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Apesar de notícias negativas com viajantes solo, elas viajam cada vez mais desacompanhadas

Em Florianópolis, Mônica Keller e Karina de Vasconcelos tem no passaporte vários carimbos e muitas experiências positivas

Karin Barros
FLORIANOPOLIS
06/09/2018 às 20H21
A bióloga Karina de Vasconcelos passou por mais de 30 países - Daniel Queiroz/ND
A bióloga Karina de Vasconcelos já viajou por mais de 30 países - Daniel Queiroz/ND



Em março de 2017, uma pesquisa do Ministério do Turismo apontou que, de todas as mulheres que viajariam nos próximos meses, 17,8% delas pretendiam embarcar sozinhas, contra 11,8% dos homens. Elas são mais corajosas? Para alguns pode parecer que sim, já que algumas culturas podem não receber bem – e até desrespeitar - a mulher que anda sozinha.

Porém, para a publicitária e blogueira Mônica Keller, 25, e a bióloga Karina de Vasconcelos, 37, que tem no passaporte o carimbo de alguns bons países, esse assunto nunca foi tabu ou um problema por falta de companhia. Elas viajaram para vários países sozinha – e por opção -, e claro, com alguns pequenos cuidados, nunca passaram por circunstâncias constrangedoras. Mônica afirma que algumas situações em viagem já pensou que a presença do homem talvez mudasse alguma coisa, mas isso não virava um empecilho.

Apesar do número crescente, essas mulheres que encaram conhecer um novo lugar sozinhas, podem passar por situações de perigo. Em uma rápida pesquisa na internet, não é difícil encontrar casos em que o fato de “estar sozinha” é considerado o motivo da morte de uma mulher. Foi o que aconteceu com duas turistas argentinas que foram assassinadas no Equador há dois anos, e uma norte-americana, que caiu de um penhasco na Tailândia enquanto fugia de um assediador. Em um dos casos, uma mulher acompanhava a outra, e mesmo assim, nas redes sociais, choveram críticas ao modo como as jovens escolheram encarar um mochilão pela América Latina.

Karina agora viaja em companhia da filha Melory. Nesta foto estão em Amsterdã  - Acervo Pessoal/Divulgação/ND
Karina agora viaja em companhia da filha Melory. Nesta foto estão em Amsterdã - Acervo Pessoal/Divulgação/ND




Bem acompanhada de si e da filha 

Karina é funcionária pública e organiza toda a sua vida com o objetivo de conhecer cada lugar que tem anotado em uma planilha. Com passagem por mais de 30 países, pelo menos seis deles ela arrumou as malas, planejou um roteiro e foi com toda a coragem desbravar o desconhecido sozinha.

Com experiência em viajar acompanhada de amigos e da família, ela afirma que todo mundo deve se permitir também viajar sozinho. O momento, que pode ser de muito autoconhecimento, além de depender apenas de você nos horários e nos roteiros, também é hora de perder o medo, a vergonha, e fazer amizades. Karina diz que em alguns momentos sentiu falta de alguém para conversar, mas que já foi a pubs sozinha e que logo o problema foi resolvido.

Há pouco mais de dois anos o desafio de Karina aumentou nas viagens. Ela virou mamãe da Melory e já fez dois tours com a pequena, pelos Estados Unidos e pela Europa. “Já estou acostumada a carregar peso, e quando faço o roteiro olho bem os locais no Google Street View para saber se tem condição para crianças”, conta. Outro segredinho foi levar o carrinho de bebê, que facilitou na hora de dormir e trocar a fralda, segundo ela, principalmente nos aeroportos.

A publicitária Mônica Keller mantém um blog sobre viagens e costuma partir sozinha ou com amigas - Daniel Queiroz/ND
A publicitária Mônica Keller mantém um blog sobre viagens e costuma partir sozinha ou com amigas - Daniel Queiroz/ND



Viagens solo e com amigas sim 

Mônica é de Blumenau, mas veio morar em Florianópolis em 2015. Por meio do blog Perambular, ela conta suas experiências de passeios e viagens na Capital, pelo Estado e pelo mundo. A jovem já viajou para o Peru, Nova York, Chile, Argentina, Uruguai e Colômbia, e tenta trazer uma olhar diferente dos locais em que passou. Principalmente porque fez intercâmbios e trabalhos voluntários no exterior, que é uma experiência bem diferente.

No Peru, por exemplo, ela ficou com mais duas amigas por sete semanas e pôde conhecer lugares que estão fora da rota turística. Mônica afirma que nos países da América Latina a forma de lidar com os homens é muito parecida do Brasil, e que por isso, se saiu bem nas “saias justas”. “Quando me perguntam sobre fazer mochilão por aqui (na América do Sul), eu digo que é muito parecido. Vai ter homem machista, por exemplo, e tiramos de letra, além do latino ser muito acolhedor, e isso é muito legal”, diz, mas mesmo assim acha a Europa mais segura. Já em Nova York, apesar de as pessoas serem menos simpáticas, foi um lugar em que se sentiu extremamente segura.

Viagem a Nova York, cidade que ela Mônica considera bem segura - Acervo Pessoal/ND
Viagem a Nova York, cidade que ela Mônica considera bem segura - Acervo Pessoal/ND

Dicas para quem viaja sozinha
- Fazer roteiro
- Sair com poucos pertences
- Não dar bobeira com aparelhos digitas na rua
- Fazer reserva antecipada
- Procurar turmas de turistas
- Não ir para locais afastados do centro
- Não fazer aventuras (escaladas, trilhas) onde possa se machucar

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