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'Vão colocar uma raposa no galinheiro', diz Lula em evento de apoio a Haddad

Lula fez parte do evento sem o candidato, que se atrasou em mais de uma hora por causa de sua participação numa plenária de campanha na região central

Folha de São Paulo
São Paulo
25/09/2016 às 15H05

GIBA BERGAMIM JR.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na última semana de campanha eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi ao extremo leste de São Paulo para pedir votos ao candidato à reeleição em São Paulo, Fernando Haddad (PT), onde atacou "a publicidade contra o PT" e mirou os adversários que apoiam o presidente Michel Temer (PMDB).

"Por causa da publicidade contra o PT, vão colocar uma raposa no galinheiro. Tucano que é menor do que raposa já come filhote de passarinho. Imagine uma raposa. Então, dia 2, vamos eleger Haddad e Chalita para prefeito e vice em São Paulo", discursou Lula na região de São Mateus. Lula fez parte do evento sem o candidato, que se atrasou em mais de uma hora por causa de sua participação numa plenária de campanha na região central.

Pronunciamento de Lula foi transmitido ao vivo pela TVT - Reprodução/TVT
Reprodução/TVT



O líder máximo do PT disse estranhar que, em São Paulo, embora ouça as pessoas pedirem a saída do presidente Temer, escolhem candidatos ligados a ele. "O povo de São Paulo não está diferente do resto do Brasil inteiro, gritando 'fora, Temer'. O que eu acho estranho é que nesse momento da história política de São Paulo, o povo que grita 'fora, Temer' está nas pesquisas votando em três candidatos que apoiam o Temer", afirmou. "Ora, se o povo não quer um, como está aceitando três", disse.

Ele disse acreditar que, nas periferias, eleitores acham que candidatos ex-petistas ainda são do PT. "A Marta não é mais do PT", disse em discurso a cerca de 400 pessoas. Durante o corpo a corpo com eleitores no Jardim da Conquista, distrito de São Mateus, Haddad agradeceu a vinda de Lula à região onde o PT sempre contou com alto índice de votação, realidade que não se repete neste ano.

"É 13 no domingo, gente, não se iludam. Só o PT pode trazer conquistas sociais para a periferia", disse Haddad. Ao lado de Gabriel Chalita (PDT), seu candidato a vice, o prefeito e seu principal padrinho focaram no tema educação nos discursos. "A gente não pode entrar na aventura de votar num candidato que só fala em educação em ano de eleição", disse Lula sem citar nomes de adversários.

Chamado de "Caminhada da Virada", o evento é considerado a última tentativa do prefeito de reverter o cenário eleitoral, no qual amarga um quarto lugar nas pesquisas, com 10% das intenções de voto. Enquanto estava sem Haddad Lula ficou incomodado com a demora e acabou virando o centro das atenções a ponto de o ex-deputado Adriano Diogo (PT) dizer: "É Haddad, gente. O Lula não é o nosso candidato no dia 2".

"Estou preocupado com o horário. Já é meio-dia, a galinha está no forno, o feijão está esquentando, a caipiroska está sendo feita e o Corintihians pega o Cruzeiro. Vamos começar e a hora que o companheiro Haddad chegar ele sobe no carro", disse Lula. Com uma camisa polo com a estrela do PT no peito, Lula andou em cima de um carro de som ao lado de Haddad pela travessa Somos Todos Iguais. Junto com eles, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, e o candidato a vice, Gabriel Chalita (PDT).

Um Lula rouco e que há duas semanas foi denunciado por suspeita de corrupção na Operação Lava Jato foi defendido por correligionários, que ao microfone diziam que o líder máximo do PT era alvo de "perseguição de golpistas". O cenário era bem diferente de 2012, quando Haddad representava o novo em meio a uma gestão Dilma Rousseff que não havia sentido os efeitos de denúncias de corrupção nem de perda de apoio no Congresso.

Em cerca de um mês e meio de campanha, Lula apareceu três vezes em eventos de Haddad. O primeiro deles, em Guaianases, também na zona leste, o ex-presidente surgiu três dias antes do início oficial da campanha eleitoral, 16 de agosto. Antes disso, esteve no lançamento da candidatura. De lá para cá, não apareceu em novos eventos até então, embora tenha dito no dia do lançamento da campanha que iria priorizar a reeleição na principal cidade do país, feito que o PT não alcançou com Luiza Erundina (1989 a 1992) nem com Marta Suplicy (2001-2004), hoje no PMDB.

Ataques

Se no lançamento da candidatura Lula pediu que Marta não fosse atacar, a uma semana da eleição a tônica era outra. Durante toda a caminhada, Marta foi acusada de apoiar o presidente Michel Temer (PMDB). Assim que chegou, Lula abraçou eleitores no chão e depois subiu no carro de som onde fez a maior parte da "caminhada".

Lula subiu o tom e atacou os principais adversários de Haddad. "O (João) Doria vocês sabem o que ele é. Vocês sabem o que ele representa. Ele fala do PT, mas o partido dele não vale 1% do que vale o PT. Já o amigo (Celso) Russomano, é melhor ele esperar acabar a eleição e voltar para aquele programinha dele de televisão em que ele defende coisa alguma".

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