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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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A visita do eterno Beatle Paul McCartney a Governador Celso Ramos

Fãs desapegados - Moradores da comunidade de Ganchos de Fora fazem pouco caso da presença do ilustre hóspede

Carol Macário
Florianópolis
Rosane Lima / ND
"Se fosse a Paula Fernandes eu ia ver", disse o pescador Rui Azevedo

 

“Pou Macartin? Se fosse mulher bonita eu até ia ver. Eu tenho mais o que fazer, tem mariscos pra pegar”, disse com desdém o pescador Adriano Darci dos Santos, 33, morador da comunidade de Ganchos de Fora, uma vila de pescadores da cidade de Governador Celso Ramos, há 40 km de Florianópolis. Assim como ele, outros moradores pouco deram importância para a presença de um ilustre hóspede na vila, Paul McCartney, o eterno Beatle, a lenda viva do Rock’n Roll, que chegou na madrugada de segunda (23) para uma estada de três dias no resort Ponta dos Ganchos, empreendimento luxuoso do local. De lá o cantor sai direto para o show que apresenta quarta (25) na Capital, no estádio da Ressacada.   

Paul McCartney, 69, não é o primeiro nem o último visitante famoso na comunidade. Acostumados com o vai e vem de personalidades e milionários que circulam nas praias no entorno do hotel, como as musas pop Fergie a Beyoncé, os pescadores e moradores no máximo param para responder perguntas dos hóspedes mais curiosos e que se interessam pela cultura local.

“Diz o povo que trabalha no hotel que custa R$ 8 mil a diária. Só sei que pernilongo deve ter bastante”, diz risonho o pescador Rui Azevedo, 58. “A gente na verdade não se interessa muito, acho que por isso que eles vêm pra cá”, afirma ele, que jura ter gostado dos Beatles no passado – não lembra de cabeça nenhuma canção, mas tem fresco na memória a morte trágica de John Lennon. “Já gostei muito. Tem aquele que mataram lá, comé que é mesmo o nome? Isso, ‘Jon Leno’”, responde ele mesmo.

Ao contrário dos moradores de Governador Celso Ramos, fãs do ex-Beatle já estão acampados desde segunda (23) no estádio da Ressacada.

 

Rosane Lima / ND
Paul está hospedado no bangalô 25 do resort Ponta dos Ganchos, o mais sofisticado do hotel

 

Cama e TV giratórias

Paul McCartney chegou por volta das 6h da manhã de segunda (23) no hotel e foi acomodado no bangalô de número 25, o último e mais maio luxuoso. “Diz que tem cama que gira, até TV que fica rodando”, garante Rui Azevedo.  Com 310 m², o bangalô é o mais sofisticado do hotel e estritamente privativo, com vista para o mar.

O mar, aliás, é o único ponto de onde se pode avistar o bangalô do cantor. O pescador Adriano Darci dos Santos, que gentilmente topou a aventura de levar a equipe do Notícias do Dia mar adentro em um barco a remo para uma tentativa de foto, ou de um pequeno aceno do astro, contou que quando trabalhava para o resort servia de guia para famosos. “Teve uma vez que o Zezé di Camargo não largava do meu pé, queria que fosse levar ele para conhecer o lugar”, lembra.

Paul tem trauma por causa da morte de John Lennon

O esquema de segurança no resort Ponta dos Ganchos é grande. Por mar e por terra, seguranças e até a polícia civil disfarçada toma conta de Paul McCartney. Um comboio de sete carros e cinco motos transportou o músico e seu staff na madrugada e despertou atenção de moradores. A rua que dá acesso à entrada do resort está protegida por agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais), que controlam quem entra e sai. Só os nomes e veículos que constam numa lista têm permissão para seguir. Entre os seguranças, circula o boato de que o cantor carrega um trauma devido à morte violenta de John Lennon, há mais de 30 anos, quando foi assassinado por um fã em Nova York.

Fãs Desapegados

Mesmo com o vai e vem de policiais e imprensa, a movimentação de fãs no entorno do hotel é inexistente, a não ser crianças e curiosos. Perto dali, o maior fã é o proprietário de um posto de gasolina. Valmir Nunes, 46, gosta dos Beatles desde que era adolescente, mas nem por isso deixou de lado a rotina de trabalho para tentar avistar Paul McCartney.

Em seu escritório guarda no armário livros biográficos de John Lennon e dos Beatles e um quadro de quase um metro enfeita a parede. “Admiro muito os Beatles, em casa tenho muita coisa”, diz. Mas Nunes não poderá ir ao show. Tampouco entrou em frenesi por saber do músico tão perto de sua casa. “Eles não deixam ir até lá, né?”, afirma o fã, sereno e completamente desprendido.

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