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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Vinhos transformam a Serra e o Meio-oeste catarinenses

Produção minuciosa da bebida atrai visitantes e fortalece economia local

Redação ND
Florianópolis

As terras de altitude em Santa Catarina, na Serra e no Meio-oeste, despontam para um segmento que encanta pela beleza e pela meticulosa produção. Trata-se das vinícolas, empreendimentos que carregam a tradição da produção dos vinhos e prometem para os próximos anos erguer essas regiões em todos os setores. Do econômico ao turístico, até chegar ao social.

Essa é a expectativa do médico Leônidas Ferraz, que em 2004 comprou um terreno em São Joaquim e lá criou a Vinhedos Monte Agudo. Ele investiu R$ 3 milhões até hoje no plantio das uvas para a fabricação da bebida. “O potencial daqui é inesgotável”, avalia Ferraz, destacando que, mais do que trazer turistas para São Joaquim, espera a valorização da cidade como um todo, levando em consideração outras regiões no mundo com a vocação da vinicultura. “Sabemos que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de cidades onde há presença de vinícolas aumenta. Isso se reflete na educação da população, evita que as pessoas deixem as cidades e ainda faz crescer a economia”, destaca o médico e empresário.

No relatório divulgado este ano, o IDH de São Joaquim é 0,698. Um salto, se comparado a 1991, quando o índice era de 0,446, época em que as vinícolas ainda não existiam. Em média, elas têm dez anos de existência na região. Quanto mais perto do número 1, melhor a condição da cidade em desenvolvimento humano. Hoje são 28 empresas associadas à Acavitis (Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude), que no início deste mês recebeu convidados em Florianópolis para o Colóquio Internacional Vinho, Patrimônio, Turismo e Desenvolvimento. Além das discussões, os pesquisadores foram convidados para uma visita técnica aos vinhedos catarinenses.

Gaúchos e catarinenses com focos diferentes

Apesar da proximidade com o Rio Grande do Sul, não é possível comparar a produção gaúcha de vinhos com a catarinense. Conforme avalia o enólogo da vinícola Villa Francioni, em São Joaquim, Nei Geraldo Rasera, o foco de Santa Catarina está na qualidade e não na quantidade produzida. De lá saem 150 mil garrafas todos os anos. Enquanto isso, em uma grande vinícola do Estado vizinho, são 39 milhões de litros no mesmo período, o equivalente a 50 milhões de garrafas.

“São conceitos diferentes da bebida. Eles procuram o preço mais baixo e a produção maior”, destaca o enólogo, lembrando que os 26 hectares com as dez variedades de uvas poderiam dobrar a produção anual da Villa Francioni. Isso só não acontece ainda por causa do consumo baixo. “Não temos planos para ampliar a produção”, sintetiza.

Para Maurício Carlos Grando, fundador da Villaggio Grando, vinícola localizada em Água Doce, no Meio-oeste, os catarinenses apreciam o produto produzido no Estado. O problema está em encontrá-lo nos restaurantes. “A competição com as importadoras ainda é grande”, esclarece. Ainda assim, Grando tem o que comemorar, afinal, no último ano o consumo brasileiro de espumantes cresceu 16%. “Nesse tempo aumentou 150% a compra das nossas opções de espumantes”, completa.

Mercado consolidado em cinco anos

O setor de vinícolas está esperançoso para os próximos cinco anos, quando a produção catarinense de vinhos se consolidará no mercado, conforme as expectativas otimistas do enólogo Jean Pierre Rosier, consultor de empresas como a Vinhedos Monte Agudo e Villaggio Grando.

Ainda assim, o setor pena com a carga tributária brasileira. Um exemplo vem da Villaggio Grando, que além de produzir em Água Doce tem uma extensão na Argentina, no projeto “Villaggio Grando pelo mundo”. Para se ter uma ideia dos custos brasileiros, uma garrafa de vidro na Argentina custa R$ 0,50, enquanto aqui o valor é de R$ 6. “Não há incentivo no Brasil para o nosso produto. O mesmo vinho que vendemos por R$ 40, em Miami (EUA), vale menos de US$ 12”, compara Guilherme Grando, filho do fundador da vinícola.

O empresário, no entanto, não pretende parar com os investimentos. O próximo está na construção de um espaço para produção exclusiva de espumantes. “Teremos um ambiente totalmente robotizado, com capacidade de fechar 999 garrafas por etapa de produção. Isso garantirá mais segurança e agilidade no trabalho”, afirma o fundador Maurício Grando, destacando que hoje, das 260 mil garrafas produzidas anualmente, 60% são de espumantes.

