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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Mulheres estouram no sertanejo no Brasil com músicas cada vez mais femininas

As cantoras Maiara Coelho e Patricia Mell, da Grande Florianópolis, comemoram a conquista

Karin Barros
Florianópolis
Bruno Ropelato/ND
A cantora radicada em Santa Catarina Patrícia Mell conta que gosta de falar pelas mulheres e para elas


Marília Mendonça, Maiara e Maraisa, Simone e Simaria, Paula Mattos e Gabi Luthai. Se você ainda não ouviu falar no nome delas, garanto que não deve demorar para saber quem são. Em duplas ou em carreiras individuais, todas elas estão sendo responsáveis por um movimento sertanejo que dá valor à mulher no palco, e mais que isso, com letras que não tratam mais a mulher como objeto, e sim causa identificação do gênero com a composição. Agora é a vez das mulheres cantarem a versão da história delas sobre seus casos amorosos ou as horas no bar com as amigas. Em entrevista ao Notícias do Dia, Simone afirma que a identificação das mulheres chega ao camarim delas. “Recebemos vários relatos de mulheres que se identificam  com as nossas letras. Diversas vezes elas até nos agradecem por ter transmitido certas mensagem de “luta”, “independência”, falando que aquela música mudou a vida delas. Isso é muito gratificante”, diz.

Marília tem 20 anos, é natural de Goiás, tem 11 meses de carreira e atualmente é considerada a Rainha da Música no país. O motivo são os milhões de visualizações em seu canal que hoje ultrapassam 559 milhões. Do mesmo escritório dos irmãos Henrique e Juliano, há boatos que a jovem fazia parte da fábrica de compositores da dupla como estagiária. Prova disso é um dos maiores sucessos deles, “Cuida bem dela”, lançado em 2014, que tem quase 160 milhões de visualizações no Youtube e foi composto por ela em parceria com Maraisa (da dupla com Maiara), Juliano Tchula, Daniel Rangel. A música de trabalho dela, no estilo “sofrência”, é “Infiel”, que até este final de semana deve atingir os 100 milhões de visualizações em menos de um ano. A título de comparação, “Some like You”, grande sucesso da britânica Adele está há cinco anos no Youtube e tem 95 milhões de visualizações.

Entre as cantoras sertanejas que até então faziam sucesso no meio estavam apenas Roberta e Sula Miranda, que iniciaram na década de 1980, e a mais recente, Paula Fernandes, que estourou em 2007, com o álbum “Pássaro de Fogo”. Porém, o sertanejo de Paula segue mais o estilo pop romântico. Além disso, o biótipo de Paula é aceito/vendido fácil pela sociedade, já que a cantora é bonita, magra e de classe social alta. 

As novas estrelas do sertanejo quebram esse esteriótipo criado pela mídia. Bonitas, sim, mas magras, nem tanto. E isso cria ainda mais identificação com as mulheres brasileiras.

Maiara, da dupla com a irmã gêmea Maraisa, viu preconceito relacionado ao assunto. “O que mais vimos antes de chegar até aqui foi preconceito. Por sermos mulheres, por sermos gordinhas. Mas não desistimos porque nunca imaginamos outras coisas para nossas vidas”, afirma. As novas cantoras também fogem da ideia da mulher apenas sentadinha em uma cadeira acompanhada de seu violão. Apesar da demora na aceitação dos investidores e produtores, aos poucos foram vendo que essas cantoras animam o público full time com suas músicas dançantes. Vale lembrar também da paranaense Naiara Azevedo, que ficou conhecida por suas “músicas respostas”, sempre bem humoradas, a letras machistas há cerca de cinco anos, como “Coitado”.

Daniel Queiroz/ND
Maiara Coelho já sofreu preconceito por acharem que seu show seria meloso, mas ela avisa, é mais pressão, pancada


Reforço feminino na Grande Florianópolis


Na Grande Florianópolis, duas cantoras sertanejas lutam há um bom tempo por esse tão sonhado espaço que hoje vem sendo aberto no país: Maiara Coelho e Patrícia Mell. Maiara, 27, é de Palhoça, e completa em setembro oito anos de carreira. Com shows por todo o Estado e uma participação em São Paulo, ela diz que muitos contratantes já tiveram preconceito com ela por ser mulher e cantar sertanejo. “Eles acham que vai ser um show romântico e meloso, mas ai que eles se enganam, porque eu sou espoleta, e gosto de show pressão, pancada. Claro que tem uma parte que a gente abre para o romântico e o modão, mas hoje, 90% do show é para cima”, afirma ela. 

Patricia, 37, também passou por problemas relacionais a isso nos 20 anos que tem de carreira. “Antigamente, mulher que cantava ou era atriz, sempre era considerada como “mais que isso”. Graças a Deus hoje a gente consegue mostrar que levamos a música como profissão, que a gente se dedica, estuda e corre atrás. A música é ‘meu ganha pão’”, pontua a paranaense, mas moradora da Grande Florianópolis há 16 anos.  

