranjo lindo. Um jazz. Se fôssemos aportuguesar a canção, o resumo dela seria: “levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!!!!!” E eu acho que é isso aí. Sempre pronta para sacudir a poeira e dar a volta por cima.

 

 Como a senhora vê a representação da música de Frank Sinatra para o mundo?

 Ele continua sendo muito tocado no mundo todo. Mas muito mesmo. Recentemente, na última vez que me apresentei em Nova York, jantei no restaurante Carmine’s. Você sabe que a noite toda tocou músicas do Sinatra, sempre acompanhado por orquestras. Impressionante o sucesso que ele continua fazendo no mundo.

 

E Edith Piaf, qual a importância dela na sua carreira?

Imagine você que eu estava saindo de “Gota d’água”, de 1975 a 1980. O que fazer depois? Quantas vezes me perguntei isso. “Gota” é a maior obra da dramaturgia brasileira. A maior, sem dúvida. Um dia chegou o convite para fazer Piaf, do produtor Pedro Rovai. De cara gostei muito da ideia, pois era um texto que estava sendo montado em várias partes do mundo, em homenagem aos 20 anos de morte da Piaf. Mas não me encontrei tão rápido assim com o repertório dela. Achava um pouco triste. Cheguei a desistir do projeto. Um dia uma amiga me ligou e me chamou para ir a casa dela. Quando lá cheguei, ela estava com vários discos da Piaf e foi me mostrando outras canções. Me fez ouvir com calma, percebendo a riqueza das músicas. Piaf, com certeza, é um dos maiores sucessos da minha carreira, embora guarde com muito orgulho muitas coisas que fiz.

 

Ao completar 95 anos, quais são seus planos de vida? Existe algo que não tenha realizado que ainda é um desejo muito forte, por exemplo?

Tenho uma vida simples, tranquila. Bem- humorada. Claro que tenho planos, mas não fico pensando a longo prazo. E também não fico presa ao passado.

O que você traz desses 76 anos de carreira para a sua vida?

Saber que tudo que fazemos na vida, temos que fazer com amor, inteira, plena. Com verdade. Dar o seu melhor em tudo, para nos sentirmos orgulhosos de nós mesmos.

 

Sua voz é seu instrumento de trabalho, como mantê-lo tanto tempo em “bom estado”? Desde nova a senhora tomou os cuidados certos ou a preocupação foi algo recente?

São várias coisas. Antes de tudo, me acho muito abençoada por Deus. Tenho uma saúde muito boa. Meu pai [o ator Procópio Ferreira], tinha uma voz linda, uma dicção perfeita. As entonações que fazia... ah, até hoje não tem para ninguém. Papai brincava de escolher uma frase e falar de várias formas diferentes. Então sempre tive a consciência do quanto a voz é fundamental para um ator. A música, e por consequência o canto, sempre estiveram muito presentes na minha vida e na minha carreira. Nunca fumei, não bebo, não tomo gelado, mas sou muito tranquila com tudo. E na hora que abre a cortina, só tenho um objetivo: dar o meu melhor.

 

No Teatro Álvaro de Carvalho, no Centro de Florianópolis, há uma placa em homenagem ao seu pai que se apresentou no local. Você tem lembranças da cidade?

Sim, das muitas vezes que fui e que o papai foi. Ele adorava fazer suas pré-estreias no Sul, Florianópolis e Porto Alegre. Sempre falava para mim: “minha filha, não existe público igual ao do Sul do nosso país”. 

 

 O quê a senhora escuta quando está em casa?

Gosto muito de balés, de óperas. Gosto muito de ler.

 

Tem algum músico atual que chama sua atenção?

Percebo que tem muitas coisas boas acontecendo. Muitas mesmo. Essa menina Anitta é uma graça. Adoro a Joyce Cândido, uma bela voz e ainda toca piano. Recentemente ouvi a Beatriz Rabello. Linda voz também. Que afinação. Já andei vendo alguma coisa da Alice Caymmi e digo que essa menina tem muita personalidade.

Serviço:

O quê: Bibi Ferreira canta repertório de Sinatra

Quando:  24/6, 21h

Onde: Teatro Ademir Rosa (CIC), av. Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis

Quanto:  R$ 220/ R$ 110 (meia) - há poucos ingressos

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