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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Além de mostrar a criação universitária, Octa Fashion se mostra como um evento profissional

Formandos da Udesc mostram muita qualidade de criação em grande parte das mais de 30 coleções apresentadas

Carolina Moura
Florianópolis
Luiz Evangelista/ND
Mariana Cabral confeccionou seus tecidos com uma técnica que envolve apenas as mãos e fios de lã de carneiro

 

O desfile do Octa Fashion impressiona pela produção. O evento, que marca a formatura do curso de moda da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), já faz parte do calendário da cidade e cresce a cada ano. Da passarela com painéis de LED às sacolas com a revista do evento dispostas cuidadosamente em cada uma das cadeiras, o Octa se sobrepõe aos principais eventos de moda da cidade, que têm grandes empresas por trás. Produzido pelos alunos durante um ano, com apoio da universidade, o desfile conta com empresas parceiras e muito esforço por parte dos formandos. E isso tudo é sem levar em conta o fato de que esse é um dos poucos espaços que apresenta moda conceitual em Santa Catarina.

Em termos de criação e execução, o desfile apresenta sem dúvida coleções de muita qualidade. Com destaque para “A pele que habito”, de Mariana Cabral, que se inspira na pele humana para produzir tecidos usando apenas as mãos e a lã de carneiro, e “[Re]leitura”, de Mariana Calvette Cesar, que reutiliza jeans, vestidos e tecidos velhos em capas geométricas que compõem looks despojados, à la Isabel Marant. Em contraposição algumas coleções parecem não conseguir expressar uma identidade, como “La Chemise” e “Dualidade Invisível”.

O desfile das coleções — de três looks por formando — ainda encontram alguns tropeços, como peças que dificultam o caminhar ou o movimento das modelos— como no caso da coleção de beachwear de Gabriela Nagel, em que as elas pareciam prestes a cair ao tirar os pés calçados em sandálias de salto, um a um, dos vestidos que cobriam os belos maiôs criados pela estilista. Coisas que não tiram o mérito do trabalho, mas servem como aprendizado nessa primeira experiência — certamente caótica — de pensar uma coleção completa e apresentá-la na passarela pela primeira vez.

Do conjunto de coleções, a divisão segue a linha que normalmente se apresenta nos desfiles da Udesc: muitas coleções femininas e várias infantis — também femininas. Neste ano também há três coleções masculinas, uma de infantil masculino, duas de lingerie e uma de beachwear. Uma adição bem-vinda é uma coleção plus size, “Big girl you are beautiful”, de Renata Vivan. É só uma pena que as três criações da estilista sejam muito parecidas, todas com os mesmos materiais que remetem a couro e tweed compondo calças skinny e blusas com tachas. Seria bom ver mais opções diferentes para o público GG.

Olhar do mercado para a produção universitária

Antes de começar o desfile, a professora Balbinete Silveira anunciou a má notícia da noite — o estilista Carlos Miele, presença confirmada no evento, cancelou a vinda na última hora. Ele enviou um vídeo explicando o motivo de sua ausência: uma pneumonia que contraiu em Nova York, onde presenciou o furacão Sandy. Mas os estudantes não ficaram sem um olhar profissional. Adriana Zucco e Jeziel Moraes, estilistas da Colcci, uma das marcas catarinenses de maior projeção, acompanharam o desfile e ontem à tarde compartilharam suas impressões com os estudantes, focados principalmente na transposição para o mercado.

Nenhum dos dois estilistas haviam assistido ao desfile da Udesc antes, mas conhecem o projeto e acreditam que é uma boa escola para os formandos. “Todo aquele stress que o mercado da moda gera, a correria, a ansiedade pela aceitação do público, aqui eles conseguem ter o primeiro ensaio”, diz Adriana. Mas o maior aprendizado, segundo Jeziel, virá em seguida, no mercado de trabalho. “A moda é business, não adianta sonhar com outra coisa. Até alta costura tem que vender”, diz ele. “Não adianta ter talento se não souber traduzir isso em desejo.”

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