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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Ator e dançarino apresenta solo de dança contemporânea em Florianópolis

Seis espetáculos estão agendados a partir desta terça-feira. Três no Rio Tavares e três no Centro

Karin Barros
Florianópolis
Flavio Tin/ND
Egon Seidler estreia solo baseado em romance de Fernando Arrabal


Atualizada às 10h do dia 20/7/16


O ator e dançarino Egon Seidler, 31, dá início amanhã, em Florianópolis, ao projeto solo de dança contemporânea “Aurora”, que contará com seis apresentações gratuitas. O espetáculo é baseado no romance “A virgem vermelha” (1987), de Fernando Arrabal, que se passa na década de 1930, e foi viabilizado pelo edital Elisabete Anderle de 2014. O autor já era referência para Egon desde a universidade, porém, foi ao passar em frente a um sebo e encontrar o livro na vitrine por R$ 6 que a apresentação começou a ganhar a forma. “Desde então sempre achei que eu iria dirigir o espetáculo de alguém, porque ele tem como personagem principal uma mulher”, explica.

O encontro casual entre a literatura e o bailarino aconteceu há oito anos, e nesse período ele foi maturando a ideia, até que teve um momento que entendeu que o espetáculo não precisaria esperar por alguém, mas sim, ser encenado por ele mesmo, um bailarino com mais de dez anos de experiência. “Não há a preocupação de interpretar um personagem feminino, mas sim vestir essa figura com o registro de sensações dela”, afirma.

A história, baseada em fatos reais, trata de uma mãe – Aurora -, que foi uma mulher metódica, perfeccionista, extremista e ousada, e diagnosticada no final da vida como esquizofrênica. Ela tinha como objetivo de vida fazer de sua filha uma menina prodígio que levaria a Espanha a uma nova ordem social. Era de uma leva de socialistas utópicos, que acreditavam na eugenia. Ela conseguiu. Sua filha passa a ser a responsável pela revolução sexual espanhola. Aurora cria o que se propõe, tem a filha sozinha e ela fica famosa no mundo inteiro. “Mas existe aquela coisa do artista que quando a obra tem o mínimo de fissura, ou não está completa, ele a destrói, e por isso ela mata a filha aos 18 anos”, acrescenta Egon.

Para encenar todo esse romance carregado de dramaticidade e surrealismo, Egon divide a apresentação em três atos, e seleciona pequenos textos para a narrativa que ajudam o espectador a ampliar o imaginário dessa figura. Os outros elementos que compõem a cena são objetos, adereços e o próprio corpo. A narrativa de “Aurora” compartilha com o público imagens e estados da personagem por meio de uma improvisação estruturada (coleções de movimentos e gestos que se organizam com regras de improviso). A iluminação, figurino e trilha sonora ambientam um espaço lúdico e de possibilidades não cotidianas. 

Mas nada disso se fez sozinho. O dançarino integra as companhias Ronda Grupo, de dança contemporânea, e a Traço Cia de Teatro, especializada na arte da palhaçaria. Foi através dos dois núcleos criativos que surgiu o espetáculo. Além disso, ter a experiência nos grupos foi colaborativo para a nova peça. “No Ronda, o modo como lidamos com a linguagem se chama formação estruturada, e na Traço, parte da linguagem do palhaço, que tem como base a improvisação. Ambos contribuem muito, porque ajuda a encontrar o espectador na plateia, foge desse lugar que o bailarino não olha para o público, e na relação com o outro”, acredita o artista.

Inspiração em Dalí 

Egon Seidler explica que o livro traça um desenho bonito do imaginário da mãe, contando por meio de sonhos, utilizando-se de imagens surreais, humanizando a figura. “O que me surpreende em Fernando Arrabal é o modo como ele pega uma história em que a gente acha difícil de compreender, que se trata de uma loucura, e carrega isso de metáfora e de um imaginário que deixa leve e poético”, afirma o dançarino, que viu o desdobramento do diálogo para o palco como um desafio.

Para materializar melhor as ideias de Arrabal na criação da mãe, Egon faz uma conexão com o artista espanhol do surrealismo Salvador Dalí. “Arrabal vem dessa leva dos surrealistas, na escrita ele tem um flerte com o teatro do absurdo. Ele ficou bem conhecido pelo gênero chamado teatro pânico”, pontua.

As apresentações de dança acontecem na Igrejinha de pedra do Rio Tavares e no Museu Histórico de Santa Catarina, no Centro, e propiciam ao espectador que puder assistir em ambos os locais sensações diferentes, visto que um será a céu aberto e outro em uma sala. “A imagem do pátio contribui porque dialoga com esse lugar de sonho do livro, e no museu será algo de mais intimidade”, finaliza o dançarino. 

Serviço 

O quê: “Aurora”
Quando: 19, 20, 21, 26, 27 e 28/07, às 19h30
Onde: Casa anexa a Igreja de Pedra, rod. Antônio Luiz Moura Gonzaga, 1.525, Rio Tavares, Fpolis (19, 20, 21); Museu Histórico de Santa Catarina, sediado no Palácio Cruz e Souza, Praça 15, Centro, Fpolis (26, 27 e 28)
Quanto: gratuito (os ingressos serão distribuídos uma hora antes e os espaços são sujeitos à lotação)

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