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Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
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Vale da Utopia, onde morreu bebê subnutrido, tem outro caso de criança em estado vulnerável

Conselho Tutelar de Palhoça elaborou relatório sobre situação de menores na comunidade

Colombo de Souza
Florianópolis

A morte por desnutrição da bebê Ana Lu, de três meses, reacendeu a polêmica de crianças e adolescentes que vivem em estado vulnerável no Vale da Utopia, cravado entre a Guarda do Embaú e a Praia da Pinheira, em Palhoça. A coordenadora do Conselho Tutelar de Palhoça, Adriana da Rosa, tem um cadastro de crianças que já passaram ou que vivem lá. O promotor André Giacomelli informou que existe um caso de vulnerabilidade de criança no Vale da Utopia que tramita em segredo de justiça.

:: Casal é preso após morte de bebê de três meses alimentado apenas com mistura de óleos

Reprodução/RICTV/ND
Guilherme trancou faculdade no Paraná para levar vida alternativa na Guarda


Como a área é de preservação ambiental e sem infraestrutura habitacional, o Conselho Tutelar preparou um relatório minucioso sobre o local e encaminhou o estudo à Promotoria da Infância e Juventude de Palhoça, que protege crianças em estado de vulnerabilidade. Um cópia também foi entregue à Polícia Ambiental.

Nesta terça-feira (4) de manhã, a tia-avó de Ana Lu veio de Ponta Grossa (PR) com uma procuração pronta para Guilherme Smanioto Vieira Paula, de 30 anos, pai da bebê morta, assinar para autorizá-la a fazer o registro de nascimento num cartório da cidade e, posteriormente, o atestado de óbito.

A intenção da mulher é levar o corpo da menina para sepultar em Ponta Grossa, no Paraná.  Ela veio para Santa Catarina após receber um telefone de Guilherme, preso na Divisão de Investigação de Palhoça. “Ana Lu transcendeu”, avisou o pai.

Ele trancou a faculdade de geografia no Paraná para levar uma vida alternativa com Fabíola Vieira Skowron, de 26 anos, no Vale da Utopia. O casal foi autuado em flagrante por maus-tratos, junto com a companheira, com agravante de morte de vítima com menos de 14 anos.

Guilherme contou ao delegado Adriano Almeida que Ana Lu morreu na lua de domingo, por volta das 22h.

No sábado anterior, um grupo de cinco amigos, moradores de Florianópolis, estava na Guarda do Embaú fazendo a trilha do Vale da Utopia, quando avistaram Guilherme e Fabíola com Ana Lu no colo. O casal acompanhava duas mulheres com mais um bebê de aproximadamente um ano e meio. 

“Eles conversaram um pouco com a gente. Percebemos que a recém-nascida não se mexia e nem abria os olhos, mas estava limpa e envolvida em um cobertor”, disse um visitante, que entrou em contato com o jornal após ler a notícia no ND Online.

De acordo com o delegado Adriano Almeida, o casal Guilherme e Fabíola, aguardou o dia amanhecer para acionar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que levou o bebê e os pais à delegacia.

No depoimento ao delegado, Fabíola contou que por questões de saúde — ela teve que retirar um seio que rejeitou a aplicação de silicone — substituiu o leite materno  por leite de coco misturado com semente de girassol e de castanha do caju. “Eles amassavam as sementes, misturavam-na com óleo vegetal, coavam em um pano e davam o líquido ao bebê”, disse.

 

Divulgação
Fabíola, formada em enfermagem, trabalhava como artesã


Formada em enfermagem, Fabíola revelou ao delegado que, na última semana, sentiu que a filha estava um pouco debilitada, mas não procurou um médico. Para Almeida isso caracteriza negligência. O casal não tinha emprego fixo. Ela trabalhava como artesã e Guilherme era malabares.

Fabíola está no Presídio Feminino de Florianópolis e Guilherme na carceragem da Delegacia de Proteção à Criança, Mulher e Idoso de Palhoça, aguardando vaga no seguro do Presídio Masculino de Florianópolis, local isolado da massa carcerária.

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