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Arnaldo Antunes fala sobre a forma despretensiosa de criar e sua compulsividade

O artista multifacetado abre a mostra "Palavra em movimento", no Masc, nesta quarta-feira

Karin Barros
Florianópolis
24/05/2017 às 10H08

“Tudo corresponde mais a uma necessidade de expressão do que às demandas. A música tem uma coisa de ser mais coletivo, de tocar junto, e a arte, de ser individual. É um ritmo diferente”, reflete Arnaldo Antunes, que abre uma mostra em Florianópolis na noite desta quarta-feira. “Palavra em movimento”, que está em sua quinta montagem no país, reúne trabalhos de uma trajetória de praticamente 30 anos de artes visuais de Arnaldo. A produção da exposição é da Studio de Ideias e conta com o patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Florianópolis.

Arnaldo Antunes abre exposição no Masc - Daniel Queiroz/ND
Mais conhecido no país como cantor e compositor, Arnaldo Antunes também incursiona pelas artes visuais - Daniel Queiroz/ND


Na exposição, é possível ver caligrafias, colagens, instalações e objetos poéticos, além de adesivos, banners, áudios e vídeos. “A palavra está em tudo que eu produzo. É como se a poesia saísse do livro tradicionalmente ou da oralidade para outros suportes. De certa forma, ela [a palavra] se desdobra em uma outra linguagem. Tem muito essa coisa de trazer para a materialidade”, coloca ele.

Para Daniel Rangel, curador de três exposições de Arnaldo e que está há oito anos trabalhando com o multiartista, trata-se de um trabalho pontual, sem a obrigação de fazer como é com a música. “Ele trabalhou sempre, então tem trabalhos de diversos períodos, e a ideia era representá-los. Foi um trabalho de seleção de uma produção bem intensa que já existia”, explica Rangel sobre a mostra.

O curador, que estuda o termo Verbivocovisual, de James Joyce, há algum tempo, também enxergou o conceito no trabalho de Arnaldo, o que o ajuda a descrever as obras do artista. “O termo vem da poesia e busca substanciar três dimensões dentro de um mesmo trabalho: semântica, oral e visual. A ideia é reunir um hibridismo de linguagem, assim como a gente vê no que o Arnaldo produz”, conclui.

Além das obras que estarão no Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), outras serão reproduzidas em cartazes para distribuição entre visitantes, especialmente para as escolas que farão visitas guiadas. Os mediadores serão orientados pessoalmente pelo artista e pelo curador Daniel Rangel. Arnaldo está com mais uma exposição em andamento, a #LuzEscrita, no Rio de Janeiro e planeja um álbum de serigrafias com 12 caligrafias, que deve sair até o final deste ano..

>> Como artista e curador veem a mostra

ND - Como funcionou a seleção das obras dessa exposição? 

Daniel - O trabalho dele é dividido em momentos. Começa nas colagens, depois ele nunca mais trabalhou exatamente com esse tipo de colagem, ai vem as monotipias, depois vem a foto com colagem. Já os objetos passam por diversos períodos, acho que é um universo mais caro dele, até como poeta , porque a poesia visual tem uma relação forte com o objeto. É uma reunião de uma trajetória de um artista, que mesmo se ele não tivesse uma trajetória de cantor e poeta literário, poderia ter de artista visual. 

ND - A seleção das monotipias foi retirada de uma série de quase cem obras, há uma produção compulsiva às vezes? 

Arnaldo - Em monotipias sim, porque tem essa coisa do corpo, do gesto, é um traço muito físico. Eu escrevia numa base e imprimia com papel de gravura, e tinha que escrever invertido para sair a leitura do lado certo. Até que descobri que escrevia invertido mais fácil com a mão esquerda, ai incorporava o tremor da mão na própria expressividade do braço. Esse período foi largo, tive alguns surtos, fiz varias versões do mesmo texto. 

ND – Depois de tantos trabalhos que envolvem palavras, qual o significado da ‘palavra’ para você?

Arnaldo - Não me sinto um músico instrumental, eu faço canção. Tem sempre um exercício com uma significação poética. Também não me sinto um artista plástico visual que só trabalha com cores e formas. Essas coisas transitam entre elas é muito comum porque tem essa intersecção, do território da poesia e da palavra. Para mim, a palavra é matéria-prima par a o ‘uhul’, para a viagem. A linguagem verbal ela passa a ser uma possibilidade de insight. 

Serviço 

O quê: exposição “Palavra em Movimento”
Quando: de 24/5 a 2/7, de terça a domingo, das 10h às 21h.
Onde: Museu de Arte de Santa Catarina, CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis. Tel agendamentos:. 48 3664-2633
Quanto: gratuito

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