Publicidade
Segunda-Feira, 10 de Dezembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 19º C

Alma encantada de crioulo

Cantor paulista Criolo, uma das revelações da música brasileira em 2011, se apresenta neste sábado (1) no festival UFSCtock

Fábio Bispo
Florianópolis
Divulgação/ND
Disco de canções projetou o artista, mas sem perder a personalidade e a essência que ele herdou do rap  

Depois de 22 anos suando a camisa pelo rap paulistano, Kleber Gomes, 34, - que já foi Criolo Doido, mas atualmente assina somente como Criolo - rompeu as fronteiras do bairro onde mora, o Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, para cair nas graças do país com o disco “Nó Na Orelha” (2011). Resgatando o valor das coisas simples da vida, sem deixar de ser contundente, marca característica do rap, Criolo solta a voz passeando por outras “estéticas musicais”, como ele mesmo nomeia. O cantor é uma das atrações mais aguardadas, neste sábado(1), no palco do UFSCtock.

Em tempos em que as pessoas dificilmente reconhecem o próprio vizinho, a poesia de Criolo ganha tom providencial. “Ninguém é máquina! As pessoas estão vivas, somos seres humanos, mas às vezes não nos damos conta disso.”, comenta. Ele lembra que começou no rap aos 12 anos de idade, de lá pra cá foi aperfeiçoando a escrita e o olhar. É fundador da Rinha dos MC’s, que abriga batalhas de freestyle, shows semanais, exposições de grafite e fotografias. Antes de “Nó Na Orelha”, Criolo lançou “Ainda Há Tempo” (2006), disco só com raps.

Para Criolo o disco de canções, e não somente rap, está longe de ser uma forma de deixar o passado guardado em algum lugar. “Só o fato de ser filho de nordestino e de morar em uma favela da Zona Sul é maravilhoso. Tive contato com todos os ritmos, isso é a música brasileira.”. O sucesso meio que pegou ele de surpresa. “Eu estava encerrando minha carreira e então fui convidado para registrar minhas canções. Não esperava toda essa repercussão, fiz o ‘Nó Na Orelha’ da mesma forma como faço meus outros trabalhos, com muita sinceridade e amor”, expressa.

Olhar Inquieto e Crítico

Para os mais desavisados e que ainda não conhecem o som de Criolo, o disco está disponível para download no site do artista (www.criolo.art.br). Em dez canções, Criolo retrata o mundo a partir de um olhar inquieto. A crítica é um dos pontos centrais do disco e, ao explorar diferentes formas de linguagem (sintage, ritmo), Criolo parece tocar a alma daquilo que Sabotage deixou pra trás ao ser assassinado há oito anos. “Atitudes de amor devemos samplear/Mulatu Astatke e Fela Kuti escutar”, diz o trecho de “Mariô”, que trás uma levada afrobeat.

O disco ainda conta com o reggae “Samba Sambei”, a amarga R&B “Não Existe Amor em SP”, e o samba-funk “Bogotá”, além dos raps, esses trazem elementos diferenciados sem destoar da alma que conduz o disco. No site também é possível assistir o clipe de “Subirusdoistiuzi”.

Para o show em Florianópolis Criolo tem apenas uma certeza. “Vamos tocar o disco, mas pode sair outras canções, algumas inéditas, não sei”, diz. Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, que produziram o disco, também compõem a banda na apresentação no Ufstock. A apresentação está marcada para as 22h.

VMB 2011 

Criolo é a primeira atração confirmada do VMB. Mas o autor do disco ‘Nó Na Orelha’ não sobe sozinho ao palco. Para cantar “Não Existe Amor Em SP” Criolo contará com a presença de Caetano Veloso. Ele concorre em cinco categorias, entre elas melhor disco, artista do ano e melhor música.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade