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Albertina Prates abre mostra no Masc, em Florianópolis, nesta quinta-feira

"A pele" traz entre as obras pedaços de pele humana descartada em cirurgias, questão que virou polêmica entre a classe artística

Karin Barros
Florianópolis
17/03/2017 às 11H23
Albertina Prates - Marco Santiago/ND
Albertina Prates está planejando a mostra desde 2015 - Marco Santiago/ND



Albertina Prates, artista plástica criciumense, tinha em suas questões pessoais a preocupação com o universo e com o próprio corpo. Viu que a população vive em um tempo propício a conscientização e a necessidade de entender melhor o que é positivo para o indivíduo. Para ela, o homem se adsqua aos conceitos atuais para participar de padrão de beleza estipulado, e muitas vezes exagera na medida. Foi pensando nisso e em outras dezenas de questionamentos que Albertina começou o projeto “A pele”, em 2015.

Autorizada pela última administração da FCC (Fundação Catarinense de Cultura) em 2016 a iniciar a mostra sem nenhuma curadoria, a artista abre amanhã, às 19h, a mostra “A pele”, no Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), em Florianópolis. Albertina explica que a mostra lançará questionamentos aos visitantes, que podem visualizar questões como o sagrado, o corpo e a pele, como sendo a do planeta e a do próprio ser humano. A mostra traz inclusive um espaço destinado à pele humana de verdade, descartadas por pessoas que passaram por cirurgias plásticas. “Está tudo com documentação, tratado em laboratório, nenhum nome ou hospital é divulgado. É interessante porque a gente não se dá conta de como a pele é grossa, forte”, explica a artista.   

Parte de um cenário poético, o conjunto de pequenos pedaços do maior órgão do corpo coloca o público frente à frente com o lado mágico e inexplorado da pele humana. As peças estarão expostas em mobiliário especialmente desenvolvido para o armazenamento e exibição. 

Os sete ambientes do Masc serão ocupados com obras de arte em torno do tema. Telas gigantes, instalações e intervenções feitas pela artista no espaço expositivo. Uma das obras é uma árvore gigante ancestral, pintada na parede com carvão, que tem 4 metros de altura e 18 metros de largura. “Vivemos em simbiose com o planeta, e o símbolo desse intercâmbio entre nós e a terra é a árvore”, afirma. 

Ainda na mostra, 30 artistas locais fizeram sua colaboração e interferência. A instalação "Floresta"recebe a intervenção de diversos segmentos. O artista Marcoliva interfere na obra “Os Quatro Apocalípticos” e alunos da escola Dinâmica, na sala “Catarse”, por exemplo. Albertina explica que todos os participantes têm uma ligação direta com a natureza, e deixaram na exposição sua poética. 

Após crítica, FCC nomeia curadora adjunta para o Masc

Este ano, a presidência da FCC mudou, porém, exposições previstas e prometidas da administração passada ainda acontecem, como o caso da mostra “A pele”, de Albertina Prates. Contudo, agora a exposição vem causando discussões na internet, pois é mais uma das que iniciam com a falta de curadoria na instituição estadual e também sem passar por edital. O crítico de arte Janga Neves, escreveu em seu blog que “sem uma política de atuação consistente, o Masc transformou-se numa simples galeria de arte que intercala mostras sem um fio condutor que as explique. Desapareceram, sem deixar rastro, as itinerantes que davam visibilidade à produção catarinense, o ‘Salão Victor Meirelles’, que alcançou renome nacional e foi  simplesmente ignorado por uma gestão desastrosa  da política cultural, que feriu de morte a arte catarinense cada vez mais desestimulada e entregue à própria sorte.”. Em seu texto, Janga ainda criticou fortemente o trabalho de Albertina, principalmente pelo fato de ter incluído peles reais na mostra.

Entrevistada pela equipe do Plural, Albertina afirma que seu projeto passou pelo crivo de Fundação Franklin Cascaes, que considerou a mostra com potencial para o Masc. Disse ainda que no texto do crítico há verdade e inverdades, mas que prefere não criar uma polêmica maior.

O atual presidente da FCC, o professor Rodolfo Pinto da Luz, explicou que quando assumiu a gestão do órgão cultural, a mostra já estava marcada e não há o que fazer. Em relação a falta de curadoria nas exposições do museu, que é referência no Estado, que já se abriu para receber obras de artistas internacionais como Gaudí e Miró, Rodolfo divulgou nesta terça-feira o nome que irá assumir a curadoria adjunta:é Edna de Marco, servidora do Estado que atua na Sol (Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte). 

Edna, que também assumirá a coordenadoria de arte educação, trabalhava na área de projetos culturais da Sol, e é formada em arte educação com doutorado na Espanha. A reinserção da curadoria na Fundação faz parte da reestruturação administrativa do museu, que inclui a retomada do edital de exposição, que não acontece desde 2014, e a formação da nova comissão consultiva. Entre as funções da nova coordenadora está restabelecer o canal de decisões do Masc, estreitar a comunicação das outras áreas do órgão e retomar a relevância do Masc nas artes visuais no Estado, promovendo também o acervo do museu. 

Serviço
O quê: "A pele"
Quando: até 16/4, 10h às 21h, de terça a domingo 
Onde: Masc, CIC, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis. Tel.: (48) 3664-2629
Quanto: gratuito

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