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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Atriz portuguesa abre o Festival Isnard Azevedo com "Dona Maria, a louca", texto catarinense

Maria do Céu Guerra dirige e atua na peça de Antônio Cunha, em montagem que levou uma nova faceta da rainha Maria à sua terra natal

Carolina Moura
Florianópolis
Luís Rocha/Divulgação
"Dona Maria, a louca" é um monólogo que se passa em 1808, quando a rainha passou dois dias sozinha com sua aia no interior do navio que transportou a família real para o Brasil


A abertura do Festival Isnard Azevedo deste ano é um encontro de trânsitos. Em 1999, Antônio Cunha, natural de Florianópolis, escreveu a peça “Dona Maria, a Louca”, que tem como protagonista a primeira mulher reinante de Portugal, que sucumbiu à loucura e deixou a regência a seu filho, Dom João 6º. A peça se passa em 1808, quando ela chega à baía de Guanabara com a família real, e o príncipe regente a mantém por dois dias no interior da nau, sozinha com sua aia. Dona Maria não retornou a sua terra natal em vida, mas essa história foi levada até Portugal pelo grupo A Barraca, com direção e atuação de Maria do Céu Guerra no papel da rainha. Agora, é essa montagem que faz o caminho de volta ao local de origem do texto, fazendo uma pequena turnê em Santa Catarina — com início na noite desta sexta-feira, em Florianópolis, quando o espetáculo estreia no Brasil.

Maria do Céu diz que, quando leu o texto, sete anos atrás, imediatamente soube que queria montá-lo — mas isso só aconteceu de fato no ano passado. O grupo que ela fundou em 1975, A Barraca, já trabalhou com outras peças ligadas à história portuguesa, e ela mesma já interpretou Carlota Joaquina em “Dom João 6º”, então já estava familiarizada com o período. Mesmo assim, ela também pesquisou as biografias da rainha para construir sua interpretação. “Antônio tratou essa personagem com uma profundidade, solidariedade, como ela ainda não tinha sido tratada. Ele fez uma personagem complexa, inteligente, sensível”, diz Maria do Céu.

Essa é uma faceta que mesmo Portugal não via através da história, e que passou a enxergar por esta peça. “Eu mesma achava que Dona Maria era uma chata que fez de Portugal um beatério”, diz a atriz, referindo-se à forte religiosidade da rainha. Sua ideia dessa relação se transformou, e Maria do Céu pediu a Antônio Cunha que explorasse mais o papel da igreja em provocar a loucura de Dona Maria. “A loucura dela é um desequilíbrio emocional, por ser uma mulher reinante, com uma grande pressão da tradição, da igreja, da família”, diz.

Adaptação lusitana

A primeira etapa de criação para a montagem do grupo A Barraca foi a adaptação do texto para o português de Portugal, o que encontra dificuldades em algumas expressões que têm diferentes significados nos dois países. Maria do Céu teve o cuidado de usar um português arcaico, usado na época de Dona Maria. “É um português belíssimo, que só trocamos quando se torna incompreensível.” Antônio Cunha, que acompanhou os últimos ensaios e a primeira semana da estreia do espetáculo em Lisboa, em julho do ano passado, tinha a curiosidade de ouvir seu texto falado por uma atriz portuguesa. “Maria do Céu dá uma contribuição muito grande, porque incorpora na interpretação uma visão muito próxima da Dona Maria”, comenta.

Nesta montagem, toda a cena acontece dentro do navio em que a família real chega ao Rio de Janeiro, onde a rainha fica por dois dias a mando do filho. Neste cenário acontece seu monólogo, no qual ela fala do tempo presente e começa a viajar em suas memórias, contando sua própria história e revivendo seus sentimentos. Quem ouve é a aia Joaninha, que diferente da montagem original, onde era apenas mencionada, agora aparece interpretada pelo ator Adérito Lopes.

Serviço

O quê: “Dona Maria, a louca”, montagem do grupo A Barraca, de Portugal

Quando: Sexta-feira (21/09), 21h

Onde: Teatro Pedro Ivo, rod. SC - 401, Km 5, 4.600, Saco Grande, Florianópolis, tel. 3665-1630

Quanto: Gratuito

Programação do Festival Isnard Azevedo no site: www.floripateatro.com.br

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