Além da uva

Enquanto as uvas se multiplicam nos terrenos de altitude catarinense, as maçãs também ganham o espaço devido na economia. Tanto que somente na cooperativa Sanjo, em São Joaquim, são cem mil litros de suco de maçã vendidos todos os anos, de um total de 40 mil toneladas do fruto colhido no período. Enquanto isso, na cooperativa, são produzidos 60 mil litros de vinho.

A aposta na maçã aparece na cidade de Treze Tílias, no Meio-oeste. A Vinícola Kranz, além dos 70 mil litros de vinho anuais, distribui no mercado mais 400 mil litros de suco de maçã. “Outro fico está nas geleias finas. O objetivo é produzir com qualidade sempre, sem quantidade de produção”, esclarece o proprietário, Walter Kranz. Com um investimento alto na compra de equipamentos alemães, austríacos e franceses, a intenção do dono é utilizar os mesmos tanques para a produção tanto dos vinhos quanto das geléias e sucos.

Da produção para o turismo

Além de encontrar os vinhos nas gôndolas dos supermercados ou nas mesas dos restaurantes de todo o país, os interessados podem vivenciar o processo de produção da bebida. O enoturismo virou moda na Serra e Meio-oeste, tanto que os empresários investem alto para atrair turistas ao interior do Estado.

Na vinícola Villa Francioni, por exemplo, 25% do lucro obtido todos os anos vêm dos turistas. Lá é possível conhecer cada passo da produção: da visita aos parreirais até chegar aos barris de carvalho onde a bebida envelhece. Ainda em São Joaquim, a cooperativa Sanjo abre todos os dias para os visitantes e recebe por ano 40 mil pessoas que conhecem a fabricação do vinho e dos sucos de uva.

Mais do que proporcionar a degustação dos vinhos produzidos em cada casa, os empresários se preparam com a estrutura para receber os turistas. Na Villaggio Grando, o proprietário Maurício Grando prepara um campo de golfe para atrair mais visitantes. Além disso, está em projeto a construção de um espaço de degustação dos espumantes. Com arquitetura audaciosa, no cume de uma montanha, o espaço se assemelhará a um castelo feito inteiramente em vidro.

Mesmo sendo o vinho uma bebida lembrada normalmente no inverno, as vinícolas têm boas expectativas quanto à temporada de verão. Com passeios diferentes, como é o caso dos piqueniques em meio aos parreirais, oferecido pela Vinhedos Monte Agudo. “Estamos com ótimas expectativas. Muitos turistas que virão para as praias de Santa Catarina nos procuraram para reservar visitas”, destaca Leônidas Ferraz, que além do passeio na produção preparou um bistrô para degustação dos vinhos com vista privilegiada para o terreno da Monte Agudo.

 

Vinhedos Monte Agudo

Onde: estrada vicinal da rodovia SC 438, km 69, São Joaquim

Atrações: degustação, piquenique no vinhedo com produtos coloniais. É necessário agendamento

Quanto: R$ 70 (piquenique)

Horário: das 10h às 15h

Telefone: (48) 9933-7679

Site: www.monteagudo.com.br

 

Vinícola Villa Francioni

Onde: rodovia SC-438, Km 70, zona rural de São Joaquim

Atrações: degustação; visita à fábrica

Horários: 10h, 13h30 e 15h30

Quanto: R$ 30 (visita e degustação)

Telefone: (49) 3233-8200

Site: www.villafrancioni.com.br

 

Cooperativa Sanjo

Onde: avenida Irineu Bornhausen, 677, São Joaquim

Atrações: degustação; visita à fábrica

Horários: segunda a sábado, às 8h30, 10h30, 14h e 16h

Quanto: R$ 5 a R$ 15

Telefone: (49) 3233-0012 ou (49) 3233-1577

Site: www.sanjo.com.br

 

Vinícola Villaggio Grando

Onde: rodovia SC-451, km 56, Herciliópolis, Água Doce

Atrações: degustação; visita à fábrica

Horários: segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 13h30 às 18h

Quanto: de R$ 35 a R$ 50

Telefone: (48) 4052-8388

Site: www.villaggiogrando.com.br

 

Vinícola Kranz

Onde: rua dos Pioneiros

Atrações: degustação; visita à fábrica

Horários: segunda a sábado, das 8h ao meio-dia e das 13h30 às 18h, e domingos, das 9h ao meio-dia

Quanto: R$ 10

Telefone: (49) 3537-0833

Site: www.vinicolakranz.com.br

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