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Veleiro produzido pela UFSC para pesquisas oceânicas deve ir para água até dezembro

Embarcação de alumínio é desenvolvido com tecnologia local para expedições em mar aberto e regiões polares

Edson Rosa
Florianópolis
19/09/2016 às 08H55

Veleiro produzido na UFSC vai fazer pesquisas oceânicas - Eduardo Valente
Veleiro produzido na UFSC vai fazer pesquisas oceânicas - Eduardo Valente

A tripulação ainda não está formada, mas, dois anos depois da previsão inicial, o batismo do ECOUFSC será na baía de Canasvieiras, provavelmente em dezembro deste ano, dentro das comemorações dos 56 anos da Universidade Federal de Santa Catarina. A primeira expedição científica do superveleiro oceânico, o primeiro projetado e fabricado com tecnologia totalmente desenvolvida no campus da Trindade, está marcada para março a abril de 2017, ao arquipélago de São Pedro, São Paulo. A viagem inaugural ao litoral pernambucano faz parte dos testes em mar aberto para avaliação da navegabilidade, antes da viagem à base brasileira Comandante Ferraz, na Antártida.

No projeto desde o início, em 2012, quem mete a mão na solda é o técnico Adrian Savaris, 27, contratado da SPS (Soluções Para Soldagens), empresa criada no laboratório da engenharia mecânica da UFSC, e que atualmente trabalha na colocação do suporte do eixo do hélice. Esta etapa, explica Adrian, precede à fixação do motor híbrido, um Volvo Penta, de 200 HPs e seis cilindros, movido a diesel e energia elétrica. Com geradores e baterias já instalados, a rede elétrica e o sistema eletrônico também estão na reta final, assim como a tubulação hidráulica.

A próxima etapa prevê acabamento no caso externo e do convés com resina de poliéster sobre a base e soldas de alumínio para preceder a pintura. Com casario de fibra de vidro e cabine do comandante a parte, a embarcação  tem  capacidade para transportar  confortavelmente até 10 pessoas, entre tripulantes e pesquisadores.

Ainda desmontados, os mastros serão instalados com a embarcação em flutuação, provavelmente em estaleiro de Itajaí ou no Iate Clube Veleiros da Ilha, em Florianópolis, informa o coordenador geral e professor de engenharia mecânica da UFSC, Orestes Alarcon. Retrátil, a quilha possibilita a navegação em mar aberto, com calado de 4,5 metros, ou em rios e mangues com apenas um metro e meio de profundidade.

 

Tecnologia naval e pesquisas oceânicas

Para a engenharia mecânica, os resultados esperados são o domínio da tecnologia de construção de barco oceânico em alumínio, e da tecnologia em motoração elétrica em veleiros.  Com orçamento superior a R$ 4 milhões, a embarcação está com dois anos de atraso por falta de recursos e, segundo o professor Orestes Alarcon, “alguns percalços que precisaram ser corrigidos no caminho”.

Na oceanografia, entre as pesquisas previstas estão causas e efeitos das mudanças climáticas globais e ocorrência de eventos extremos, monitoramento dos impactos ambientais decorrentes do crescimento econômico, biodiversidade e ecologia dos ecossistemas marinhos e ciclos biogeoquímicos de gás carbônico.  A embarcação será  utilizada, também, em  educação ambiental, treinamento de alunos de graduação e reciclagem  de professores pelo Programa Nacional de Experiência Embarcada.

Para o técnico soldador Adrian e o irmão dele, o marceneiro Adroaldo Savaris, 25, terceirizado para a montagem do mobiliário em compensado naval, a grande expectativa, é navegar. “Depois de tanto tempo aqui dentro, soldando cada cantinho do convés, gostaria de estar a bordo na primeira viagem ”, confessa diz Adrian, que, obviamente, conhece cada detalhe do veleiro.

Estrutura, banheiros, anteparos e casco são de alumínio, revestido com lã de pedra, materiais especiais para suportar as baixas temperaturas polares. O projeto foi desenvolvido em parceria com os arquitetos navais Olivier Petit e Nicolas Berthelot, responsáveis pelas linhas do casco e pelo dimensionamento da embarcação.

 

 

       Características

  • Comprimento: 18,6 m (60 pés)
  • Lind’água: 17,3 m
  • Largura máxima: 5,3 m
  • Calado: entre 1,4 m e 4,5m, com quilha retrátil
  • Deslocamento a plena carga: 35 t
  • Tanques para água e efluentes de bordo: 3.000 l

Propulsão híbrida

  • Motor Volvo Penta, 200 HP, seis cilindros
  • Tanque: 4.000 l, óleo diesel
  • Motor elétrico, com 150 kW, autonomia variável entre 500 milhas náuticas a velocidade de três nós, e 5.000 milhas náuticas a seis nós.
  • Banco de baterias de 80 kW, com consumo de cinco kW adicionais para demais instalações elétricas de bordo
  • Sistema de regeneração a partir do hélice, com potencial até 15 kWh
  • Sistema auxiliares de geração eólica e solar

     Área velica

  • Vela mestra: 73,4 m²
  • Mezena: 25,6 m²
  • Genoa: 74,8 m²
  • Stail: 35,8 m²

Fonte: Instituto de Tecnologia Naval e Oceânica/UFSC

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