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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Zona azul está sem fiscalização e rotatividade com a greve da Guarda Municipal de Florianópolis

Mais de cinco mil vagas de estacionamento estão sem fiscalização em Florianópolis e secretário de Segurança e Trânsito pede apoio para a Polícia Militar

Michael Gonçalves
Florianópolis

A GMF (Guarda Municipal de Florianópolis) confirmou ontem, em assembleia, a greve pela falta de segurança no trabalho. Sem a presença dos agentes em vias públicas, a Zona Azul virou um território sem lei. O Notícias do Dia flagrou um veículo estacionado na mesma vaga durante um dia inteiro na rua Sete de Setembro, no Centro da Capital. Segundo uma funcionária da empresa Minha Vaga, que administra a venda dos cartões do sistema de estacionamento rotativo, o motorista não adquiriu uma hora ao menos.

Marco Santiago/ND
Veículo ficou o dia inteiro estacionado em uma vaga no Centro sem pagar pelo bilhete

 

A cidade tem mais de 5.000 vagas de Zona Azul. Pelo critério, cada veículo pode ficar de uma a cinco horas no mesmo local, mas dependendo da região a vaga de estacionamento pode ter o tempo máximo de duas horas. “Um dos prejuízos à população pela greve da GMF é a falta de rotatividade nas vagas e para isso é que o sistema foi criado. Todas as pessoas têm o mesmo direito de estacionar nesses espaços públicos, mas a falta de fiscalização resulta em ocupações irregulares”, lamentou o secretário de Mobilidade Urbana da Capital, Vinicius Cofferri.

A Guarda não realiza serviços externos desde o dia 2 de julho. O motivo foi o cancelamento do porte de arma pela Polícia Federal, em virtude da falta de um curso de capacitação que não é feito há oito anos. A partir da última quinta-feira, após mais uma asssembleia, os agentes decidiram ocupar alguns locais do patrimônio público. No último domingo, fiscais do transporte da secretaria foram os responsáveis pela colocação dos cones para a ciclofaixa de Coqueiros.

Mesmo sem saber da greve da GMF, o advogado Otávio Tirello, 40 anos, comprou um cartão da zona azul e respeitou as regras de utilização. “Não adianta me aproveitar da falta de fiscalização, porque depois serei eu que não terei uma vaga à disposição para estacionar. A população precisa fazer a coisa certa, mesmo quando ninguém está olhando”, disse.

Na próxima quinta-feira, às 14h, agentes, prefeitura e Polícia Federal têm uma audiência de conciliação na Justiça Federa. O objetivo é por fim ao impasse e que a GMF volte a exercer as atividades externas.

Secretário pede apoio para a PM

Para o secretário de Segurança e Trânsito de Florianópolis, José Paulo Rubim Rodrigues, a solução é solicitar apoio para a Polícia Militar. Ele informou que ligaria para o comando do 4º BPM pedindo auxílio na fiscalização das vagas da Zona Azul. “Enquanto isso, continuo sem entender a motivação da greve”, ressaltou.

Florianópolis tem 170 guardas municipais, sendo que 25 deles são recém-formados e não têm porte de arma. Em compensação, os novos agentes têm o curso atualizado e precisam do porte para trabalharem armados. Rodrigues prometeu assinar o convênio para a realização do curso nesta semana com a Polícia Rodoviária Federal.

O presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Santa Catarina, Alexsandro Coelho, informou que cerca de 90 agentes participaram da assembleia. Ele explicou que o efetivo será reduzido em 30% por turno. “A greve não é por salário, mas pela falta dos equipamentos de segurança para o trabalho. A categoria exerce a sua atividade com coletes à prova de bala vencidos, carros sem manutenção e, agora, sem as armas”, justificou.

População dividida sobre os guardas municipais

A GMF não trabalha externamente há dez dias e a população não parece sentir falta da corporação. Com o estigma de que foi criada apenas para multar, a Guarda divide opiniões. O eletricista Carlos Gonzalez, 43 anos, questiona o trabalho desses profissionais. “Raramente vejo um guarda municipal quando estaciono no Centro. Também questiono se eles estão preparados para trabalharem armados e a falta dos cursos confirma a minha tese”, disse.

Marco Santiago/ND
Guardas faziam a segurança na sede da prefeitura

 

A reportagem do ND esteve ontem na sede da prefeitura, na rua Tenente Silveira, e presenciou três agentes de serviço na portaria do edifício. Mais tarde, eles deixaram o prédio e seguiram rumo à praça 15 de Novembro.

A relações públicas da Polícia Militar de Santa Catarina, capitão Karoline Melo da Cunha, informou que os militares estão exercendo uma das atividades da Guarda. Os policiais estão presentes no Centro Pop, que recebe a população em situação de rua, na passarela Nego Quirido.

O aposentado José Carlos Brasil, 60, também reconhece não sentir falta dos guardas municipais. “Na verdade não gosto deles, mas reconheço que é necessário o trabalho desenvolvido pelos agentes. Eles passam uma sensação de segurança, mesmo quando estão cuidando apenas do trânsito”, contou.

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