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Vinícola Villaggio Grando ajuda a tornar o Estado referência nos vinhos de altitude

A vinícola de água Doce é dona da maior área de videiras plantadas em Santa Catarina

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
19/03/2017 às 19H34

Santa Catarina sempre esteve à margem das rotas dos bons vinhos no Brasil, até que os pesquisadores – e alguns observadores anônimos – descobriram propriedades no solo e peculiaridades no clima que catapultaram algumas regiões à condição de ideais para a prática da vitivinicultura. Hoje, os chamados vinhos de altitude têm destaque na mesa de apreciadores exigentes e frequentam as cartas de restaurantes sofisticados nas principais capitais brasileiras.

Dona da maior área de videiras plantadas no Estado, a Villaggio Grando produz 180 mil garrafas por ano e ajuda a consolidar o prestígio do vinho catarinense. Ela concilia a fabricação do produto com o enoturismo, o que faz da visita aos 46 hectares da propriedade, no município de Água Doce, o sonho de consumo de muitos viajantes de bom gosto.

A vinícola de água Doce é dona da maior área de videiras plantadas em Santa Catarina - Divulgação/ND
A vinícola de água Doce é dona da maior área de videiras plantadas em Santa Catarina - Divulgação/ND


O primeiro plantio no distrito de Herciliópolis, no Meio-oeste do Estado, onde se encontra a vinícola, ocorreu em 1999, depois que um amigo francês dos Grando (cuja família tinha experiência na produção de bebidas na Europa) mexeu na terra e analisou o clima e a altitude de Água Doce, indicando que estava ali um local com grande potencial para a produção de vinhos de ponta.

Naquela região, o inverno é rigoroso, as estações são bem definidas e há insolação suficiente para ajudar a maturar uma uva com características únicas, que é colhida mais tarde, até o mês de maio. Somaram-se a esses fatores a aposta na pesquisa e a chegada de investidores dispostos a aproveitar a vocação da região para desenvolver uma bebida que vem se inserindo cada vez mais no rol dos produtos de excelência de Santa Catarina.

“São pessoas de outros ramos que colocaram recursos, usaram tecnologias corretas e trouxeram bons profissionais de fora para obter resultados rápidos”, diz Guilherme Sulsbach Grando, diretor da Villaggio Grando, ao falar dos fatores que transformaram diferentes regiões de Santa Catarina em produtoras de vinhos de qualidade.

Hoje, são 35 as vinícolas situadas no Meio-oeste, Vale do Rio do Peixe e no Planalto Serrano que lideram esse processo. O impacto é considerável: em São Joaquim, um dos principais pólos produtores, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,8 vezes depois que as vinícolas se instalaram no município.

Enoturismo reforça ganho das empresas

Basta consultar as redes sociais para ver como os visitantes da Villaggio Grando se surpreendem e saem maravilhados da vinícola, em Água Doce. As plantas trazidas da França há quase 20 anos produzem uvas cada vez melhores e já chega a 100 o número de variedades de vitiviníferas em constante aperfeiçoamento.

Os turistas podem passear nos vinhedos e ao final participam de degustações de vinhos tintos, brancos, roses e espumantes. “O enoturismo ganhou força nos últimos anos e vem garantindo a sobrevivência do segmento”, afirma Guilherme Grando. “Em alguns casos, ele representa 30% do faturamento das vinícolas, além de ser uma grande vitrine”.

A Villaggio Grando ajuda a tornar o Estado referência nos vinhos de altitude - Divulgação/ND
A Villaggio Grando ajuda a tornar o Estado referência nos vinhos de altitude - Divulgação/ND


Como convém a quem está no mercado, a Villaggio Grando não para de investir e pesquisar e prevê uma produção recorde de 200 mil garrafas em 2018. Isso pode representar uma boa recuperação depois da quebra dos últimos dois anos, por causa de uma geada tardia em 2015. Além disso, há a intenção de produzir vinhos em pequenos lotes, com duas a quatro mil garrafas cada um.

Outra ofensiva em curso é a fábrica instalada em Mendoza, na Argentina, onde são produzidos dois tintos e um chardonnay. A assessoria permanente do enólogo português António Saramago, com 50 anos de experiência na consultoria a vinícolas em diferentes países, é também um diferencial digno de registro.

Imposto explica o preço elevado

Os campos de altitude de Santa Catarina produzem cada vez mais e melhor, mas o segmento enfrenta problemas sérios como a entrada ilegal de vinhos dos países do Cone Sul e a elevada carga tributária que reduz a competitividade do produto brasileiro. “Nosso vinho é considerado caro, mas 60% dele é imposto”, ressalta Guilherme Grando.

Ao contrário da Europa, onde o vinho é visto como alimento, aqui ele é tratado como álcool, com as alíquotas pesadas que atingem esse segmento. A esperança dos produtores está depositada na promessa do presidente Michel Temer de que em 2018 o setor vai ser incluído no Simples nacional. “Assim, teremos padrões similares aos do resto do mundo”, prevê Grando.

Por outro lado, o diretor da Villaggio Grando comemora o aumento do consumo do vinho nacional, graças à redução do preconceito e ao maior acesso a informações sobre o assunto. “No passado, vinho era para o Réveillon, e hoje ele está em todos os restaurantes”, afirma. Situada no km 56 da rodovia SC-451, a vinícola pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h, e aos sábados, mediante agendamento.

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