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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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A economia se reinventa com a criatividade

SC se destaca no cenário brasileiro pela força de sua economia criativa. Pelo menos 10 mil empresas têm as ideias como matéria-prima

Carol Macário
Florianópolis
Rosane Lima / ND
Beatriz Campos, da Fruto do Pano - marca de SC conceitual de lingeries e pijamas que usa insumos catarinenses e vende pata todo o Brasil

O Brasil é a quinta nação mais criativa do mundo. E criatividade, nesse caso, não quer dizer um conceito de ordem meramente estética, mas sim econômico. Isso porque o país começou a assumir a criatividade, a cultura, e o capital intelectual não apenas como instrumentos de transformação social, mas principalmente como eixos de desenvolvimento econômico e geração de riquezas. É a chamada economia criativa, conceito que define o olhar da economia para a criatividade, e que, juntando toda a sua cadeia produtiva, movimenta mais de dois milhões de empresas brasileiras. Numa estimativa da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), com base na massa salarial gerada por essas empresas, o núcleo criativo gera um Produto Interno Bruto equivalente a R$ 110 bilhões. O valor pode chegar R$ 735 bilhões se considerada a produção de toda a cadeia da indústria criativa nacional, equivalente a 18% do PIB brasileiro.

E Santa Catarina, embora conte com uma indústria ainda muito tradicional (conceito da economista Ana Carla Fonseca para indústria de transformação), se destaca no cenário econômico brasileiro pela força de sua criatividade. Pelo menos 10 mil empresas, segundo a Firjan, têm as idéias como principal matéria-prima. A estimativa é que o núcleo criativo estadual gere um PIB de R$ 3,8 bilhões, ou 2,3% de tudo o que o Estado produz.

“A economia criativa surge a partir dos anos 1990, num momento em que há um encontro de produtos disputando mercado com a China”, explica a economista Ana Carla Fonseca, uma das primeiras no Brasil a publicar estudos sobre o assunto. “Diante de um cenário econômico de globalização, o que se percebeu é que ou se briga pelo preço – e aí não vale a pena – ou com um diferencial, com valor agregado.” E é aí que entra a criatividade e a inovação.

O conceito origina-se do termo “indústrias criativas”, inspirado no projeto australiano Creative Nation, de 1994, que defendia, entre outros elementos, a importância do trabalho criativo para a economia do país. Três anos depois, o Reino Unido, diante de um contexto de competição econômica e mercado globalizado, fez um primeiro mapeamento das indústrias criativas.

Santa Catarina é destaque no Brasil

Para o economista Gabriel Pinto, especialista em desenvolvimento econômico da Firjan, os criativos são responsáveis pela virada de jogo da indústria e economia brasileira. Segundo ele, é importante destacar que o potencial competitivo do Brasil tem que ser no valor agregado. “E daí a importância de jogar luz sobre os profissionais criativos, eles são responsáveis por gerar valor agregado nas indústrias tradicionais.”

Em Santa Catarina, embora o tema ainda seja carente de pesquisas – nenhuma entidade catarinense chegou a levantar informações –, a revolução econômica e cultural está nas mãos e mentes dos criativos, que hoje somam 38.730 profissionais, segundo estudo da Firjan. Esse dado coloca o Estado em terceiro lugar no ranking nacional no que diz respeito a participação de trabalhadores criativos, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Moda, arquitetura & decoração e software & tecnologia são nossas três principais vocações. “Santa Catarina tem um potencial magnífico. O ambiente é favorável, tem as condições do turismo, ciência e tecnologia, da moda. O Estado pode vir a ser uma referência”, diz com entusiasmo a secretária nacional de economia criativa, Cláudia Leitão.

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