Publicidade
Terça-Feira, 23 de Outubro de 2018
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 18º C

Bem-vinda primavera: Paisagista dá dicas de como valorizar o verde e as flores em casa

Maria Mercadante Bedrikow tem uma floricultura no Rio Tavares e produz arranjos, buquês e terrários com espécies exóticas e ainda pouco exploradas

Andréa da Luz
Florianópolis
22/09/2018 às 09H31

Começa a primavera e, de mansinho, a gente vê a cidade se encher de cores e do perfume das flores. As árvores voltam a brotar, tudo parece mais verde e brilhante... Não é por acaso que as pessoas buscam trazer essa atmosfera para dentro de casa. 

"As plantas trazem uma energia boa e a falta de contato com a natureza e o excesso de conectividade acaba fazendo com que as pessoas valorizem mais o verde. Já foi moda, agora é uma necessidade", afirma a arquiteta e paisagista Maria Mercadante Bedrikow.

Maria Mercadante Bedrikow faz arranjos, buquês e terrários com espécies pouco exploradas - Flávio Tin/ND
Maria Mercadante Bedrikow faz arranjos, buquês e terrários com espécies pouco exploradas - Flávio Tin/ND


Proprietária da Floricultura We Plant, que mantém há quatro anos no bairro Rio Tavares, em Florianópolis, Maria encontrou em novos tipos de plantas o seu nicho de mercado. A paulista nascida em São João da Boa Vista (SP) mudou-se para Florianópolis quando tinha apenas um ano de idade e agora, com 38, cultiva sua paixão de infância, que são as plantas.

Entre suas preferidas estão suculentas, flores secas e espécies bem diferentes, que escolhe a dedo junto aos fornecedores em São Paulo. Com elas, produz e comercializa arranjos criativos e exóticos, terrários, plantas para decoração com proposta mais antenada que seguem a moda ou seu próprio estilo, buquês de flores, workshops de flores e terrários e serviços de decoração de pequenos eventos, como mini weddings. As vendas são feitas no próprio ateliê e na loja online, com entrega em toda a cidade.

Maria cita alguns exemplares que estão em alta na decoração. A Ficus lyrata, por exemplo, é uma árvore estrangeira que vem sendo muito procurada e serve para ambientes internos de casas, escritórios, varandas e sacadas.

Segundo a paisagista, há uma crescente valorização de exemplares brasileiros. "Com folhas coloridas e diferentes texturas e formatos, são boas indicações para dentro de casa", diz Maria. De origem tropical, as marantas têm folhagem estampada e iluminam o ambiente. Algumas folhas podem lembrar a casca de uma melancia, com tons de verde mais claros e outros mais escuros. Como não precisam de muita luz solar, adaptam-se bem aos ambientes internos e frescos, com temperaturas que variam até os 25ºC.

A costela-de-adão da Amazônia (Monstera adansonii), traduz bem a atmosfera tropical e demanda pouca manutenção. "Você pode fazer um arranjo apenas com uma folha, que custa R$ 10, e ele dura até dois meses na água, que sempre deve estar limpa", explica Maria. Em jardins, formam lindos e exuberantes aglomerados com suas folhas gigantes. São boas opções para cantos de muros e sob outras árvores.

Costela-de-adão traz atmosfera tropical para dentro de casa - Flávio Tin/ND
Costela-de-adão traz atmosfera tropical para dentro de casa - Flávio Tin/ND


A velha conhecida samambaia, presente em boa parte das casas brasileiras nos anos 1980 está voltando à cena, mas Maria prefere garimpar seus achados entre espécies pouco conhecidas ou menos exploradas. Como é o caso das flores secas, com as quais produz lindos buquês. “Fizemos um buquê de noivas com flores secas que durou cerca de três anos! Eles são ótimos enfeites para quem não tem tempo de cuidar das plantas e para espaços com pouca luz, como o lavabo", ensina.

Também estão no rol das tendências, as suculentas e os cactos, que ficam lindíssimos em terrários e sobrevivem até um mês sem regas.

Por onde começar?

Para quem nunca teve uma plantinha ou acha que não leva jeito com elas, a boa notícia é que há tipos que demandam pouquíssimo cuidado e sobrevivem bem em ambientes internos e com pouca luz.

