Publicidade
Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 19º C

Atrasado, boom no mercado de coworkings em Florianópolis apresenta crescimento

Formato conhecido no Brasil há dez anos, nos últimos dois meses pelos menos quatro espaços abriram na Capital

Karin Barros
Florianópolis
14/03/2018 às 11H22

Juntar pessoas em uma sala para dividir custos e até mesmo ideias não é algo tão inovador assim, porém, tem acontecido com mais frequência em Florianópolis nos últimos meses. O formato de trabalho chamado coworking – no Brasil até se tentou abrasileirar o termo, sem sucesso – se espalhou em pouco mais de dez anos para todos os continentes.

Arquiteto Rodrigo Gheller no Sal, em Santo Antônio de Lisboa. No intervalo, passeio na orla para relaxar - Daniel Queiroz/ND
Arquiteto Rodrigo Gheller no Sal, em Santo Antônio de Lisboa. No intervalo, passeio na orla para relaxar - Daniel Queiroz/ND


Não é possível precisar quem foi o primeiro no mundo, mas o que se tem visto é que a maioria dos empresários “pioneiros” no assunto no Brasil trouxeram a ideia de experiências em viagens para a Europa ou Estados Unidos. Estimativas apontam mais de 10.000 espaços ao redor do mundo. Segundo Fernando Aguirre, cofundador do Coworking Brasil, uma organização que reúne diversos empresários do ramo no país, os primeiros registros comerciais de coworking brasileiro foram em São Paulo. De lá também vem os espaços referências no assunto até hoje, segundo Aguirre, como o do próprio Google, We Work e Spaces.

Em Florianópolis, só na última semana abriram dois novos locais nesse conceito: A Fábrica, no Centro, e o Impact Hub, no Sul da Ilha. Em janeiro também entrou no mercado o Sal Coworking, em Santo Antônio de Lisboa, e o Comadre Cowork, no Santa Mônica. Em um rápido mapeamento nas redes sociais e também baseado no censo elaborado pela Coworking Brasil em 2017, já são mais de 20 pontos na Grande Florianópolis e 40 no Estado, o que coloca Santa Catarina em sexto lugar no ranking de coworkings do Brasil. O mais interessante disso é que com o passar do tempo o cliente não precisará se deslocar ao Centro para encontrar uma sala como essas, mas em seu próprio bairro encontra um local planejado e com diferenciais bem atrativos.

Em Santo Antônio de Lisboa, por exemplo, além da localização privilegiada com um dos pores do sol mais bonitos da Capital, o Sal fica próximo a rodovia SC-401, ao lado do Tisan (Terminal de Santo Antônio de Lisboa), e no caminho da Acate e do Sapiens Parque, ambientes referência para muitas áreas de atuação. No local, que tem piscina e churrasqueira, é possível alugar uma sala ou apenas uma mesa. E assim como a maioria dos coworkings, tem a possibilidade de diárias e mensalidades a partir de R$ 50. José Alberto Caldeira de Andrada, gestor do espaço, já havia trabalhado em um coworking e foi convidado a transformar uma casa vazia no novo modelo de trabalho.

José Alberto, do Sal Coworking - Daniel Queiroz/ND
José Alberto, do Sal Coworking - Daniel Queiroz/ND


Em breve o local deve incluir uma programação cultural, o que cria uma conexão ainda mais forte do espaço com o bairro onde está hospedado. O arquiteto Rodrigo Gheller, 27, trabalha no Sal desde sua criação, e valorizou o espaço justamente pela localização, que tem silêncio, ar fresco e um passeio na orla para relaxar a sua disposição a qualquer hora.

Rede colaborativa

A Impact Hub tem três filiais na Grande Florianópolis, sendo uma na SC-401, outra na Pedra Branca, e a mais recente, no Sul da Ilha. O espaço não se classifica apenas como coworking, sendo uma rede global de empreendedores com mais de cem espaços físicos no mundo. Criada em Londres em 2005, o segundo Impact Hub do mundo foi em São Paulo. Em Florianópolis, a empresa está desde 2015 focada também em cursos e programas de inovação.

Arthur Lawrence Xavier, Antônio Schappo e Júlia Prado, sócios do A Fábrica Working Bar - Rafael Feuerharmel/Divulgação/ND
Arthur Lawrence Xavier, Antônio Schappo e Júlia Prado, sócios do A Fábrica Working Bar - Rafael Feuerharmel/Divulgação/ND


O negócio da Impact, segundo Márcio Cabral, gestor do espaço no Sul da Ilha, é emitir sinal para ações ligadas a impacto sócio-ambiental, que “solucionem problemas reais da humanidade”. Por isso, as bases estão relacionadas à tecnologia, designer, redação, propaganda e arquitetura.

