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As lições de um expert para colocar Santa Catarina no topo da inovação

Em palestra para entidades do do Pacto pela Inovação, Hitendra Patel diz que setor catarinense precisa tirar proveito dos cases de sucessos mundiais e promover a união de empresários locais

Fábio Bispo
Florianópolis
24/08/2018 às 16H36

Ele defende a adoção de uma língua única para as reuniões de negócios —de preferência o inglês—,metas com objetivos globais e que a standartização, e não a customização, funcione como de pilar da inovação que Florianópolis tanto almeja abrigar como sendo sua capital no país. De forma simples, mas direta, Hitendra Patel, que é descendente de indiano e nascido na Zâmbia, demonstrou franqueza ao desafiar entidades do Pacto pela Inovação de Santa Catarina a adotarem uma agenda mais objetiva: “Mesmo sendo locais, vocês têm que pensar global, fazer parcerias e fortalecer a inovação e o crescimento das pequenas e médias empresas”, disse Patel durante palestra na noite de segunda no Sebrae/SC.

Patel sugere a “concorrência criativa” e aproximação com universidades - Flávio Tin/ND
Patel sugere a “concorrência criativa” e aproximação com universidades - Flávio Tin/ND



Pesquisador e líder global em inovação, Hitendra Patel veio a Florianópolis compartilhar os princípios de um método criado por ele e que promete aumentar, em um curto espaço de tempo, o crescimento de uma empresa em até dez vezes. Líder do IXL Center (Cambridge), uma das 20 melhores consultorias americanas em inovação, ele já passou por lugares como Braskem, Bunguee, Natura, Vale e Havaianas.

Em Florianópolis, Patel apresentou cases de cinco países —Singapura, Dubai, Coreia do Sul, Colômbia e Porto Rico— dos quais cada um com sua particularidade pode oferecer contribuições para o fortalecimento do ecossistema de inovação catarinense.

“O objetivo da inovação sempre foi o crescimento, o aumento de capital, mas para isso é preciso metas, o que é fundamental. Vocês precisam criar agendas de reuniões. É preciso que alguém fique responsável pelos encontros, delegar às pessoas responsabilidades. Não se pode simplesmente se reunir voltarem para casa”, afirmou tem tom professoral.

Brasileiros são como os coreanos, e também como os porto-riquenhos

Quando a Coréia do Sul decidiu investir em tecnologia, conta Patel, empresas como LG, Samsung e Hyundai decidiram que não concorreriam entre si —até porque o mercado coreano não era o único foco— e passaram a assumir o que o especialista chamou de “concorrência criativa”. Neste momento, eles primeiro concorriam com o Japão, com os grandes conglomerados europeus, para só depois de chegarem ao topo concorrerem entre si.

“Os brasileiros são muito parecidos com os coreanos. Foram no exterior e trouxeram a tecnologia para cá. Mas não podem pensar só em concorrer entre si, é preciso firmar parcerias, para assim crescerem juntas de olho no mercado global”, contou.

Em Porto Rico, onde acompanhou o setor de manufatura da indústria farmacêutica, Pattel conta que o incentivo fiscal foi o que promoveu uma mudança para que produtos manufaturados ali acabassem abastecendo mercados com o dos Estados Unidos. “Os porto-riquenhos apesar de Americanos falam espanhol, igual os brasileiros que falam português, é algo exótico, mas eles conseguiram”, conta. Ele ainda citou exemplos como o da Colômbia que investe 1% dos lucros do petróleo em inovação e de Singapura, onde a burocracia é quase zero e os impostos são simplificados.

Santa Catarina já deu o primeiro passo

Mariana Grapeggia, gerente de empreendedorismo e inovação do Sebrae/SC diz que o Estado já conquistou espaço regional e está bem  colocado em uma dimensão nacional. Com a implantação do Pacto pela Inovação de Santa Catarina, que pretende colocar o estado até 2030 no maior polo de tecnologia, o Estado tem avançado.

“Nós já demos o primeiro passo. Quando as diversas entidades do estado se incumbiram de trabalharem juntas em prol de um mesmo objetivo esse primeiro passo foi demonstrado”, afirma Mariana Grapeggia. Em Florianópolis, o setor de tecnologia representa 50% do PIB da cidade e em nível nacional Santa Catarina tem pelo menos três cidades —Florianópolis, Blumenau e Joinville— entre as com maior faturamento médio  do setor.

Segundo Mariana, agora, os próximo passos dependem também de políticas que possam destravar o setor. Como exemplo ela cita a proposta de Lei da Inovação, que pretende trazer incentivos fiscais e investimentos públicos, assim como também reduzir questões burocráticas.

Por outro lado, ela destaca que em outras questões, como a aproximação de empresários com as Universidades, por exemplo, ainda estão longe do desejado. “Essa aproximação que contribuiu e muito para o desenvolvimento de cidades nos Estados Unidos e Europa ainda é algo que não temos”, pontuou.

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