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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Bailarina apresenta performance no Centro de Florianópolis até sexta-feira

Karin Serafin, em parceria com Renato Turnes, realiza "Parte da paisagem" na avenida Hercílio Luz

Karin Barros
Florianópolis
Rosane Lima/ND
Essa é a segunda parceria artística de Renato e Karin


A avenida Hercílio Luz, uma das mais movimentadas no Centro de Florianópolis, será dominada pela arte a partir de hoje. “Parte da paisagem” deve impactar de formas diferentes pessoas que forem até o local sabendo do evento; quem não souber, mas for surpreendido pela encenação, e, quem estiver no local e interagir com a bailarina Karin Serafim, que também integra o grupo dança contemporânea Cena 11. A performance é uma criação da bailarina com o diretor de teatro Renato Turnes, em que os três dias de apresentação resultarão em seis intervenções.

O start de ir para a rua foi inspirado na arte de Banksy, um veterano artista de rua britânico, cujos trabalhos em estêncil são encontrados nas ruas da cidade de Bristol, mas também em Londres e em várias cidades do mundo. “Começamos a pensar no trabalho da rua, pensando no trabalho dele [Banksy], de comunicação fácil, popular, político e bonito”, explica a bailarina Karin. 

O projeto, idealizado por meio do edital Elisabete Anderle 2014, faz relações da arte de rua, performance, dança e teatro, em uma mesma manifestação, sem a necessidade de enquadrar. “Parte da paisagem” é uma performance de rua que dialoga com o público que passa e com as artes visuais feitas na rua, já que o projeto também tem como convidados os artistas visuais: Camila Petersen, Daniele Zacarão, Gabriel Vanini, Pedro Franz e Rica de Lucca. Após participarem da apresentação como expectadores, eles vão deixar rastros na avenida de suas observações, como lambe-lambe e grafites. 

O projeto de Karin e Turnes também tem ligação direta com o lugar em que é apresentado. “Conforme a gente foi trabalhando, cada vez essa necessidade foi ficando mais forte. Ele é para ser apresentado na rua, em específico Hercílio Luz, porque conta e tem a memória, traz vestígios daquele lugar”, diz Karin, sobre experimento também conhecido como site-specific. 

A bailarina percorrerá desde a praça, na altura do Cachorro-quente do Afonso, até o Clube 12, fazendo performances específicas em cinco pontos, entre eles o Oscar Hotel, o conjunto de prédios conhecido como “paredão" e a fachada do clube. “Nessa hora, existe uma coisa que transcende o tempo, porque são coisas que ainda estão ali, e essa fronteira sobre o que ainda acontece, se é real, se eu to inventando, fica borrada”, afirma Karin. 

Os artistas ainda esperam chamar a atenção para o local onde estão, se sabem que ali embaixo existe um rio – o antigo rio da Bulha -, que ele foi canalizado e coberto. “Tem uma história da transformação urbana, política, algo que não é literal, mas que de alguma forma a gente toca”, diz Turnes. A dupla quis criar uma trajetória na performance como se fosse esse rio correndo em direção a um mar que já não existe, justamente por causa do aterro, e quando ela acaba, também muda o espaço, com as obras que virão dos artistas convidados.  

Parceria da arte 

Depois do solo de dança “Eu faço uma dança que a minha mãe odeia”, essa é a segunda parceria da dupla na arte, apesar de já se conhecerem a muitos anos e sempre acompanharem um o trabalho do outro. Mesmo sendo da mesma área, eles não permeiam os mesmo caminhos, por isso, o trabalho de Renato com Karin acaba sendo bem colaborativo. “Não é uma direção o que eu faço aqui. Quando se trabalha com uma artista como a Karin, que propõe o tempo todo, eu fico meio que fazendo uma função de questionador, um elemento para ela se segurar, um olhar que ela confia”, acredita Turnes sobre a concepção que fizeram para essa semana.

Para Karin, a relação dos dois é como ela mesma entende que deva ser a relação de diretor e artista. “Talvez, se eu tivesse que trabalhar com um diretor que me impusesse coisas e não tivesse esse diálogo, não saberia lidar com esse diretor. O mesmo acontece no Cena 11”, acrescenta.  As apresentações da performance acontecem até sexta, sempre às 12h30 e às 15h, e as intervenções artísticas começam a serem expostas a partir de sábado, e não tem data para serem recolhidas, estando sujeitas ao tempo e a intervenção do público.

Serviço

O quê: “Parte da paisagem”, com Karin Serafim
Quando: de 1 a 3/6, 12h30 e 15h
Onde: avenida Hercílio Luz, Centro, Fpolis
Quanto: gratuito

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