Em três anos de funcionamento, Cabral tem visto o aumento na procura pelo formato, e mais que isso, tem visto empresas inteiras migrarem para estas estruturas. “Eles dizem que a questão financeira se equilibra para times grandes, mas tem o ganho de desenvolvimento, cultura”, diz o empresário sobre as relações que são geradas em um ambiente compartilhado.

Cabral explica que na prática, o coworking tem gerado cinco horas de mentoria gratuita por mês entre os clientes, e que 50% dos negócios que ocorrem nele têm influência direta com a rede da Impact. “Praticamente todas as ofertas e necessidades podem se suprir dentro da própria rede”, diz. Atualmente, a Impact conta com 350 membros em três unidades, mas almeja 600 até o final de 2018, e até 2020 querem alcançar o número de mil pessoas.

R$ 2 milhções em 2016

Para a maioria das pessoas que procura um coworking para trabalhar, a experiência é nova, visto que o modelo é relativamente novo no Brasil. Até mesmo a forma como a sociedade é construída dificulta o entendimento do funcionamento, segundo Fernando Aguirre, da organização Coworking Brasil. “Viemos de uma sociedade muito de propriedade, e na última década estamos fazendo uma migração para um modelo econômico de ter acesso às coisas, de compartilhamento”, explica.

Comadre Cowork, aberto recentemente, tem 14 salas privativas e mesas para até 48 pessoas - Marco Santiago/ND
Comadre Cowork, aberto recentemente, tem 14 salas privativas e mesas para até 48 pessoas - Marco Santiago/ND


O mercado brasileiro seguiu uma tendência um pouca atrasada do mercado internacional, que, de acordo com Aguirre, teve um boom há dois anos. “O que impulsionou o aumento de cooworkings foi o crescimento do mercado em geral. Tem mais pessoas conhecendo o conceito, o que gera mais demanda”, acrescenta ele.

De acordo com o censo da Coworking Brasil 2017 - confira a pesquisa completa aqui -, em Florianópolis, os coworkers movimentam mensalmente quase 5.000 pessoas para trabalhar e participar de eventos. Na geração de empregos, foram quase cem contratos diretos e 50 indiretos, além de um faturamento declarado em 2016 de R$ 2 milhões.

Lado bom da crise 

Há quatro anos também funciona no Itacorubi o Base Coworking, uma sociedade de mãe e filho, Rosa e Gabriel Araújo Lauger, que deu certo. O espaço fica no meio do bairro, por isso, uma das vantagens é o estacionamento fácil. O coworking foi desenhado dentro de uma casa, com copa e várias salas para os clientes. Com área externa, também é possível fazer eventos e reuniões ao ar livre. A ideia foi de Gabriel, estudante da UFSC, que viu no compartilhamento de ideias uma chance de ir além. Rosa acredita que a crise no país ajudou no crescimento do coworkings, por causa da pouca burocracia – ou quase nenhuma – no contrato e do custo baixo.

Rosa Lauger, do Base Coworking, no Itacorubi - Daniel Queiroz/ND
Rosa Lauger, do Base Coworking, no Itacorubi - Daniel Queiroz/ND


Há dois meses, no bairro Santa Mônica, o Comadre vem sentindo o mercado. Com proporção estrutural de gigante, em quatro andares de empresa, eles proporcionam 14 salas privativas para até 16 pessoas além das mesas fixas e rotativas para até 48 pessoas. Segundo a assistente administrativa, Andressa Fernandes, quem tem procurado mais o local são designers, engenheiros, arquitetos e empresas juniors, já que ficam localizados entre as duas universidades públicas do Estado.

Na Comadre, as salas para número maior de pessoas locaram com mais facilidade, o que mostra também o movimento das micro e pequenas empresas para dentro de espaços como os coworkings.

Conheça alguns os coworkings

  • Comadre Cowork, av. Madre Benvenuta,1.313, Santa Mônica, Fpolis
  • Sal Coworking, rua Deputado Walter Gomes, 15, Santo Antônio de Lisboa, Fpolis
  • Base Coworking, rua Itabira, 232, Itacorubi, Fpolis
  • Impact Hub, no Multi Open Shopping, rodovia Dr. Antônio Luiz Moura Gonzaga, 3.339, Rio Tavares, Fpolis
  • A Fábrica, travessa Albertina Ganzo, 33, Centro, Florianópolis
Publicidade

3 Comentários

Publicidade
Publicidade