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YouTube ajudou a amplificar teoria da Ursal, diz relatório "think tank"

Quando um usuário assiste a conteúdos ligados a Ursal, diz o estudo, a plataforma de vídeos recomenda mais conteúdos com teorias da conspiração, um círculo vicioso que espalha desinformação

Folha de São Paulo
Washington (EUA)
30/08/2018 às 23H00

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O YouTube teve um papel importante na amplificação da teoria da Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina), segundo um artigo publicado nesta quinta (30) pelo Digital Forensic Research Lab, do Atlantic Council, "think tank" americano.

O termo ganhou fama após ter sido citado pelo candidato a presidente Cabo Daciolo (Patriota) durante o debate presidencial de 9 de agosto. Mas a suposta conspiração comunista não passa de uma sigla criada pela socióloga Maria Lucia Victor Barbosa para ironizar o Foro de São Paulo, conferência de partidos de esquerda, de 2001.

Quando um usuário assiste a conteúdos ligados a Ursal, diz o estudo, a plataforma de vídeos recomenda mais conteúdos com teorias da conspiração, um círculo vicioso que espalha desinformação.

O relatório mostra que um site anti-petista ajudou a espalhar a teoria em 2015. O "Dossiê Ursal" continha uma série de links, muitos dos quais redirecionavam usuários para vídeos do YouTube.

A Ursal ganhou popularidade no YouTube ao longo dos anos. Gravações misturam a ideia de Pátria Grande, expressão que se refere à unificação latino-americana, com o Foro de São Paulo, acordos políticos e econômicos e blocos regionais.

Algumas gravações alegam que o Mercosul e a Unasul planejam criar um continente socialista unificado.

Um dos vídeos, intitulado "Ursal, Pátria Grande, Brics, Foro de São Paulo e PMDB, tudo a ver", mostra um discurso do então vice-presidente Michel Temer dizendo que é autor de um trecho da Constituição brasileira que trata da formação de uma comunidade de nações latino-americanas.

A Constituição, no entanto, não menciona a abolição das fronteiras ou a renúncia à soberania nacional.

O filósofo Olavo de Carvalho aparece na mesma gravação, falando que os países dos Brics planejavam criar uma moeda única, o que "significaria automaticamente [a implementação de] um governo mundial, sediado nas Nações Unidas".

Um outro vídeo, publicado duas semanas antes do debate presidencial de agosto por um canal evangélico chamado Alerta Cristão, afirma que a Ursal é a segunda parte de um plano de três fases para criar uma nação comunista e anti-cristã na América Latina.

Até George Bush, Barack Obama, Emmanuel Macron e o papa Bento 16 falam sobre "uma nova ordem mundial" em conteúdos ligados à Ursal, um indicativo de que eles apoiariam a união de todas as nações. O vídeo diz que a união das repúblicas socialistas seria o primeiro passo para atingir esse objetivo.

O número de visualizações de conteúdos relacionados à Ursal explodiu após o debate, diz o estudo. Dos dez vídeos mais assistidos em 20 de agosto, ao menos quatro tratavam o termo como algo real. Outros reconheciam que tratava-se de uma piada.

A conclusão do relatório é que o YouTube, por meio de seus algoritmos, é capaz de espalhar desinformação no Brasil, assim como outras redes sociais. Às vésperas das eleições presidenciais, a recomendação é ficar de olho na plataforma.

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