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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Voluntários reúnem haitianos para ceia de Natal em Palhoça

Participantes cantaram hino do Haiti e canções em francês e creole durante a festa

Alessandra Oliveira
Florianópolis

Por amar e tentar oferecer uma vida mais digna aos seus familiares, dezenas de haitianos se afastaram daqueles que lhes são mais preciosos no mundo e se instalaram em Palhoça. Na tentativa de oferecer um pouco de acolhimento, um grupo de voluntários da cidade organizou uma ceia natalina para homens e mulheres que passam o primeiro Natal longe de suas famílias. A confraternização cumpriu seu propósito ao aproximar conterrâneos e mostrar que há esperança mesmo longe do país que tenta se reconstruir após o devastador terremoto de 2011.

 

Bruno Ropelato/ND
João Cherelus (à dir.) e a mulher Lurene Jenti (ao lado) passam primeiro Natal longe da filha de quatro anos


Eles chegaram acanhados, sem saber onde por as mãos. Foram se soltando enquanto ajudavam a finalizar a decoração das mesas e do salão. Quarenta e sete, dos 50 haitianos convidados vieram para a ceia de Natal. “Soube por um amigo que eles assistiam aulas de língua portuguesa aqui no bairro Alto Aririú. Então juntamos os ingredientes para preparar uma ceia simples, porém acolhedora”, disse o voluntário Rafa Inácio, 28 anos, ao detalhar que tudo aconteceu em uma semana. O encontro foi realizado na noite de segunda-feira, na igreja do bairro.

As músicas em francês, o hino do Haiti e o encontro com os conterrâneos fez Lurene Jenti, 25, voltar os pensamentos para sua terra e para a filha de quatro anos, Wiskenn Love. A menina ficou no Haiti com a avó paterna, quando a mãe partiu para se juntar ao marido, João Cherelus, 30, no Brasil, há menos de um ano. Lurene trabalha com limpeza e ele em uma indústria de blocos de concreto. “Aqui parece com Haiti. Tem desigualdade, algo que não sinto falta”, disse Cherelus, ao salientar que queria estar com a filha para contar-lhe a história do Natal e brincar com a menina. “Minha casa é bonitinha. Queria estar lá. Minha família agora são meus amigos brasileiros”, disse, ao salientar que não pretende passar mais de três anos no Brasil.

Ao contrário dos amigos João e Lurene, Franceline Nicolas, 37, não quer retornar ao Haiti. Sua meta é juntar dinheiro para trazer o marido, a filha de 16 anos e o filho de três. “Custa muito caro, em média R$ 7 mil por pessoa. Mas eu vou conseguir”, disse em seu português limitado. Embora reconheça o medo de viajar para um país estranho, sozinha, tenha sido grande, ela ressalta que a necessidade foi maior. Franceline perdeu 15 familiares no terremoto de 2011. “É Natal. Queria estar com eles”, diz ao fixar os olhos nas fotos das crianças, na pequena tela do telefone celular e detalhar que são dez meses de saudade. Há duas semanas ela ficou sem trabalho. “Estou aflita. Preciso de outro emprego”, pediu.

Bruno Ropelato/ND
Especialista em paellas, Corleta (à dir.) se voluntariou para preparar o jantar

A assistente social Aline de Jesus, 34, foi uma das voluntárias responsável pela realização da ceia. Ela afirmou que a intenção dos mais de 30 amigos engajados na tarefa era mostrar que os haitianos são bem vindos por aqui. “Esse é um país de imigrantes. O que acontece agora é um novo movimento histórico. Se eles estão vindo para cá é porque temos trabalho e melhores condições de vida. Eles não tiram oportunidade de ninguém”, defendeu.

No Haiti, Solva Villa, 32, era segurança privado. Em Palhoça ele é pedreiro aprendiz. São sete meses árduos para poder enviar dinheiro para sua filha de um ano e para a mulher. “Quero trazê-las para cá. Internet diminui, mas não mata a saudade, ainda mais no Natal”, observa enquanto o especialista em paellas, Luiz Henrique Corleta, serve seu prato.  

 

 

 

 

 

 

 

 

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