Publicidade
Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 22º C

Atleta juvenil de golfe de Florianópolis é a única representante do Estado no ranking

Maria Júlia Ribeiro começou a treinar aos seis anos de idade e aos 10 já havia passado por 25 campos do país

Karin Barros
Florianópolis
22/06/2018 às 17H16

O golfe, esporte com muitos adeptos na Europa em geral e nos Estados Unidos, não parece algo muito familiar entre os catarinenses. Outro país que se destaca na área por causa de sua colonização são os vizinhos da Argentina, com mais campos no entorno da capital Buenos Aires do que no Brasil inteiro. Em Santa Catarina há apenas dois clubes com campos do jogo criado no Escócia: um em Florianópolis e outro em Joinville. Porém, ambos são com nove buracos, sendo necessário dar duas voltas para completar os 18 buracos de um jogo oficial.

Maria Júlia Ribeiro faz aulas de golfe desde os seis anos de idade, no Costão Golf - Daniel Queiroz/ND
Maria Júlia Ribeiro faz aulas de golfe desde os seis anos de idade, no Costão Golf - Daniel Queiroz/ND


Outro campo está começando em Balneário Camboriú, hoje com cinco buracos, e um condomínio residencial e hotel na cidade de Rancho Queimado está para ser inaugurado - mas esse sim, com o número esperado de buracos para um torneio.

Assim como a quantidade é pequena de campos em Santa Catarina também é o número de atletas. Maria Júlia Ribeiro, de apenas 13 anos, natural de Lages mas moradora de Florianópolis, é a única representante do Estado a competir no ranking nacional juvenil e amador, além de ser a única menina catarinense ligada a Federação Paranaense e Catarinense de Golfe - Paraná e Santa Catarina tem a mesma federação.

Apesar de competir desde os nove anos de idade, ser uma promessa no esporte e levar o nome do Estado para o Brasil, Maria nunca teve patrocínio. Mesmo ligada à federação paranaense que beneficia os atletas com bolsas, a família não tem residência no estado vizinho, por isso não obtém as vantagens. Todas as viagens, hotéis, equipamentos são custeados exclusivamente pelos pais Dayane Machado Ribeiro, professora de odontologia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), e Johon Nathan Forte, empresário.

Uma trajetória exemplar

Maria conheceu o golfe por intermédio de uma brincadeira em um shopping. Ela estava com quase cinco anos de idade, quando cismou que era aquilo que queria praticar. Os pais resistiram um pouco até a levarem ao Costão Golf, o único campo de Florianópolis. O coach do clube na época nem queria treinar Maria. A mãe Dayane, que acompanha a filha em todos os treinos e torneios, lembra que ele disse que não tinha como dar aulas a uma criança tão pequena. “Ele falou que era bobagem, para voltar dentro de algum tempo. E eu achei que a Maria ia esquecer”, diz.

Perto de completar seis anos, Maria insistiu novamente no esporte. “Ela disse para o coach, ‘agora eu sei ler e escrever e posso fazer aula’”, lembra a mãe sobre a persistência da filha. Todos os domingos, a pequena levantava cedo, se arrumava sozinha, e ia treinar golfe. “Eu achava uma coisa muito diferente do que eu via no colégio, do que as outras meninas faziam. Eu me encantei”, diz a atleta.

Maria começou nos campeonatos internos do clube, com nove anos participou de seu primeiro torneio brasileiro juvenil, e aos 10 já contava com passagem por 25 campos no país. Foi campeã brasileira na categoria D até 13 anos e campeã estadual pelo amador feminino. Recentemente teve uma estadia de três meses na cidade de Houston (EUA) para aprimorar os treinos, e também foi convocada para o IMG Academy Junior World Championships, maior torneio de juvenil dos EUA, em San Diego.
Atualmente, a atleta se prepara para o campeonato brasileiro amador, no final de julho, que dá as convocações para o Sul-Americano juvenil em setembro.

Sonho grande 

Para a mãe, que vem acompanhando a filha há quase dez anos, o golfe vem tomando outra proporção no país desde que retornou como esporte olímpico – fato que não acontecia há 116 anos. Dayane lembra que São Paulo é o Estado mais desenvolvido no assunto, com mais de dez campos, principalmente no interior, e com a maior federação.

A golfista passou três meses nos EUA para aprimorar o esporte - Daniel Queiroz/ND
A golfista passou três meses nos EUA para aprimorar o esporte - Daniel Queiroz/ND


Maria recebe com frequência convites para jogar em outros clubes, mas a mãe sente um profundo pesar de representar outro Estado que não Santa Catarina. “Sou muito catarina, sinto muito em ir, mas não sei até quando vamos aguentar”, coloca ela, que leva a filha no mínimo a três torneios por mês.

Com tantos campeonatos e uma vontade imensa de chegar ao topo do ranking brasileiro, Maria, continua treinando e competindo com muita garra. Quando era pequena, fazia acompanhamento com personal trainer, mas atualmente cuida da coluna com a ajuda do pilates. Maria treina quatro vezes por semana, sendo em casa todos os dias por pelo menos uma hora de exercício específico. Nas férias, serão sete dias por semana de treino.

Recentemente a atleta também passou a ser treinada pelo ex-jogador francês Patrick Causin, sediado em Curitiba (PR), e deve vê-lo semanalmente ou a cada 15 dias. A fama de rigidez do novo coach não assusta a jovem. “Muitos jogadores que olham de fora acham que ele é muito exigente, porque pega muito no pé, liga todos os dias, mas eu não estranhei porque já estava acostumada com ela [a mãe]”, brinca Maria, falando do super apoio materno.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade