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Transformar o turismo

Diego Brites Ramos

Florianópolis - 26/01/2017 08:01

Morar em Florianópolis, a segunda cidade mais procurada do Brasil nesta temporada de verão segundo o Ministério do Turismo, é muito bom. Além da beleza exuberante, somos sinônimo de refúgio moderno: traços simples, jeito fagueiro de viver, sem nos isolarmos do mundo; temos uma capital tecnológica e cosmopolita, por isso são esperados quase 2,5 milhões de visitantes até o final do verão, conforme expectativa das entidades do turismo daqui.

Apesar da tendência de uma boa temporada para compensar a crise econômica que atinge o país e favorece os destinos internos, tem gente reclamando: o setor imobiliário diz que o faturamento do começo do período mais quente do ano está até 40% menor nas principais regiões da cidade. Em alguns casos, quase metade dos que queriam alugar uma casa ou apartamento para passar as férias à beira do mar não o fizeram neste ano — um dos bairros onde o fenômeno foi identificado é Jurerê Internacional, tradicional reduto de bon vivants da cidade e de fora.

O curioso é que, ao circular pela cidade, o que se vê não é a falta de turistas: ela está cheia de carros com placas de fora de Santa Catarina e do Brasil. Especialistas que monitoram a atividade turística esperam 20% a mais de visitantes em 2017. Caso os números não se confirmem e tenhamos um verão com menos gente de fora de verdade, devemos pensar se além da crise, não temos outro inibidor: a falta de inovação e a baixa aplicação da tecnologia no turismo. A forma de explorar essa atividade econômica mudou, e muito em função da hiperconectividade. Por que ficar em quartos de hotéis ou contratar os serviços de imobiliárias se é possível acomodar-se de forma mais rápida e barata?

O aplicativo de de compartilhamento de imóveis Airbnb, uma das startups mais valiosas do mundo, aumentou em mais de 380% a quantidade de leitos disponíveis em Florianópolis neste verão. Em 2015/16, eram 1,3 mil opções. Agora, mais de 5 mil, a terceira cidade que mais cresce nesse mercado, atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo. A tecnologia está eliminando os intermediários — veja a Uber e outras iniciativas. O avanço das plataformas digitais também atinge carreiras tradicionais, e põe em xeque profissionais que não evoluem. Não há como parar a evolução. É preciso enxergar nela uma oportunidade, regulamentá-la e transformar para melhor o nosso mundo de forma racional e econômica.

Diego Brites Ramos
Diego Brites Ramos

Engenheiro e Diretor da Teltec Solutions

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