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Aos 86 anos, jornalista Alberto Dines morre nesta terça-feira

Sua coluna era considerada a precursora na crítica sistemática dos meios de comunicação no país

Folha de São Paulo
São Paulo
22/05/2018 às 11H11

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O jornalista Alberto Dines morreu nesta terça-feira (22) aos 86 anos. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A causa da morte não foi informada.

Alberto Dines - Divulgação/ND
Alberto Dines tinha 86 anos - Divulgação/ND


Jornalista desde 1952, Alberto Dines dirigiu a Redação do Jornal do Brasil num de seus períodos mais inovadores e criativos, de 1962 a 1973.

Em 1975, quando foi dirigir a sucursal da Folha de S.Paulo no Rio de Janeiro, lançou a coluna "Jornal dos Jornais", considerada precursora na crítica sistemática dos meios de comunicação no país.

Foi, de certa forma, um pioneiro na função de ombudsman, atuando como crítico da mídia brasileira. Em 1996, lançou o Observatório da Imprensa, um dos frutos do Projor —Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo—, também criado por Dines com o apoio da Unicamp.

Nas últimas duas décadas, Dines dedicou-se a fomentar o jornalismo com as atividades no Observatório e no Projor, onde coordenou projetos de capacitação, treinamento e promoção de boas práticas da profissão.

Com sua atuação no Projor, proporcionou capacitação em técnicas de redação, de acesso ao mercado publicitário, em gestão financeira e administrativa e em tecnologia a veículos de menor porte.

Além do site do Observatório, Dines apresentou um programa semanal do veículo nas emissoras públicas TV Cultura, TVE e na TV Brasil, que a sucedeu, de 1996 a 2015.

Como jornalista, trabalhou nas revistas Manchete, Cena Muda —nesta, como crítico de cinema—, Visão, e Fatos e Fotos, bem como nos jornais Última Hora, Tribuna da Imprensa, Diário da Noite, Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo, além do semanário O Pasquim. Trabalhou ainda no Grupo Abril, como secretário editorial. Na Folha de S.Paulo, além da passagem na Sucursal do Rio na década de 1970, atuou também como colunista nos anos 90.

Como docente, deu aula de jornalismo na PUC-RJ e foi professor visitante na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Dines chegou a ser preso em 1968 após o AI-5, por ter feito um discurso como paraninfo de uma turma da PUC-RJ, criticando a censura.

Ele deixa quatro filhos, de seu primeiro casamento, com Ester Rosali, sobrinha do empresário de mídia Adolfo Bloch —fundador da revista e da rede de televisão Manchete, ambas extintas.

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