De acordo com a proprietária da We Plant, é preciso observar a energia da pessoa e seu estilo de vida. “Pessoas com muita energia, que costumam fazer várias coisas ao mesmo tempo e querem cuidar de tudo, costumam dar muita água para as plantas; enquanto as que são mais ‘largadas’ se dão melhor com plantas que têm baixa manutenção, como as suculentas”.

Porém, Maria lembra que não basta colocar água. "As plantas também precisam de nutrientes, portanto de tempos em tempos é preciso trocar a terra e colocar o adubo indicado para a espécie".

É bom lembrar que as plantas são seres vivos e se movimentam e reagem de acordo com as emoções. “Se você não gosta delas e fica dizendo isso o tempo todo, elas acabam murchando. Observe também a energia do ambiente – se houver algo negativo, a planta vai tentar se desviar daquela energia, e seus galhos crescerão para outro lado”, afirma.

A busca por diferentes espécies torna os buquês da We Plant singulares - Flávio Tin/ND
A busca por diferentes espécies torna os buquês da We Plant singulares - Flávio Tin/ND


Para escolher a planta ideal deve-se levar em conta o tipo de ambiente [externo ou interno], o crescimento da planta e o espaço [e tempo] disponível. A arquiteta explica que ambientes internos combinam com plantas de folhas escuras, que gostam de sombra e são, em sua grande maioria, apenas folhagens, sem flores. "É mais difícil manter flores dentro de casa porque elas precisam do sol para florir, então a dica é deixá-las durante a floração dentro de casa e, ao término, colocá-las para fora, onde há um ambiente mais próximo ao seu habitat natural".

A dica vale especialmente para as orquídeas. "Todos falam que é difícil cuidar de orquídeas, mas é bem fácil: basta borrifar água nas folhas uma vez ao dia, como se fosse um orvalho, e regar uma vez por semana, encharcando o solo até sair água por baixo do vaso". Isso é uma imitação do que acontece na natureza, onde elas só recebem bastante água quando chove, mas estão sob o orvalho todos os dias. A maioria das espécies prefere pouco sol, por isso, seguindo a dica acima, quando não estiverem florindo, leve-as para fora e deixe embaixo de uma árvore para que se desenvolvam melhor.

Mas se você não quiser ter trabalho nenhum, tente um lindo arranjo de flores secas. Colocadas dentro de um vidro, elas podem enfeitar o escritório, a sala ou qualquer ambiente que você queira. Cactos e suculentas também demandam pouca água e nutrientes, sendo super fáceis de cuidar.

Arranjos podem ser boas opções para quem gosta de mudar sempre. Menos perenes, são feitos com uma gama bem ampla de diferentes flores de corte. "Uma haste de R$ 5 pode durar até 10 dias e já muda a cara de um ambiente", diz Maria.

Como fazer seu próprio arranjo

1. Use flores do seu quintal para produzir seu próprio arranjo. Mas tome cuidado para escolher espécies que tenham certa durabilidade. "O hibisco é lindo, mas no dia seguinte já murchou", lembra a paisagista. A rosa dura até uma semana e o antúrio, de 15 a 20 dias.

2. Busque harmonia de cores e de espécies. As plantas tropicais são mais masculinas, costumam ter folhas pontudas e rígidas, como a espada ou a lança de São Jorge. Elas não combinam muito bem com o grupo das flores do campo, que são mais delicadas e de cores suaves. Use um ou outro grupo para compor o seu arranjo.

3. Use pouca água e deixe-a sempre limpa. "A quantia é apenas o suficiente para cobrir a parte da haste, que deve ser cortada na diagonal para aumentar a superfície de absorção", ensina Maria.

>>> Fique ligado: no mês de outubro, a We Plant deverá oferecer workshops de arranjos e de terrários. 

Terrário suspenso abriga suculentas e demanda pouca manutenção - Flávio Tin/ND
Terrário suspenso abriga suculentas e demanda pouca manutenção - Flávio Tin/ND


Serviço

Floricultura e ateliê We Plant
Servidão Elpídio da Rocha, 330 – Rio Tavares
(48) 3307-2902
www.weplant.com.br

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade