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Atuação de Salim Miguel e Eglê Malheiros é discutida em simpósio da UFSC

Dentro da programação da Semana de Letras, a palestra tratará da interferência do casal na cena cultural catarinense no século 20

Redação ND
Florianópolis
07/06/2017 às 11H09

Dentro da programação da Semana de Letras da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), as professoras Luciana Wrege Rassier e Zilma Gesser coordenam nesta quarta, a partir das 14h, o simpósio “Salim Miguel e Eglê Malheiros: Intelectuais e Agentes Culturais”, na sala Hassis, localizada no andar térreo do prédio do Centro de Comunicação e Expressão. A primeira palestra será da professora Luciana, que pesquisa a obra do escritor Salim Miguel desde 2004, e terá como tema o trabalho do casal que atuou fortemente junto ao Círculo de Arte Moderna (Grupo Sul), que interferiu na cena cultural catarinense nas décadas de 1940 e 1950, especialmente na literatura, no teatro, no cinema e nas artes plásticas.

Salim Miguel - Marco Santiago/Arquivo/ND
Eglê Malheiros e Salim Miguel, que morreu em 2016, em foto feita quando moravam em Florianópolis - Marco Santiago/Arquivo/ND


Depois, Iran Silveira falará sobre as aproximações do grupo com as primeiras gerações de autores modernistas brasileiros, uma vez que os ventos inovadores que surgiram em 1922 custaram a chegar a Florianópolis. A professora Maristela da Rosa vai abordar o tema “Trajetória Social da Representante Feminina na Revista Sul”, que se detém sobre o papel de Eglê Malheiros no grupo – presença única, e não apenas intelectual, mas ideológica. Por fim, a comunicação de Allende Renck Pereira tem por título “O Jogo da Velhice: Salim Miguel, Morte e o Rastro Derridiano”.

Salim Miguel, morto em abril do ano passado, e Eglê Malheiros, 88 anos, continuam sendo referências para a literatura feita no século 20 em Santa Catarina. O último livro do escritor, “Nós”, saiu pela Editora da UFSC e faz parte da lista de leituras para o vestibular 2017 da instituição. Em 2015, Luciana Rassier fez seu pós-doutorado comparando a obra de Salim, autor “líbano-biguaçuense”, à de escritora Abla Fahroud, “líbano-quebequense”. A professora atua no Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras da UFSC desde 2010, mas três anos antes publicou na França, pela editora parisiense L”Harmattan, o livro “Primeiro de Abril – Narrativas da Cadeia”, a partir de tradução feita em parceria com Jean-José Mesguen. A professora Zilma Gesser é vinculada ao Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da universidade. O acesso ao simpósio é gratuito.

Defesa intransigente do moderno e do engajado

Em sua comunicação, Luciana Rassier vai analisar a obra e o percurso do casal Salim Miguel (1924-2016) e Eglê Malheiros (1928-), com destaque para o papel do Círculo de Arte Moderna de Santa Catarina na transformação do cenário cultural de Florianópolis e do Estado. Vai falar das funções que exerceram, da tarefa de agregação que assumiram e do impacto que esse trabalho teve sobre outros intelectuais e sobre os autores das gerações seguintes, no Estado e fora dele.

Na abordagem de Iran Silveira o destaque será o vínculo do grupo e da revista Sul com o modernismo e a defesa de seus postulados. Mesmo pertencendo cronologicamente à terceira geração de modernistas, os catarinenses se colocaram ao lado das propostas iniciais do movimento, de autores como Mário de Andrade, autor caro a Salim, e Graciliano Ramos, da geração subsequente.

Ao falar da participação de Eglê Malheiros, Maristela da Rosa ressaltará os textos que a escritora e educadora publicou na Revista Sul, principal veículo de difusão das ideias do grupo. Com grande bagagem cultural, ela atuou nos movimentos comunista e modernista, graduou-se em Direito e tornou-se professora de História. Além de negar a condição de coadjuvante num ambiente predominantemente masculino, ela foi essencial em tarefas como a seleção do material da revista, que teve 30 edições, a revisão tipográfica e a articulação do intercâmbio com escritores do Brasil e de outros países. “Principal veículo do ideário modernista, a Sul foi, nas mãos de Eglê, um instrumento de militância política, de luta pela renovação, por uma nova ordem social”, diz Maristela.

A última comunicação será a de Allende Renck Pereira, que apresentará um paralelo da escrita de Salim Miguel com a proposta do filósofo Jacques Derrida no tocante à presença-ausência do “rastro”. Para isso, ele usará o conto “As queridas velhinhas”, no qual Salim demonstra a intensa presença de duas irmãs em uma cidade pequena por toda a sua vida.

Serviço

O QUÊ: simpósio “Salim Miguel e Eglê Malheiros: Intelectuais e Agentes Culturais”
ONDE: sala Hassis do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em Florianópolis
QUANDO: hoje, quarta-feira, das 14h às 16h
QUANTO: entrada gratuita

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