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Uma punição injusta

Florianópolis - 20/03/2017 08:03

Como era de esperar, as maiores repercussões da operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal, ocorreram nas regiões que lideram a produção de proteína animal no Brasil. Em Santa Catarina, único Estado do país livre de febre aftosa sem vacinação, há razões de sobra para preocupação, porque o impacto da operação, que detectou corrupção envolvendo a liberação de produtos adulterados e impróprios para o consumo humano, pode prejudicar as exportações e o faturamento do agronegócio, um dos sustentáculos da economia estadual. É lamentável que o problema, provocado pela irresponsabilidade de funcionários de empresas produtoras e funcionários públicos, afete indistintamente regiões onde há extremo cuidado com a sanidade e o controle de qualidade e outras onde predomina o desleixo em relação à produção de carnes e derivados.

Santa Catarina tem um grande patrimônio neste campo, com mais de 50 anos de investimentos e aprimoramento técnico constante no setor de carnes. São 600 empresas em operação, que empregam quase 60 mil pessoas de extrema qualificação, e um conceito de excelência em mercados exigentes como a Europa, os Estados Unidos, o Japão e o Oriente Médio. Não há como negar a relevância da operação Carne Fraca, que pode colocar um fim nas ilicitudes envolvendo funcionários de empresas e servidores federais. É preciso que os culpados sejam punidos, afastados de suas funções e investigados a ponto de indicarem outros enredados nas fraudes, para extirpar o mal pela raiz.

Afinal, eles praticaram crimes conta a saúde pública e podem criar embaraços de grande monta em mercados conquistados com esforço hercúleo por empresários e governos, por meio de investimentos, missões e participações em eventos internacionais ao longo das últimas décadas. A indignação desses agentes faz sentido na medida em que Santa Catarina tem uma cadeia produtiva moderna, sustentável e ancorada em tecnologia avançada e pesquisa de ponta. Não foi por acaso que o Estado se tornou o maior exportador de carne suína e o segundo na venda de carne de frango ao exterior. Jogar esse patrimônio pela janela por causa da ganância de um pequeno grupo seria lamentável, até porque a absoluta maioria das empresas leva seu trabalho a sério, diuturnamente. Que esse episódio sirva para o país avançar, aprimorando os mecanismos de controle sanitário e depurando os quadros envolvidos nesse trabalho.

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