Tanto Patricia quanto Maiara já tem em seu repertório autoral músicas que falam diretamente a mulher. Para Patricia, sempre existe a preocupação de falar por ela e pelas mulheres que ela representa quando está no palco. “Geralmente minhas letras tentam transmitir coisas boas a todos, independente do sexo, mas é muito bom falar diretamente a nós mulheres, mesmo com uma música cantada por homem, às vezes as histórias também servem para a gente”, acredita. Com dois CDs lançados e preparando o terceiro para o final do ano, Patricia está trabalhando a música “Sorriso Fácil”, escrita por ela e que mistura o sertanejo ao reggae, seguindo a tendência nacional de junção de ritmos.

Maiara, que tem cerca de 20 composições próprias, teve como um dos primeiros sucessos autorais a música “Balada com as amigas”, há quatro anos, que tem quase 50 mil visualizações no Youtube. Nela, contou uma história real, bem no estilo dessas apresentadas nos últimos meses, que causam identificação total do gênero feminino. Hoje ela trabalha a música “Abusadinho”. 

Maiara acredita que as mulheres estão virando o jogo, e a colega Patricia confirma. “A gente está em uma era que a mulherada também está mais parceira, quer se aproximar e unir forças em todos os sentidos, e acho que na música também está acontecendo isso”, diz. Ambas as cantoras afirmam que tem mais fãs mulheres, e isso reflete tanto nas redes sociais quanto na interação dos shows. 

Essas mulheres fazem parte de uma geração que está quebrando barreiras e transformando mundo sertanejo. “Havia uma homogeneização de botinas, fivelas e chapéus, usadas por duplas masculinas, chegamos trazendo charme, com cores, saias, e todos os apetrechos usados por meninas. Nem por isso somos sexo frágil, somos iguais”, ressalta Maraisa, da dupla nacional.

Divulgação/ND
Cantora estourou. Sua música “Infiel” deve chegar a 100 milhões de views


Empresários esperam sucesso chegar ao Sul
 

Das duplas e solos estão fazendo tanto sucesso no país, vieram a Grande Florianópolis nos últimos meses apenas Maiara e Maraisa e Paula Mattos, porém, pouco conhecidas na região Sul, ou não tocaram em lugares de grande destaque ou não atraíram númro simbólico de público. Para Tiago Basso, diretor da Fields, casa especializada em sertanejo no Centro de Florianópolis, a Capital “é uma cidade que apesar de estar consumindo o sertanejo de uma maneira bem forte há alguns anos, tem um delay de pelo menos seis meses do nacional chegar e ter força aqui”.

Segundo ele, os cachês dessas cantoras que estão no auge das rádios mesmo com pouco tempo de carreira está muito alto, e com o pouco reconhecimento na Capital, a porta da casa (o valor dos ingressos) não cobre os custos. Ele acredita que na alta temporada elas finalmente serão vistas com mais frequência na região, porém, já antecipa que Marília Mendonça fará show na Fields em novembro, sem data confirmada. 

Divulgação/ND
Maiara e Maraisa também quebram o estereótipo do sertanejo


O primeiro grande show confirmado em Florianópolis com data e ingressos já à venda dessas meninas sertanejas será com Simone e Simaria, As Coleguinhas, dia 11 de novembro, no Devassa on Stage. Elas chegam aos programas de televisão com uma história triste de vida, saíram do forró e viram no sertanejo os cifrões tão sonhados. A música de trabalho delas é “Meu violão e o nosso cachorro”. 

Segundo Artemio Júnior, gerente executivo do grupo All Entretenimentos, o sucesso nas redes sociais ao divulgar o show delas no início deste mês foi muito maior que o esperado. “Estávamos esperando a data certa, e Floripa será uma das primeiras cidades da turnê delas aqui no Sul”, garante o empresário revelando que está difícil conseguir um sábado na agenda da dupla até março de 2017. Em primeira mão, Artemio garante ainda mais um show: Maiara e Maraisa devem trazer seus hits em dezembro para a Capital. 

Anote na agenda 

Simone e Simaria – 11/11 – Devassa On Stage
Marília Mendonça – novembro – Fields
Maiara e Maraisa – dezembro – Devassa On Stage

Conheça os hits mais tocados

Maiara e Maraisa: “Medo bobo”, “50 reais” (com Naiara Azevedo) e “10%”
Marília Mendonça: “Infiel”, “Pare o avião” e “O que é que você viu em mim”
Simone e Simaria: “Duvido você não tomar uma”, “Meu violão e nosso cachorro” e “Quando o mel é bom”
Paula Mattos: “Rosa amarela”, “Quanto tempo falta”  “O povo fala”
Gabi Luthai: “Feito boba”

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