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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Audiovisual cria conexões entre colecionadores anônimos de Santa Catarina

Exibição e conversa com colecionadores, psicóloga e neurologista acontece hoje, às 14h, Museu da Imagem e Som, no CIC

Edinara Kley
Florianópolis

Um homem que coleciona jogos de tabuleiros. Uma professora que junta moedas do ano em que nasceu. Uma aluna que coleciona cédulas herdadas do avô. Um avô que tem coleção de relógios de bolso. Uma moça que coleciona unhas roídas. O prazer de encher uma latinha ou um cômodo da casa com objetos - comuns ou excêntricos - cria conexões. Ligados pela mania de acumular coisas, 15 colecionadores foram escolhidos pelo MIS/SC (Museu da Imagem e Som de Santa Catarina) para participar do projeto audiovisual “E você, o que coleciona?”, exibido hoje durante a programação da Semana de Museus.

José Carlos Diniz Jr coleciona wargames – jogos de tabuleiro inspirados no tema de guerra. Em sua casa, no Rio Vermelho, guarda mais de 600 exemplares comprados ao longo de nove anos. Além dele, que ele saiba, existem somente outros três brasileiros com a mesma fixação pelos “brinquedos”. Havia quatro, mas um morreu e o paulista que mora no Norte da Ilha comprou parte de sua coleção. Alguns jogos têm o tamanho de um cartão postal, outros são considerados gigantes, ultrapassam as cinco mil peças e precisam de uma garagem para ser jogado.

 

Eduardo Valente/ND
José Carlos Diniz guarda mais de 600 jogos de tabuleiro inspirados no tema de guerra

Pouco apreciados no Brasil, os wargames são sensação nos países nórdicos especialmente pelos moradores de regiões que ficam meses submersas pela neve. “Lá é mais avançado, tem até salas de jogos projetadas para os tabuleiros. Aqui, só se joga na mesa da sala de jantar e quando a mulher deixa”, brinca o analista em reforma agrária de 45 anos.

Diniz conta que a coleção aconteceu por acaso, ainda em Santos, onde morava em 1997. “Entrei numa revistaria, vi as caixas e perguntei o que era. O cara me mostrou e eu fiquei superinteressado, mas era caro, então comecei a comprar aquelas coleções que vinham nas revistas”, lembra. Na medida em que foi conhecendo novos jogos foi adquirindo mais e mais exemplares, a maioria importada dos Estados Unidos, Japão e Austrália. Na época a aquisição era feita por meio de correspondência e levava semanas para receber. Hoje, pela internet, tudo ficou mais fácil e agora seu único contratempo é não ter com quem jogar. Um jogo simples demora no mínimo suas horas; um mais complexo, pode levar dias até que surja um ganhador.

Mesmo não estando à venda, o Diniz calcula que o acervo custe uns US$ 20 mil. “É diluído, o jogo mais caro custou US$ 150. Mas existem alguns raros, caríssimos”, reitera. O funcionário público lembra que única vez em que precisou se desfazer de alguns itens da coleção, foi quando ficou desempregado, entre 2002 e 2005. Logo após conseguir emprego, retomou as atividades que agora, junto com outros colecionadores livres, integra o projeto do MIS/SC.

Histórias distintas e conexas

O que leva as pessoas a colecionarem coisas? Para responder a pergunta, os técnicos do MIS, que criaram projeto “E você, o que coleciona?” saíram em busca de colecionadores anônimos pelo Estado. A história dessas pessoas virou um vídeo que será exibido hoje, às 14h.  “A partir da temática da Semana de Museus [Coleções criam conexões] fizemos uma campanha nas redes sociais procurando colecionadores e depois fomos atrás dessa histórias. Foi interessante porque pudemos sentir essa conexão e até mesmo criá-las durante as gravações”, conta a administradora do museu, Cristiane Pedrini Ugolini.

Em Criciúma, a equipe encontrou a professora Cristiane Dias, que coleciona moedas de 1977, ano em que nasceu. Ela tinha uma coleção pequena, mas motivada pelo tema fez uma feira na escola onde leciona, e atraiu outros colecionadores, que também estão no vídeo.  Babies, dragões, cédulas, xícaras, relógios, cosoles de videogame, papéis de carta, ingressos, pias de água benta em miniatura, chaveiros, copinhos, calendários de bolso, contracheques, unhas. Não há limites ou modismos que impeçam um colecionador de guardar seus objetos de desejo, por mais estranhos que sejam.

Unhas na caixinha

Aionara Preis, ceramista formada em artes visuais, faz parte da lista dos excêntricos. Roedora de unhas desde pequena, começou guardando nos bolsos e depois, sem perceber estava acumulando o material em uma caixinha. A família percebeu, estranhou, mas respeitou o novo hábito da menina. “As pessoas acham estranho, ficam com nojo e depois curiosas por este meu hábito”, conta. O por quê desta coleção, ela não sabe explicar, e se dasfazer das unhas também não está nos planos.  “É difícil explicar o por que, pode estar amarrado com hábito de guardar os dentes de leite e os dentes do siso. São como extensões desmembradas do corpo. Quem coleciona acaba desenvolvendo afeto pelos objetos”, analisa.

No evento do MIS, especilaistas receberão acumuladores e haverá participação da psicóloga e professora da UFSC (universidade Federal de Santa Catarina)  Andrea Vieira Zanella e do médico neurologista Itamar Rios, que vão tentar explicar os mistérios e fascínios da mente que existem por trás do desejo de colecionar.

Serviço

O quê: Exibição vídeo e conversa “E você, o que coleciona?”, com colecionadores, psicólogo e neurologista
Quando: 16/5, 14h
Onde: Museu da Imagem e Som, av. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis, tel.  3953-2380
Quanto: Gratuito

 

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