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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Amilcar Neves é o novo membro da Academia Catarinense de Letras

Perene Escritor - Autor de oito livros, Amilcar Neves idealiza a sede da ACL como um recanto cultural

Carol Macário
Florianópolis
rosane Lima / ND
"Penso nos muitos livros que ainda tenho que ler e reler"

 

Como escritor, Amilcar Neves, 64, contribui para o “suicídio” da literatura. “É que se tudo fosse perfeito e estivesse em paz, a literatura já teria acabado”, afirma, para justificar sua necessidade de escrever sobre aquilo que o irrita e incomoda, como as injustiças e a exploração do ser humano.  Neves foi eleito na última segunda –feira (26) o novo membro da ACL (Academia Catarinense de Letras) e vai ocupar a cadeira de número 32, que pertenceu ao ex-presidente da entidade, Lauro Junkes, morto em outubro do ano passado.

Como imortal, o escritor agora prepara-se para trabalhar. “Muita coisa pode ser feita na ACL, a começar pela ocupação do espaço”, afirma, imaginando a sede da entidade localizada na av. Hercílio Luz, Centro de Florianópolis, como sendo um recanto para outros autores, um local para escrever, ler, refletir e receber visitas de escolas. “Tornar o prédio mais acolhedor, criando um centro de referência cultural catarinense”, sugere o autor.

Crítico social e político, Neves preocupa-se com o desapego político em relação à cultura. “Tudo o que é relacionado à cultura é tratado como um favor em Santa Catarina”, lamenta. Como exemplo, cita a compra de livros de autores catarinenses para escolas. “A quantidade não é respeitada, ao contrário de outros estados. Somos soterrados pelo que vem de fora, e acabaremos perdendo nossa identidade”, observa.

Sua preocupação é fundamentada. Para ele, a literatura tem um papel importante na formação do ser humano, de abertura de horizontes, além do fator lúdico e de lazer. “O leitor é quem dirige o espetáculo, define o ritmo, anota, participa. A boa literatura abre perspectivas, abre vidas que não são nossas, permite o transporte a realidades múltiplas, dá instrumentos para avaliar a vida”, afirma. 

Geometria das letras

Com formação em engenharia mecânica, Amilcar Neves trabalhou com informática numa época em que os computadores ainda eram grandes enigmas para a maioria das pessoas e às vezes usa até mesmo os princípios da geometria para escrever um texto.  Apesar da intimidade com tecnologias, o escritor gosta de escrever à mão. “Às vezes ainda uso pena e tinteiro”, conta. Não escreve e lê todos os dias, mas gostaria. O que o faz ter disciplina em relação aos seus escritos literários é a coluna de crônicas que alimenta semanalmente no jornal “Diário Catarinense”. “Não escrevo porque acabo me envolvendo com outros assuntos. Quando vejo minha biblioteca penso nos muitos livros que ainda tenho que ler e reler”, afirma.

Natural de Tubarão, no Sul de Santa Catarina, Amilcar Neves já publicou oito livros, entre eles os de contos “O insidioso fato – algumas historinhas cínicas e moralistas”, “Dança de fantasmas – contos de amor” e “Relatos de sonhos e lutas”, as crônicas “Da importância de criar mancuspias” e a novela “Movimentos automáticos”.

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